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Jogos: Dark Scrolls – Análise


Dark Scrolls combina ação arcade e inspiração Soulslike num desafio caótico e divertido que conquista pela ambição, mas tropeça na execução.

Dark Scrolls

Jogo: Dark Scrolls
Disponível para: Nintendo Switch, PC
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: doinksoft
Editora: Devolver Digital

Dark Scrolls

Há jogos independentes que conseguem esconder as suas influências e criar uma identidade própria. Dark Scrolls não faz grande esforço nesse sentido, mas também nunca tenta enganar ninguém. A nova produção da Doinksoft junta referências a clássicos como Gauntlet, Castlevania, Ghosts ‘N Goblins e The Legend of Zelda, acrescenta uma camada de roguelite e um toque de Soulslike, criando uma experiência frenética, desafiante e, por vezes, demasiado ocupada para o seu próprio bem.

O ritmo é ditado pelo scroll automático dos níveis, obrigando o jogador a avançar sem hesitações, porque ficar para trás significa ser esmagado pelo cenário. O combate funciona de forma simples, com projéteis lançados continuamente, embora a decisão de impedir a mudança de direção enquanto o ataque é mantido torne muitos confrontos menos naturais do que deveriam. É uma escolha de design que acrescenta dificuldade, mas nem sempre da forma mais interessante.

Dark Scrolls

A variedade de personagens ajuda bastante a manter a curiosidade nas primeiras horas. Grizz destaca-se pela força bruta e pela eficácia contra bosses, Pigeon aposta na velocidade e numa mobilidade arriscada, enquanto Emerys prefere ataques de longo alcance. O sistema de estrelas, que ativa habilidades e bónus conforme a barra vai enchendo, acrescenta uma camada estratégica inesperada, especialmente quando combinado com as melhorias compradas durante cada percurso.

Também existe bastante conteúdo para descobrir. Personagens desbloqueáveis, caminhos secretos, atalhos, desafios individuais e uma progressão permanente dão a sensação de que existe sempre mais qualquer coisa para encontrar. O problema surge quando essa progressão depende de uma economia demasiado lenta. Ganhar apenas algumas gemas por tentativa transforma o desbloqueio de personagens num processo repetitivo que rapidamente perde o encanto.

Visualmente, Dark Scrolls é um pequeno regalo para quem aprecia pixel art de inspiração 16 bits, acompanhado por uma banda sonora com sabor a Mega Drive que encaixa perfeitamente na aventura. Ainda assim, a realização sofre com excesso de elementos em simultâneo, tornando fácil perder inimigos ou armadilhas no meio da confusão. A geração procedural também revela limitações, repetindo estruturas e encontros com frequência, enquanto vários bosses acabam por ser surpreendentemente previsíveis.

O modo cooperativo, local e online, acrescenta diversão, mas também alguma frustração devido às colisões constantes entre jogadores e ao sistema de fantasmas pouco útil após a morte. Junta-se ainda uma ausência quase total de explicações sobre mecânicas importantes, obrigando a aprender por tentativa e erro.

Dark Scrolls

Dark Scrolls oferece muito mais conteúdo do que o preço faz prever e proporciona sessões curtas bastante divertidas. No entanto, a falta de polimento, o grind exagerado e a repetição impedem-no de atingir o patamar dos jogos que procura homenagear.

Nota: 7/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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