Mnemophrenia: A linha entre a vida real e a realidade virtual

‘mnemophrenia’ (ni-mä-frē-nē-ə)
Uma condição ou um estado caracterizado pela co-existências de memórias reais e artificiais, que afectam a percepção da identidade.

A palavra é também o título do mais recente filme de Eirini Konstantinidou, onde é explorada uma abordagem ao futuro da realidade virtual, aliado a uma doença mental em processo de criação. A realidade é  questionada.

Originalmente desenvolvido como um projecto universitário em Cinema, Konstantinidou inspirou-se em diversos filmes de ficção cientifica para criar um mundo futurista q.b.. O resultado oferece uma visão em como toda a biologia se junta com a tecnologia, podendo liderar a uma nova humanidade.

Até agora, a realidade virtual esteve mais associada para fins ficcionais, educativos, nos vídeojogos, e até mesmo na recriação de acontecimentos históricos. Mas, aqui, a ideia de podermos criar uma ligação real com algum dos nossos antepassados, ainda que na sua forma virtual, os mesmos poderão ser construídos com base nos milhares de dados pessoais que disponibilizamos consensualmente via as redes sociais. Vai muito mais de para além de um simples avatar, abrindo as portas a toda uma nova dimensão de questões sobre as funcionalidades do VR.

Não é a primeira vez que vemos um futuro tão próximo a mostrar quão rápido a tecnologia poderá ser fruto de algo com consequências graves, tal como temos visto nas inúmeras temporadas de Black Mirror. No entanto, Mnemophrenia está dividido em três pontos de vista: Jeanette (Freya Berry), uma mulher que descobre que é mnemofónica; num futuro próximo, com o investigador Nicholas (Robin King), que é uma das primeiras pessoas nascidas com essa condição; e ainda mais distante, com Robyin (Tallulah Sheffield), uma mulher que vive num mundo onde todos são mnemofónicos.

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Com um orçamento reduzido, a ambição de Konstantinidou é visível no ecrã. Somos meros espectadores perante o que a humanidade motivou, composto por alguns diálogos técnicos mas acessíveis, na sua explicação da tecnologia e como a condição mental funciona. Entretanto, o método de criação da narrativa envolveu os actores a assistirem apenas a uma parte do filme, e a desenvolverem as suas personagens com base nessa informação, forçando-os a improvisar alguns dos  diálogos e a manter o tom realista e natural das suas personagens. Acabando por ofuscar as linhas entre o real e o artificial.

Fãs de ficção cientifica low-budget, como Primer e Coherence, irão apreciar toda os detalhes da ciência que compõe o filme, enquanto os restantes irão certamente ficar curiosos com este resultado, deixando muitas perguntas no ar.

 

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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