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Jogos: Análise – Resident Evil Village (PS5)

Quando foi lançado em 2017, Resident Evil 7 provou ser um extraordinário regresso para a icónica série de survival horror da Capcom, corrigindo os erros do mal-amado antecessor Resident Evil 6, um jogo demasiadamente voltado para a ação. O pesadelo de Ethan Winters vivido numa mansão degradada no Louisiana foi uma masterclass de terror, com todos os ingredientes: um elenco de personagens inesquecível, quebra-cabeças engenhosos e uma atmosfera de cortar à faca. No fundo, o tipo de jogo que se apodera de nós, como um qualquer superorganismo estranho.

O enredo de Resident Evil Village tem início alguns anos após os eventos do jogo anterior. Com Eveline destruída, Ethan Winters, a sua mulher Mia e a filha recém-nascida Rose assentaram arraias e iniciaram uma nova vida no leste da Europa. Infelizmente, a sua existência confortável dura pouco. Poucos minutos após o início da aventura, começa o inferno. Sem dar muitos spoilers, Ethan vê-se envolvido numa situação desesperante enquanto é forçado a explorar uma aldeia montanhosa repleta de habitantes bizarros que não veem com agrado a presença de visitantes indesejados.

À medida que o jogador avança, irá deparar-se com os quatro lordes. Por agora, decerto já todos ouviram falar da Lady Dimistrescu. Mas esta vilã de proporções épicas é apenas a primeira de um grupo eclético de inimigos que irá enfrentar, sendo que cada um deles oferece um desafio único e sempre diferente. Por exemplo, a Lady Dimitrescu e as suas três filhas bruxas patrulham o castelo e perseguem o jogador de uma forma similar à do Sr. X em Resident Evil 2. Por outro lado, o covil da fazedora de bonecas Donna Beneviento apresenta um desafio sem recurso a combate, e por aí em diante com os restantes arqui-inimigos.

Como é óbvio, a grande maioria das personagens com que nos deparamos querem-nos mortos. Mas tal não significa que o jogador está completamente só em Resident Evil Village. O Duke é um vendedor que se tornará rapidamente num aliado que será extremamente útil, vendendo munições e itens de cura.

Relativamente ao grafismo do jogo, Resident Evil Village é um regalo para os olhos. Para esta análise, joguei a versão PS5, que faz ótimo uso das capacidades de última geração da consola para dar vida ao mundo do jogo. Os pormenores são especialmente notórios em áreas como o castelo, que apresenta efeitos de luz ambiente espetaculares e cores ricas que brilham no ecrã. O jogo apresenta igualmente personagens incrivelmente detalhadas, sendo a Lady Dimitrescu a estrela da festa. Para complementar o grafismo excelente, as técnicas de combate não desiludem e dão continuidade ao que já vimos nos últimos jogos da série, com uma visão na primeira pessoa e ação gunplay irrepreensível.

Passando aos aspetos menos positivos do jogo, não posso deixar de realçar os quebra-cabeças ou, melhor dizendo, a ausência deles. Contam-se pelos dedos das mãos e não requerem qualquer perícia, o que funciona em detrimento do jogo. Para além dos mais clássicos puzzles que envolvem combinações de item e botão, há ainda alguns com base na física para resolver. O problema é que são todos bastante simples e pouco ambiciosos.

Resident Evil Village é uma adição recompensadora ao cânone da série de survival horror da Capcom. É uma viagem explosiva e brutal que certamente agradará aos fãs do género. Embora não seja o meu preferido, a Capcom fez um trabalho admirável, tendo conseguido conjugar o terror e a ação na perfeição para criar algo entusiasmante e que não defraudará as expectativas.

Classificação: 8,5/10

 

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