Crítica: As Aventuras de Bruno Brazil: Black Program vol. 1

Quando soubemos do regresso da icónica personagem dos anos 1970, Bruno Brazil, de Greg e Vance, demos-lhe um destaque aqui no Central Comics, longe de pensar que também iria ser publicado em Portugal. Mas, surpreendentemente, a Gradiva não demorou muito tempo a comprar os direitos e a publicar a obra em português.

Visto que o último álbum é de 1977 (houve um em 1995, mas consta de republicação de histórias curtas e umas páginas de uma história inacabada), fiquei muito curioso em como a nova dupla de autores, Aymond e Bollée, iria pegar na série – daí que, mal recebi o livro,  este tenha passado para o topo das minhas próximas leituras. Infelizmente, razões pessoais e profissionais fizeram com que demorasse mais tempo do que desejado para escrever aqui a minha opinião.

Seja como for, passemos à acção:

Um novo adversário parece estar a preparar uma grande operação ligada à conquista do espaço, e Bruno Brazil tenta reunir de novo a sua Brigada Caimão. Reunir de novo porquê? Porque a última missão deles correu muito mal e vários membros da equipa foram mortos ou mutilados severamente, incluindo o seu irmão. É aí que temos o primeiro problema deste Black Program Vol. 1. A história começa meses depois dos acontecimentos da série que tinha terminado em 1977, e as ligações a ela são demasiadas. Se, por um lado, poderá agradar os velhos leitores, por outro, é um tiro no pé para tentar angariar novos fãs. Apesar de se compreender de forma geral, a trama está muito dependente dos acontecimentos de há quase 40 anos e as referências aos eventos passados são demasiados. O visual (arte) também não muda muito relativamente à de William Vance. O traço de Phillipe Aymod segue a mesma linha clássica sem inventar muito nem no desenho nem nos layouts das páginas. Talvez a maior diferença seja mesmo nas cores de Didier Ray, o que torna tudo um pouco mais contemporâneo.

  Colecção Watchmen vol. 9 – Crise

A história não é má e arte também não é má, mas o conjunto tem aquele ambiente um pouco ultrapassado, como se estivéssemos a ver um filme de Dirty Harry ou de Charles Bronson.

A edição portuguesa tem uma boa tradução de Jorge Lima, cujo trabalho conheço e aprecio, principalmente dos livros de tiras cómicas como Zits e Baby Blues.

Mas agora – e pedindo desculpas a todos vocês que devem estar fartos das minhas críticas à legendagem – devo dizer que ler este livro é um total pesadelo para mim. Não só os “i” estão serifados (“serifas” são aqueles traços nas extremidades de alguns tipos de letra, e que na letra “i” ficam muito mal), como a letra N está invertida. Eu conheço a fonte usada neste livro e ela tem dois modos. Escrevendo em minúsculas ou maiúsculas, a aparência é sempre de maiúsculas, com a diferença de que quando se escreve já com “letras grandes”, os “i” passam a ter serifas, e os “n” ficam invertidos. Pergunto-me como será possível que alguém possa legendar assim e pior, passar na revisão?! Como não vêm os N ao contrário? Desculpem-me, mas tinha mesmo que desabafar.

Resumindo, As Aventuras de Bruno Brazil: Black Program vol. 1 é uma aventura policial/espionagem, que irá agradar mais aos leitores acima dos 40 anos e que cresceram com a banda desenhada franco-belga dos anos 70 e 80. Ainda assim, o volume termina com um gancho bastante surpreendente e que deixa o leitor muito curioso.

Argumento: Laurent-Frédéric Bollée
Arte: Philippe Aymond
Cores: Didier Ray

Editor: Ala dos Livros
Argumento: 6
Arte: 7
Legendagem: 1
Encadernação: 8
Veredicto Final: 6.5

Hugo Jesus

Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.

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