Colecção Watchmen Vol. 2 – Temível Simetria

Sai hoje, Colecção Watchmen Vol. 2 – Temível Simetria, juntamente com o jornal Público. Não percas!

Temível simetria é o segundo volume da reedição de Watchmen, editado pela Levoir e o jornal Público a 22 de Fevereiro, compila as revistas #4-6 da série original.

Quando Alan Moore teve a ideia de criar mais uma mini-série com os personagens da Charlton Comics, intitulada Who Killed the Peacemaker, ele não sabia que estava a criar a mais revolucionária banda desenhada da história. Ao entregar a Dick Giordano, o editor da DC, o embrião do que seria Watchmen, Dick tomou uma decisão que seria fundamental para o real sucesso de Watchmen: pôs de lado o argumento que tinha em mãos dos personagens da Charlton, dando liberdade a Moore para criar algo totalmente novo, mesmo que inspirado neles. A ambição de Moore foi ainda mais longe. Ele não ficou satisfeito em criar apenas mais uma revista, mais uma mini-série; ele tratou logo de abalar todos os alicerces sobre a qual estava fundamentada toda a indústria da banda desenhada, com heróis endeusados, tidos como infalíveis. A partir de Watchmen – e de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, lançado em 1986 (já editado pela Levoir) – tudo isso mudou. Tanto que Moore foi acusado de ser o assassino dos super-heróis, que nunca mais obtiveram o status que tinham tido outrora.

Neste segundo volume da colecção, a teoria do assassino de mascarados confirma-se quando Adrian Veidt sofre uma tentativa de assassínio no seu edifício. Rorschach, o temível vigilante que assumiu a tarefa de desvendar o homicídio do Comediante e expor as contradições e hipocrisias dos super-heróis da sua América natal, é capturado numa armadilha no apartamento de Moloch e levado para a prisão.

Moore usou um recurso interessante, o espelhamento dos quadros das páginas, as da primeira com a última e assim por diante, culminando no miolo, onde Veidt desarma o assassino. A elaboração das páginas desse capítulo demonstra o controle que o personagem tem sobre a trama de Watchmen.

Watchmen Vol.  2 – Temível Simetria
De Alan Moore e Dave Gibbons
Levoir / Público

Capa dura, cores
PVP: € 9,90

Watchmen a obra-prima escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons em 1985, e que a Levoir edita de 15 de Fevereiro a 18 de Abril, em pareceria com o jornal Público, é considerada a melhor história de banda desenhada editada até hoje, tendo sido galardoada com vários Prémios Kirby e Eisner, incluindo o de “Melhor Mini-série”. É a única história de banda desenhada presente na lista dos 100 Melhores Livros de Todos os Tempos eleitos pela revista Time desde 1923.

Alan Moore é uma lenda viva da BD, até pela excentricidade da imagem que cultiva e pelo afastamento total das grandes manifestações públicas, como os Festivais de BD, trocados pelo exílio voluntário da sua casa de Northampton no interior de Inglaterra. A sua longa carreira, recheada de prémios e sucessos comerciais, iniciou-se em Inglaterra, nas páginas das revistas 2000 ADe Warrior (onde começou a ser publicado o notável V de Vingança publicado pela Levoir) mas seria em 1984, ao passar a trabalhar para o mercado americano, que o mundo pode finalmente apreciar todo o talento de Moore e a sua capacidade de insuflar uma nova vida a personagens cansados, provando que a BD também pode ser literatura.

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Em Watchmen o que leva o Relógio do Apocalipse a aproximar-se perigosamente da meia- noite é a forma como a presença do Dr. Manhattan, que tinha permitido aos americanos vencer a guerra do Vietname, vem perturbar o equilíbrio estratégico entre as duas superpotências, levando o bloco de Leste a uma reacção desesperada, invadindo o Afeganistão (algo que aconteceria anos depois no mundo real) e o Paquistão.É precisamente para evitar que o relógio chegue à meia-noite que Adrian Veidt, o Ozymandias, criou um elaborado plano. É esse mesmo Relógio do Apocalipse que dá título a Doomsday Clock (um título cujas iniciais são as mesmas da editora DC, numa aliteração óbvia que inevitavelmente se perderia na tradução) e que no passado dia 23 de Janeiro foi acertado para os 100 segundos para a meia-noite, assinalando o momento em que a humanidade se aproximou mais da destruição total desde que o Relógio foi criado, em 1947; um avançar para o abismo ditado pelas alterações climáticas e pelo risco de um conflito nuclear. Em Doomsday Clock tanto a dimensão onde estão os Watchmen como a Terra onde vivem o Batman e os outros super-heróis da DC estão à beira de um conflito nuclear. E se em Doomsday Clock o plano de Ozymandias e as contribuições do Dr. Manhattan e do Super-Homem chegaram para evitar o Apocalipse,no nosso mundo pode ser bem mais complicado.

A colecção para além da série clássica e de um volume de ligação, inclui a série Doomsday Clock, que une o universo de Moore e Gibbons com o restante universo DC, numa história notável de Geoff Johns e Gary Frank, que homenageia a saga original e a própria história da DC.
A história passa-se nos Estados Unidos nos anos 80. Edward Blake, o Comediante, um dos mais famosos super-heróis do mundo e um dos raros vigilantes ainda no activo, foi encontrado morto. Rorschach, um vigilante mascarado, decide iniciar uma investigação para descobrir quem o matou. Supõe que haja um assassino de mascarados na cidade e meio paranóico, vai ao encontro dos amigos para os avisar do perigo que os ronda.

Assim começa uma viagem perturbadora que vai levar os protagonistas cada vez mais fundo, para o coração secreto deste mundo de super-heróis, e para a descoberta de que nem tudo é o que parece ser.

Hugo Jesus

Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.

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