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Cinema: Crítica – Your Christmas or Mine?

Todos os anos por volta desta altura natalícia chovem filmes, quer modernos, quer clássicos, nas mais variadas estações de TV. Tendo os serviços de streaming ocupado, também eles, uma fatia importante nas já vastas opções dos consumidores. Amazon Prime não quis ficar de fora e este ano apresenta Your Christmas or Mine? como a sua principal aposta original no que toca a comédias românticas de natal.

Your Christmas or Mine?A realização ficou a cargo de Jim O’Hanlon, estando o destaque para o argumentista estreante, Tom Parry  conhecido comediante britânico. 

A premissa parte, evidentemente, da aproximação à noite de natal, onde dois jovens adultos, James (Asa Butterfield) e Hayley (Cora Kirk) decidem encontrar-se antes da chegada da consoada. Como vivem em locais distantes, resolvem fazer uma surpresa um ao outro – em ir na direção do seu parceiro ao invés da sua casa. Assim por ambos trocarem de destinos de viagem, acabam por ter de passar a esperada noite com a família do companheiro.

Embora com uma ideia até criativa em cima da mesa, rapidamente surgem os típicos ingredientes que compõem uma longa-metragem desta época festiva. No meio da troca de cadeiras, o par protagonista  acabará num cenário temido pelos dois. Ambos irão deparar-se com uma nova faceta do seu parceiro, desconhecida até então. Pois apesar da sua proximidade, um e outro escondiam factos do seu passado e e da sua personalidade, que agora ficaram mais do que à vista, em rota de colisão com a família do companheiro(a).  

O que se segue são momentos caricatos daquilo que é expectável de uma comédia-romântica norte-americana. Com peripécias e situações inusitadas que preenchem Your Christmas or Mine? na sua concisa duração de sensivelmente noventa minutos. O serviço de streaming, titular desta obra, apostou na figura do ator Asa Butterfield como principal destaque publicitário, no entanto, naquele que é o seu modesto rol de aparições cinematográficas, é um papel com praticamente nenhuma coisa que o faça sobressair.

Tendo até ficado muito aquém do esperado, e curiosamente assim, aberto espaço para Cora Kirk ter algum brilho inesperado, visto se tratar de uma estrela em começo de carreira. Tirando a contribuição dos principais interpretes, o filme não tem muito mais que se lhe diga, sem entrar em território de spoilers. Tenta esforçar-se no humor, mas mesmo esse, no contexto de produções natalícias, é já bastante desgastado, ficando por isso sem qualquer efeito.

Your Christmas or Mine?

E até o desfecho do conflito inicial, onde esperava pessoalmente algum tipo de subversão ou mudança significativa na história, é no fundo aquilo que qualquer interessado ao ler a sinopse chegaria à conclusão por si mesmo. O que não é algo necessariamente negativo diga-se, mas se se levar em apreço que tudo o que apresenta até então é de alguma maneira datado e reciclado, o argumento podia ter se esmerado neste requisito. Mas não é o caso. Sendo que o mesmo ponto vale também para os aspectos técnicos.

Como se sabe pelo hábito da tradição, o tipo de produções lançadas nesta altura costumam praticamente todas seguir um mesmo compasso narrativo, com poucas discrepâncias entre si ou tentativas de ir muito mais além. Your Christmas or Mine? é mais um filme de natal despretensioso, inserido nesta lógica. Como se tratasse de mais um item indiferenciado à venda numa prateleira cheia de tantos outros filmes estandardizados iguais a si. A direção de O’Halon faz o mínimo possível para se distanciar infimamente disto e dos seus contemporâneos da concorrência, de tal modo, que se rodeia de um enorme cabaz de clichés repetidos ad nauseam desde a década de 1980s. 

Esta nova entrada no catálogo da Amazon Prime encontrar-se-á, assim, ofuscada no meio de tantas outras obras mais apetecíveis neste período já por si muitíssimo concorrido. Se é uma recomendação de natal, repleta de segmentos de comédia e natalícios reconhecíveis, que procuram para ver em família ou acompanhado, podem deixar Your Christmas or Mine? de parte. Optem antes por rever, pela centésima vez, o tão infame clássico para alguns, Home Alone (1990) que ficarão bem servidos.

Nota: 3/10

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