Cinema: Crítica – Predador: Badlands
O universo da série Predador ganha novo fôlego com o mais recente filme Predador: Badlands, realizado por Dan Trachtenberg.
Durante o período de pós-pandemia, uma nova era da série Predador começou, com Dan Trachtenberg a ter realizado Prey, injustamente lançado directamente no Disney+. A prequela dava-nos a conhecer uma jovem Comache que vai contra um Predador, dando assim os primeiros passos. Um filme de animação, Predator: Killer of Killers também foi lançado na plataforma de streaming neste verão, estendendo esse universo a um conjunto de histórias únicas. Agora, finalmente, Predador: Badlands, chega ao grande ecrã, para uma experiência alucinante.
Seguimos a vida de Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), um jovem Predador, que após ver o seu irmão a ser morto pelo próprio pai, acaba por seguir para um planeta longínquo em busca da caça que fará dele um verdadeiro Predador. Junto a ele nesta aventura está Thia (Elle Fanning), um sintética que lhe vai ajudar a concretizar o seu objectivo.
Desde o início percebemos que Trachtenberg queria expandir o universo de Predador mudando as regras tradicionais, que na sua série principal, viram as personagens a irem contra os humanos e serem os antagonistas da história. Aqui, o cineasta força-nos a encarar a situação com outra abordagem, colocando-nos do lado deste Predador que tem tudo a provar.
Na verdade tudo isto é uma proposta interessante que funciona muito bem. Ainda que não seja bem claro onde é que este filme se insere na linha de tempo – fontes dizem que estes eventos ocorrem muito para além de todos os filmes anteriores – isto demonstra o potencial da série quando existe alguém verdadeiramente apaixonado em fazer acontecer as ideias e as narrativas.
No fim, tudo é traduzido com um enorme factor cool, onde cada cena e meia de acção é realizada de forma meticulosa para causar uma excelente impressão e dar o máximo esforço em entretenimento, com um sucesso enorme. Sentimos verdadeiramente que estamos perante o filme com todas as batidas certas, enquanto equilibra o círculo de personagens neste mundo novo, numa história que apesar de algo previsível, cumpre muito bem o seu propósito neste universo, sem se conter em demasia.
É interessante olharmos para este universo, partilhado com a série Alien, e ver diferentes cineastas contemporâneos a abordar o material com outro tipo de sensibilidade, e uma enorme vontade de levar à frente as ideias que foram estabelecidas outrora na década de 80, com o recente Alien: Romulus, de Fede Álvarez, a também servir de um exemplo positivo.
Assim, Predador: Badlands é um filme bastante aprazível, contendo tudo o que poderíamos pedir de um filme da saga, subvertendo expectativas, enquanto nos oferece uma experiência que ainda não foi vista antes neste universo. Mais tarde ou mais cedo, o Predador vai voltar a encontrar humanos, e quando acontecer, resta-nos rezar que terá ousadia suficiente para algo memorável.
Nota: 7/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




