Cinema: Crítica – Pixels (2015)

PIXELS_1sht_PTUm desafio. Tentem imaginar os anos 80 sem os filmes da Amblin, a então nova companhia de produção de Steven Spielberg que acabou por assinar alguns dos filmes mais icónicos da década (e arrisco-me a dizer de sempre), marcando assim uma geração com filmes como Gremlins e The Goonies – dois dos mais reconhecidos títulos não só nas filmografias dos realizadores Joe Dante e Richard Donner (respectivamente), mas do seu escritor Chris Columbus que em 1987 estreou-se na realização com o subvalorizado (e um definitivo clássico de culto) Adventures in Babysitting, abrindo assim as portas para futuras colaborações com John Hughes, Robin Williams e J.K Rowling – que deram a diferentes gerações, diferentes aventuras e memórias inesquecíveis.[fbshare]

E é com este apanhado de filmes praticamente perfeito que faz de Chris Columbus a escolha exacta para uma carta de amor nostálgica e emocional que mistura personagens de clássicos videojogos, invocando ao mesmo tempo o espírito imortal de Ghostbusters.
Infelizmente, essa mesma carta é nos entregue não pela Amblin (e também não por uma coruja branca), mas pela Happy Madison – a única companhia de produção cujos filmes eram utilizados pela Monsters Inc. antes da mudança de método.

Pixels segue a história de Sam Brenner (Adam Sandler), antigo campeão mundial de Pac-Man que viu a vida passar à sua frente, enquanto o seu melhor amigo Will Cooper (Kevin James) se tornou no 45º Presidente dos EUA.

Ao tentar estabelecer contacto com vida extraterrestre, a NASA enviara em 1982 uma cápsula temporal com vários exemplos da então-actualidade (o que com algum esforço nos pode levar a outro clássico de Joe Dante – Explorers), entre eles videojogos como Space Invaders e Galaga que foram entendidos pelos seus receptores como um acto de guerra, decidindo assim invadir o planeta Terra com modelos baseados nesses mesmos videojogos.
Sem outra alternativa, o presidente pede ajuda a Brenner para juntar uma equipa à altura do desafio.

A equipa é composta por Violet Van Patten (Michelle Monaghan), Ludlow Lamonsoff (Josh Gad) e Eddie Plant (Peter Dinklage e a sua fabulosa mullet). Primeira glitch: nenhuma destas personagens é particularmente interessante. Monaghan está apenas no filme para servir de futura miss Sandler, Josh Gad tenta trabalhar com um cliché mais velho que o próprio Pong (tentem cantar o tema de Revenge of the Nerds cada vez que ele está em cena!), sendo Peter Dinklage o único a passar por alguns checkpoints aqui e ali com a sua personagem.
Jane Krakowski e Sean Bean merecem um destaque ainda menor, sendo completamente reduzidos a texturas de background, com o excelente Brian Cox claramente a roubar cada momento que consegue, no papel de almirante Porter.
Isto conclui a minha tese sobre “Adam Sandler nem sempre é o problema” porque na verdade, durante grande parte dos 100 minutos de duração, Sandler mostra-se mais do que adequado para o papel e até mesmo Kevin James encontra algumas moedas perdidas debaixo do sofá – embora o problema com a sua personagem (e até mesmo com a de Brian Cox) é ambos estarem ao serviço de uma paródia da administração Bush que se encontra perdida à procura de 2005.

Em termos de personagens digitais (e um dos verdadeiros destaques de Pixels), temos inúmeras que de imediato nos põem um sorriso na cara (uma surpresa em particular do mundo televisivo), mas o verdadeiro destaque vai para uma adorável versão de Q*bert que quase merece um troféu de primeiro lugar, ao lado de Cox. Aliás, um filme só com ambos seria uma excelente embora arriscada ideia. Toma nota, Hollywood!

O argumento escrito pelo habitual colaborador de Sandler, Tim Herlihy e Timothy Dowling pode soar algo familiar visto que Futurama e Wreck-It Ralph já viajaram entre arcades semelhantes, mas a segunda glitch no filme está no simples caso de Herlihy e Dowling formarem o argumento com o típico humor e personagens da Happy Madison, tirando assim grande parte do charme da ideia original de Patrick Jean.

Por todos os excelente efeitos especiais e impressionante design de produção (super evidente no clímax), Pixels recua sempre para território Madison, nunca colocando este tom característico de lado para assumir uma identidade mais confortável e adequada – a de um filme de Chris Columbus.
O tom abrasivo de Sandler e o tom nostálgico do filme simplesmente não conseguem jogar eficientemente juntos e acabam por confundir o circuito principal de Pixels e prender, quase por completo, o conceito original e divertido que está à espera de uma vida extra.

Quando o filme consegue jogar (ou seja, quando a acção passa para primeiro lugar), Columbus cria algumas criativas e divertidas sequências – envolvendo personagens como Pac-Man e Donkey Kong ao caos de Pixels, que somadas à abertura em 1982, nos conseguem dar alguns agradáveis momentos.

Alguns flashes de entretenimento, um Brian Cox em forma e um Q*bert em “modo Gizmo” (e pronto para corredores e corredores de merchandising) não chegam para fazer um filme, muito menos um que quer ser uma comédia da Happy Madison que prefere ficar em piloto automático do que fazer o loading completo de Chris Columbus.

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(2/5)
Outras críticas a Pixels:

“Pixels—ca,ca!” – Stripe, Charles M. Jones Times
“Pixels is very good…for me to poop on!” – Triumph, The O’Brien Post

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