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Cinema: Crítica – O Telefone Negro (2022)

O terror corre nas veias de Scott Derrickson. Assumindo diversos papéis atrás da câmara, entre produtor, realizador e argumentista, em obras como O Exorcismo de Emily Rose, Livrai-nos do Mal e Sinister – A Entidade, este também passou pela Marvel Cinematic Universe, com Doutor Estranho. O seu mais recente filme, O Telefone Negro, leva-lhe de volta ao seu género favorito, com uma abordagem um bocadinho diferente do esperado.

O ano é 1979 e o jovem Finney Shaw (Mason Thames) é constantemente vitima de bullying, seja na escola, seja em casa, pelo seu pai abusivo. A sua irmã mais nova, Gwen (Madeleine McGraw) acompanha-o em todos os momentos, mostrando um verdadeiro apoio fraternal entre eles. Acontece que esta pequena cidade no Colorado está assombrada pelo facto de existirem diversas crianças desaparecidas, sem se conhecer o autor dos crimes. É quando O Sequestrador (Ethan Hawke) decide raptar Finney que o mundo dele dá uma reviravolta, estando encurralado num quarto com um misterioso telefone negro; enquanto que Gwen tem sonhos psíquicos, que a leva numa jornada para encontrar o seu irmão.

A esta altura, o filme poderia pegar numa fórmula já conhecida e mudar apenas as personagens e o contexto, tendo um filme minimamente decente. Mas Derrickson faz melhor, ao deixar-nos explorar aqueles afectados pelo rapto de Finney e como se reflectem perante o caso, mantendo igualmente a sua influência cristã, conhecida dos seus filmes anteriores. Sendo a obra baseada num pequeno conto escrito por Joe Hill, o realizador expande sobre o conceito e torna o apelativo para o grande ecrã, proporcionando uma narrativa frequentemente intrigante e igualmente emocionante, enquanto torcemos que Finney consiga sobreviver aos acontecimentos.

Os visuais cinematográficos são combinados entre o cinema tradicional e pequenos excertos que aparentam ser gravados com equipamento antigo amador, aumentando assim o mistério e o mito por detrás de quem será O Sequestrador. A isto, junta-se uma actuação quase brilhante de Hawke, que escondido atrás da sua máscara esconde um assassino que joga um jogo muito distorcido com Finney, na esperança que o conseguir matar antes que descubram o seu rasto. No entanto, a componente sobrenatural que o filme oferece tende ser utilizada um pouco como a muleta que faz a narrativa avançar, sobretudo à medida que esta chega à sua conclusão natural, mas que demonstra ser importante dentro do conceito-chave que o filme destaca, mantendo-se assim fiel ao conto.

Assim, O Telefone Negro é uma das mais interessantes propostas de terror deste Verão, com o selo da Blumhouse Productions, numa altura em que a produtora está a tentar reviver o género no grande ecrã na era pós-Covid. Os sustos não serão muitos neste filme, mas existe algo de cativante que faz com que se mostre ser diferente do que se poderia esperar.

Nota Final: 8/10

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