Cinema: Crítica – Escape Room (2019)

Vindo directamente da saga “coisas modernas que tinham que ser ficção”, eis que o conceito de ficar fechado numa sala a resolver puzles tem direito à sua própria obra, com Escape Room, um filme realizado por Adam Robitel.

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Um grupo de seis estranhos se encontram num edifício isolado para jogarem um jogo, com a recompensa vencedora de 100 mil dólares, mas rapidamente descobrem que estão a jogar pela própria sobrevivência, com todas as probabilidades contra eles.

Nesta amostra de personagens, que parecem ter algo em comum, reparamos que sofrem dum forte trauma individual que, de alguma forma, lhes marcou a vida, dando-lhes as ferramentas e os instintos que precisam para sobreviverem. Infelizmente estas não têm grande profundidade, e limitam-se a ser bidimensionais, e bastante cliché.

Desde Danny (Nik Dodani), o especialista em escape rooms, a Amanda (Deborah Ann Woll), uma ex-militar com algumas habilidades úteis, passando por Zoey (Taylor Russell), a intelectual e Ben (Logan Miller), o degenerado que abandonou a escola, existe uma relação extremamente disfuncional entre estas pessoas, deixando para trás qualquer investimento que queiramos lhes dar. Basicamente não existe grande espaço de manobra quando tudo está a ser explicado em cima do momento.

Com alguma facilidade, vamos ficando com a sensação que estamos perante uma nova versão de Saw – Enigma Mortal, onde os jogos são dum risco entre a vida e a morte, fiando-se sempre nas coincidências felizes que ele próprio cria. O facto de praticamente tudo correr como esperado e não haver nenhuma linguagem imprópria, tende ser desconcertante, considerando as diversas situações onde as personagens se recusam agir como humanos normais.

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A narrativa tem alguns momentos interessantes, sobretudo quando quer assustar, com o seu permanente sentido de urgência, e uma sensibilidade temporal que nem todos os filmes do género são capazes. Muitas das ideias estão bem pensadas, pelo menos conceptualmente, pecando apenas na execução dessas mesmas ideias, que acabam por ir longe demais na sua lógica, seja qual ela for.

Infelizmente, as trágicas notícias dos jovens que faleceram durante um jogo na Polónia que fazem as manchetes pelo mundo, não beneficiam Escape Room de forma nenhum. Tendo agora esse aspecto da vida real ocorrido, poderá ser difícil de processar para as mais pessoas mais susceptíveis.

Assim, Escape Room, quando se esforça, vai conseguindo ser entusiasmante de ver, sobretudo na forma em que as várias salas são pensadas, deixando-se levar pela necessidade em mostrar o quão perigosos são, mas acaba por perder muita da credibilidade a que tanto apela. Ainda assim, já se ouvem notícias de possíveis sequelas, por isso duvido que seja a última vez que estaremos a enfrentar os perigos à porta fechada!

Nota Final: 5/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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