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Cinema: Crítica – Crimes do Futuro (2022)

David Cronenberg regressa às origens narrativas com o seu novo mundo distópico em Crimes do Futuro.

Cinema: Crítica - Crimes do Futuro (2022)

Escrito pelo próprio, mas, nas palavras de Cronenberg, adaptado ao grande ecrã como uma adaptação de uma história escrita por outra pessoa há 20 anos atrás. Crimes do Futuro passa-se num futuro sombrio em que as necessidades do ser-humano sofreram uma evolução inevitável. A dor física é inexistente, o que por sua consequência alterou o sistema imunitário dos humanos e a forma como sentem prazer entre eles, física e psicologicamente.

Saul Tenser (Viggo Mortensen), uma celebridade de performances avante-garde, em conjunto com a sua parceira Caprice (Léa Seydoux), têm a capacidade de trazer ao público um novo tipo de espetáculo focado nas mutações do corpo de Saul. A inexistência da dor humana permite-lhes realizar uma performance que combina medicina com tecnologia em que os seus novos órgãos são retirados do seu corpo a olho nu através de uma máquina caríssima que somente o próprio tem acesso. Cirurgias estas que são demonstradas ao público como forma de prazer audiovisual, bem como ao espetador do filme de uma forma bastante credível.

Cinema: Crítica - Crimes do Futuro (2022)

As semelhanças com Crash (1996) são inevitáveis, no qual existe uma fixação por acidentes rodoviários e prazer sexual. Deste modo, aqui há uma analogia constante entre a tecnologia, o prazer, dor humana e a evolução inevitável que sofreu. O foco mantém-se sobretudo nos protagonistas e na sua capacidade monetária para realizar tanto os espetáculos como adquirir as tecnologias controversas do futuro que os permite um bem-estar de qualidade quando comparado às restantes personagens que vamos conhecendo. Contudo, os sentimentos básicos humanos permanecem, as dúvidas individuais e a procura pelo clímax, seja profissional, introspetivo ou de prazer.

Cinema: Crítica - Crimes do Futuro (2022)

Por fim, Crimes do Futuro sofre do excesso de levantamento de tópicos num período de filme demasiado curto. A vida destas personagens é sem dúvidas interessante, no entanto, passamos mais tempo a tentar perceber que sub-tópico nos podemos seguir do que em aproveitar a viagem da narrativa. Levando à questão da estrutura narrativa que pode provocar alguns espetadores a quererem mais do que lhes é oferecido.

Porém, a criatividade gráfica do filme e as relações interpessoais entre as personagens são capazes de nos prender até ao fim com um elenco que nos faz acreditar neste mundo distópico em que apesar do avanço tecnológico a favor do bem-estar humano, a perfeição nunca será alcançável.

Classificação Final: 6/10

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