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Cinema: Crítica – Belfast (2021)

Quando a pandemia começou, Kenneth Branagh, célebre escritor e realizador, aproveitou o confinamento para trabalhar no que acabaria por ser o seu projecto mais pessoal de sempre, sobre a sua infância em Belfast, numa altura frágil na Irlanda do Norte, onde a guerra entre católicos e protestantes estava à beira do colapso. Belfast está nomeado em sete categorias dos Óscares.

O filme segue uma família de protestantes a viver pacificamente junto à população católica, que após um ataque à sua liberdade, vêm as suas vidas a darem uma reviravolta perante este cenário, questionando aquilo que está a acontecer à sua volta e junto às pessoas que amam. É ao viver este mundo através dos olhos de Buddy (Jude Hill, na sua estreia no grande ecrã) que percebemos a escala de alguns do acontecimentos durante uma das alturas mais frágeis da Irlanda do Norte. Com ele está a sua mãe (Caitríona Balfe), o seu irmão (Lewis McAskie) e os seus avós (Judi Dench e Ciarán Hinds), enquanto que o seu pai (Jamie Dornan) trabalha em Londres e visita tanto quanto consegue.

É com um enorme aperto no coração que o filme nos introduz do conflito que muda a vida dos vizinhos deste bairro, católicos e protestantes a conviverem sem que a religião afecte a relação que têm em comum, onde toda a gente se conhece, e toda a gente se ama. É por isso que Belfast é um memento carinhoso da vida de um autor cujo confinamento permitiu processar e criar algo genuíno, uma forma da arte ser um catarse, apresentado via a 7ª arte.

Ao lado de uma narrativa pessoal, está uma realização cuidada, onde os detalhes dos locais emblemáticos do bairro e as pessoas que dão vida ao mesmo são as mais importantes, enquanto somos brindados com actuações brilhantes de um elenco que emitem verdadeiros sentimentos das personagens que vestem a pele, capaz de oferecer uma ligação como nenhuma outra ao público que assiste a esta pequena parte da vida destas excelentes pessoas.

A vida real conta assim uma história com a perspectiva de Branagh, onde a leveza nos momentos sérios humanizam situações verdadeiramente assustadoras e imprevisíveis, sobretudo na forma que Buddy questiona sem medo aquilo que está a acontecer em seu redor, com a inocência de uma criança que vê as pessoas para além da sua religião. É no riso que se desarma o terror e Belfast propõe um serão memorável por aquilo que representa: um povo unido apesar das suas diferenças.

Nota Final: 8/10

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