BD: Crítica – Saga #9

Saga #9 capaEscrever uma critica da revista Saga é difícil, e devo começar por dizer que: melhor do que ler esta critica é LER a própria revista. Brian K. Vaughan tem muito mais talento para escrever do que eu![fbhare]

Saga é uma série que teve o seu primeiro número em 2012 e entrou em varias listas de melhores séries do ano. Alias, o Saga #1 é provavelmente um dos melhores números 1 que li nos últimos anos.
As revistas escritas por Brian K. Vaughan e desenhados por Fiona Staples são muito orgânicas, e exemplares nas forma como o texto e o desenho interagem – algo relativamente incomum.  Não vemos apenas balões e caixas de texto. Por vezes o texto adapta-se ao próprio desenho tornando a leitura ainda mais interactiva.

Saga #9 página 1No centro desta aventura temos uma familia – Alana, a Mae – Marko, o Pai e Hazel, a filha recém nascida.
É muito claro que BKV quer que esta série aborde temas como a família e a guerra.
Alana é de um planeta tecnologicamente avançado (Landfall), e Marko é da única Lua desse planeta e cuja civilização está muito ligada às artes magicas – ambas as civilizações estão em guerra há varias gerações.
Como a luta entre ambos pode levar à destruição dos 2 planetas, ambas as civilizações optam por criar um campo de batalha neutro. Desta forma, quer Landfall, quer Wreath (a única Lua de Landfall) são locais pacíficos – Fisicamente a guerra acontece noutros locais, mas culturalmente ambas as civilizações recusam qualquer proximidade e é impensável qualquer tipo de relacionamento.
A guerra dura há tanto tempo que todos os seus habitantes tem ressentimento dos habitantes do planeta/satélite contra o qual estão a lutar. Por isso a relação de Alana e Marko não é aceite e são contratados caçadores de prémios para capturar esta família.

Saga #9 página 2Um dos detalhes deliciosos desta série é os nomes das personagens, particularmente os nomes dos vilões, que passo a citar: The Will, The Stalk e Prince Robot IV, – temos ainda a Brio Talent Agency – onde podem ser contratadas pessoas de talento e… alguns assassinos.
O ultimo número desta revista tem uma estrutura diferente dos anteriores na medida em que as personagens principais desta revista não aparecem.
Em Saga #9 The Will e Gwendolyn (antiga noiva de Marko) assumem o papel principal. The will pode ser um assassino, mas tem ética, e perante uma situação de prostituição infantil (no planeta Sextillion) ele tem que fazer alguma coisa.
Grande parte do que lemos nesta revista tem haver com a forma como estas 2 personagens se juntam para libertar esta criança e como descobrem os interesses que tem em comum.

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Saga #9 página 3BKV da-nos a conhecer melhor as motivações deste assassino contratado e de Gwendolyn.
É uma revista completamente diferente do que tínhamos lido ate agora nesta série, que tinha sido muito centrada num núcleo de personagens.
Até este número, todas as revistas tinham tinham um equilíbrio entre a acção de Alana e Marko e as acções das restantes personagens que os perseguiam, e nesta revista o formato muda completamente. O que de certa forma não deixa de ser uma decisão corajosa, na medida em que estamos numa série de uma editora independente com personagens que conhecemos há pouco tempo
Nas últimas paginas percebemos que esta mudança é acertada e revela-se muito útil para o desenvolvimento desta saga.

Saga, é provavelmente uma das melhores séries a ser publicadas actualmente e por isso é “obrigatória” para qualquer pessoa que goste de Comics. Este ultimo número tem uma vantagem: pode ser lido sem grande conhecimento do que aconteceu anteriormente o que faz dele um bom começo para os mais desatentos.

Nota: 10 em 10.

Nelson Vidal

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Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

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