Ataque Implacável – A carta de amor ao VHS de Wingard/Barrett
Adam Wingard e Simon Barrett estão de volta para uma carta de amor ao cinema de género, juntando várias inspirações para um resultado altamente alucinante, com Ataque Implacável.
Adam Wingard e Simon Barrett são, há mais de uma década, uma dupla com um repertório bastante invejável. Desde as suas colaborações nas antologias V/H/S até às longas-metragens memoráveis que realizaram ao longo dos anos, como You’re Next e The Guest, foi com Blair Witch, em 2016, que os dois colaboradores consolidaram o seu estatuto no universo do terror independente. Wingard acabaria por se aventurar em produções de maior orçamento, tendo trazido de volta o seu velho amigo para a sequela Godzilla x Kong: O Novo Império. As saudades de um tempo mais simples – e de orçamentos mais limitados – parecem ter ressurgido em ambos com a estreia de Ataque Implacável.

Uma mãe desesperada vs. três super soldados
Quando uma experiência científica, algures no deserto norte-americano, corre mal e resulta na criação de três super-soldados que escapam, cabe a Celeste (Adria Arjona), uma ex-militar, proteger a sua família e sobreviver à violência que se abate sobre um parque de campismo isolado. Ao mesmo tempo, Cyrus (Drew Starkey) é um agente de uma agência secreta enviado para eliminar o caos causado pelo incidente.
Estamos perante um filme que prospera graças ao revivalismo da era dourada dos videoclubes, quando a capa e a contracapa de um VHS decidiam se o filme vinha ou não para casa. Ataque Implacável contém tudo aquilo que amamos nos filmes das décadas de 1980 e 1990, reunido num pacote único e impulsionado por uma teoria da conspiração atual. Todas as comparações com filmes como Soldado Universal, Assalto à 13.ª Esquadra e as muitas produções de série B são perfeitamente válidas e constituem um ponto de partida adequado para compreender a inspiração de um filme repleto de surpresas agradáveis para os fãs do género.

Wingard/Barrett como nunca os vimos
Wingard e Barrett parecem divertir-se com este regresso ao cinema independente, usufruindo de uma liberdade criativa diferente. Talvez seja uma espécie de limpeza do palato depois de terem trabalhado juntos num filme de grande orçamento, em que as exigências são outras e o ambiente é muito mais controlado. Pelo menos aqui, tudo pode acontecer na criação do seu próprio filme de culto. Ambos trazem alguns elementos dessa experiência para um ambiente mais contido, com um resultado final polido, mas não excessivamente.
Ainda que esse seja o intuito, o filme oferece também uma forte interpretação de Arjona, que dá vida a uma protagonista capaz de combinar a dureza militar com a vulnerabilidade familiar. A atriz confere força a um arquétipo do género que muitos cresceram a ver na televisão. A banda sonora, da autoria de Matt Pusti, acompanha todo o suspense e a ação, criando momentos de elevada tensão.

Assim, Ataque Implacável é um dos grandes filmes de género do ano, com uma proposta intensa e altamente satisfatória. Poderá também ser um dos mais interessantes regressos ao cinema de uma dupla que nunca teve receio de experimentar na criação e produção de filmes inspirados pelas obras que a marcaram. Talvez este seja, afinal, a sua derradeira carta de amor a esta era do cinema.
Nota Final: 8/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
