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Análise | Marvel’s Wolverine: Garras afiadas, mas sem o impacto esperado

Marvel’s Wolverine traz Logan para a PS5 numa aventura linear, brutal e cinematográfica, mas a Insomniac nem sempre consegue transformar as suas melhores ideias num grande jogo.

Marvel’s Wolverine

Jogo: Marvel’s Wolverine
Disponível para: PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Insomniac
Editora: Sony Interactive Entertainment

Marvel’s Wolverine

Há uma ironia interessante em Marvel’s Wolverine. Depois de anos a construir mundos abertos com Spider Man, a Insomniac decide fechar portas, apertar corredores e apostar numa experiência de ação mais próxima de Uncharted ou da trilogia original de God of War. Parece a escolha certa para Wolverine. Logan não precisa de outro mapa gigante cheio de atividades repetidas, precisa de impacto, violência e de uma história capaz de explorar aquilo que o torna mais do que um homem com garras.

A aventura acompanha Logan décadas depois de ter integrado a Team X, ao lado de Mystique e Sabretooth, quando uma investigação relacionada com Bolivar Trask revela uma conspiração contra os mutantes. A narrativa coloca perseguição, discurso de ódio e segregação no centro do conflito. Através de mutantes capturados e transportados como prisioneiros, o jogo cria paralelos claros com fenómenos de exclusão presentes no mundo real.

É no Logan de Liam McIntyre que a campanha encontra o seu melhor argumento. A interpretação equilibra a agressividade do Wolverine com uma vulnerabilidade bem visível nos momentos mais silenciosos. A postura curvada de Logan quando está longe do combate funciona como extensão visual do trauma que carrega. Jean Grey, interpretada por Krizia Bajos, assume também um papel central e a relação entre ambos é tratada como um romance trágico, carregado de tensão e dor.

Marvel’s Wolverine

O problema está na forma como a história se movimenta. A viagem por Madripoor, Japão e outros cenários permite mudanças visuais interessantes, mas a estrutura narrativa sofre com um ritmo irregular. Grandes acontecimentos ficam muitas vezes reservados para cutscenes, enquanto o jogador passa demasiado tempo a repetir tarefas semelhantes. Mystique, Sabretooth e Nathaniel Essex têm presença suficiente para serem memoráveis, mas poucos secundários recebem desenvolvimento.

Quando as garras começam a trabalhar, porém, Marvel’s Wolverine ganha outra energia. Os ataques com Quadrado e Triângulo são responsivos, os parries têm impacto e o salto para atingir inimigos à distância ajuda a manter o combate em movimento. A barra de Rage recompensa uma postura ofensiva, permitindo golpes críticos e finalizações mais violentas. A regeneração de vida também combina bem com a fantasia do personagem, eliminando a necessidade de procurar itens de cura durante cada confronto.

Marvel’s Wolverine

E sim, este é um Wolverine extremamente gráfico. Braços decepados, facadas no maxilar, golpes na coluna e cortes no peito deixam pouco espaço para dúvidas sobre a classificação etária. As execuções conjuntas com Jean ou Sabretooth vendem bem a sensação de estarmos a controlar uma máquina de guerra com consciência própria.

Só que o combate não evolui ao mesmo ritmo que a campanha. A árvore de habilidades desbloqueia cedo grande parte das ferramentas importantes e, a partir da segunda metade, os confrontos começam a repetir a mesma fórmula. Novos inimigos, como as forças de Trask e a Hand, introduzem algumas variações, mas muitas arenas continuam a ser corredores que desembocam em espaços planos, com inimigos corpo a corpo no centro e atiradores nas plataformas superiores.

Os bosses são igualmente irregulares. Omega Red aproveita bem os parries, enquanto o confronto contra o Sentinel parece preso a uma estrutura antiquada. Em contraste, alguns momentos especiais funcionam muito melhor, sobretudo a luta em que Logan combate enquanto recupera a visão e as perseguições de mota pelos telhados de Tóquio. São sequências que mostram aquilo que o jogo poderia ter feito mais vezes.

Fora do caminho principal, as garrafas de whisky desbloqueiam memórias sobre o passado de Logan, os recursos permitem personalizar fatos e garras inspirados nos comics e os Nightmare Trials acrescentam uma pequena camada roguelike. Ainda assim, a exploração é bastante guiada e alguns puzzles chegam a roçar o automatismo, com Logan a resolver sozinho enigmas que deveriam envolver o jogador.

Marvel’s Wolverine

Marvel’s Wolverine é uma produção tecnicamente competente, visualmente impressionante e com uma interpretação forte, mas fica preso entre a ambição narrativa e uma jogabilidade que não evolui o suficiente. A decisão de abandonar o mundo aberto é acertada, mas a linearidade só funciona quando existe variedade para a justificar.

Com uma campanha de cerca de 15 a 18 horas, o jogo sabe quando terminar, mas algumas ideias poderiam ter sido aprofundadas. Não é o salto que Spider Man representou para a Insomniac, nem uma reinvenção definitiva do Wolverine nos videojogos. É uma aventura competente, brutal e cheia de bons momentos, mas demasiado segura para deixar uma marca verdadeiramente duradoura.

Nota: 6,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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