Central Comics

Banda Desenhada, Cinema, Animação, TV, Videojogos

Jogos: Análise – Labyrinth City: Pierre The Maze Detective

Todos nos lembramos das horas que passamos a brincar com os livros lendários do Wally, série da autoria de Martin Handford, muito popular em Portugal nos anos 80 e princípios dos anos 90. Descobrir a personagem com óculos foi um dos passatempos mais divertidos da minha infância. Numa abordagem muito semelhante, encontramos as aventuras de Pierre, um pequeno detetive imaginado pela mente de Hiro Kamigaki. Através de fantásticas ilustrações repletas de detalhe, chega agora a adaptação para o mundo dos videojogos, numa série de níveis cheios de cor e vivacidade.

A ideia por detrás de Labyrinth City: Pierre the Maze Detective é simples: o jogador tem de atravessar desenhos impressionantes à medida que persegue o misterioso Sr. X, um vilão que consegue escapar sempre quando estamos prestes a apanhá-lo e que nos fará percorrer todo o tipo de cenários, acompanhados pela nossa inseparável Carmen. Existem jogos que conquistam imediatamente pelo grafismo e aqui temos um exemplo perfeito. O nível de detalhe em cada um dos níveis que compõem o jogo é inacreditável, sendo recorrente ficarmos a olhar para todas as situações animadas dos desenhos, com momentos verdadeiramente surreais. Temos diversos ambientes, como um museu, a mansão de um vampiro, uma floresta ou um cais à beira-mar. Obviamente, cada ambiente possui elementos temáticos, sendo que podemos deparar-nos com estátuas que ganham vida ou fantasmas que surgem no nosso caminho. Na verdade, todos têm as suas particularidades e podemos imaginar como chegaram a essa situação.

Embora não possamos contemplar toda esta arte a partir de um ponto de vista muito distante, é possível chegar a diferentes pontos de referência de modo a que a câmara se afaste e nos mostre tudo o que acontece. E os acontecimentos decorrem sempre com uma toada humorística, deixando os jogadores com um sorriso no rosto. Nesse sentido, as piadas são recorrentes. Há personagens que aparecem em praticamente todos os níveis e que, para além de os seus diálogos serem semelhantes, criam aquela ilusão de encontrá-los novamente. Um ninja que acredita que ninguém pode vê-lo quando está bem à vista, um casal apaixonado em lua de mel ou um cantor que recita os seus próprios sonetos são vários exemplos.

A aventura de Pierre, o incansável e mudo detetive, tem como finalidade deter os diabólicos planos do nosso vilão. Apesar do nome do jogo conter a palavra labirinto, a realidade é que não é bem esse o caso. Labyrinth City: Pierre the Maze Detective pode ser encarado mais como um passeio. O caminho que devemos percorrer é sempre claro e é praticamente impossível perdermo-nos. Além disso, existem mágicos que nos mostram a direção correta através de setas, para lá de todas as indicações já existentes nos níveis. Ir do ponto A ao ponto B, do ponto B ao C e assim sucessivamente diante em caminhos aonde pouco podemos fazer. A interação com o cenário limita-se a alguns diálogos ou pequenas sequências em que ativamos um evento. A conclusão de cada um dos dez níveis pode demorar aproximadamente meia hora ou quarenta minutos.

Labyrinth City: Pierre the Maze Detective é um título cujo principal cartão de visita é a sua incomparável arte visual. É raro encontrar obras com essas características, que animam dezenas de personagens em ilustrações cheias de humor. No entanto, a ausência de um desafio ou de um problema que nos coloque dificuldades deixa um amargo de boca. O jogo torna-se mais apelativo para públicos mais jovens, que encontrarão uma agradável aventura para ver, ouvir e descobrir todo o tipo de situações. Ainda assim, quem procurar uma experiência de jogo mais sensorial tem aqui um videojogo no qual não se arrependerá de passar umas horas divertidas e bem-dispostas.

Classificação: 7/10

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.