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Análise jogos: Chained Echoes

Atenção fãs de JRGP: o Central Comics acabou de testar Chained Echoes, o melhor jogo que vocês não conheciam.

Chained Echoes

Sinopse de Chained Echoes

Matthias Linda desenvolveu Chained Echoes sozinho como seu projeto de paixão, distribuído pela Deck13. Chained Echoes é um JRPG clássico com uma profunda história a desenrolar-se em Valandis, uma terra assolada por uma guerra civil entre três reinos, onde a magia é tão corriqueira quanto a tecnologia. Ao assumirmos o controlo de um eclético grupo de personagens para tentar pôr termo ao conflito, percorremos diversos biomas e enfrentamos uma infinidade de inimigos que temos de derrotar com recurso aos nossos poderes ou à força bruta dos nossos mechs.

Análise de Chained Echoes

Confesso que o género JRPG não é o meu favorito, mas isso não me impediu de desfrutar de Chained Echoes e de reconhecer um grande jogo quando com ele deparado.

Sou da opinião de que os JRPG raramente conseguem inovar na jogabilidade e rapidamente me aborreço, especialmente porque acabam por depender da história que, quase invariavelmente, se torna uma cópia maquilhada das demais. Não é o caso de Chained Echos. Estamos perante uma história bem contada e bem escrita, com a capacidade de nos envolver no enredo e de nos fazer investir nos personagens. Só por aqui, Chained Echoes, ou mais especificamente, Matthias Linda, já merecia distintos louvores.

Mas o rapaz não se ficou por aqui e decidiu apresentar-nos um JRPG que sobe a fasquia para o vasto oceano de um género que transborda de títulos com todas as dimensões, feitios e orçamentos. A jogabilidade é outro departamento em que Chained Echoes apresenta inovações, com inúmeros e diversos inimigos que podemos enfrentar, um enorme mundo para explorar (embora com alguma redundância, verdade seja dita) e uma mecânica de combate por turnos em grupos frente a frente, mas com uma barra de esforço que nos obriga a pensar estrategicamente em vez de atacar continuamente de modo a não termos penalizações e aproveitarmos os nossos ataques ao máximo. Decidi incluir jogabilidade e história/escrita no mesmo paragrafo precisamente porque se complementam mutuamente, representando outro ponto extremamente positivo para Chained Echoes.

No que se refere a gráficos e som, não seria exagerado classificar Chained Echoes como uma obra de arte. O estilo pixelizado dos gráficos remete nostalgicamente para os JRPG clássicos da era dourada da SNES e dos 16 bit. Já a banda sonora delicia-nos com uma majestosa orquestra que nos transporta diretamente para o coração de Valandis, num mundo de magia e aventura.

+++

História, escrita, gráficos e som são irrepreensíveis neste título, mas diria que o próprio jogo e a forma como todos os elementos se compõem é o próprio ponto mais positivo a destacar. Já referi que JRPG está longe de ser o meu género de eleição — considerando isto, Chained Echoes é uma bem necessária lufada de ar fresco na sua categoria.

Como é óbvio, nada neste mundo dos videojogos é perfeito, e Chained Echoes não é exceção. Existem alguns problemas de equilíbrio dentro do jogo, sendo que alguns personagens rapidamente se tornam praticamente irrelevantes, descurando assim o aspeto de variabilidade tática. O mesmo acontece com a exploração — se bem que existe um vasto mundo a ser explorado, as razões e a motivação para o fazer acabam por se extinguir.

Embora não tenha terminado o jogo (nem de perto!) pessoalmente, a comunidade de gamers que segue o jogo, apesar de o adorar e quase colocar num pedestal, refere que a parte final da história parece um pouco escrita à pressa e perde algum do seu encanto. Não podendo confirmar esta última opinião, pensei que também seria importante incluí-la.

Classificação: 8/10

Estamos perante um título que seguramente se vai tornar um clássico de referência e dificilmente será igualado na sua categoria durante os próximos tempos, com muitos fãs a equipararem este jogo a clássicos de culto como Chrono Trigger ou Final Fantasy. No entanto, não me sinto confortável em atribuir uma nota mais elevada a Chained Echoes porque, se o fizesse, como teria então de classificar os principais RPG de referência como, por exemplo, Elden Ring? Fosse esta uma análise exclusiva da categoria de JRPG, merecia mais um pontinho e picos.

Com 30 a 40 horas de conteúdo anunciadas, mas com uma média de 50 a 60 para quem termina realmente o jogo, o preço de 24,99 € parece-me adequado.

Para terminar, fica a dica indispensável: quem é que não estaria disposto a dar tudo para ter poderes mágicos? Simples: quem tem uma Sky Armor à sua disposição!

Plataforma testada: PC

Trailer de Chained Echoes:

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