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Análise | Graveyard Keeper 2: Um cozy sim onde os mortos dão muito trabalho

Graveyard Keeper 2 expande o simulador de cemitério com automação, combate e zombies, mas tropeça em bugs e sistemas pouco flexíveis.

Graveyard Keeper 2
Jogo: Graveyard Keeper 2
Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Lazy Bear Games
Editora: tinyBuild

Graveyard Keeper 2
O que torna Graveyard Keeper 2 imediatamente interessante é continuar a tratar o macabro como se fosse normal. Preparar cadáveres, retirar pele, ossos, dentes, corações ou medula, transformar restos em recursos e usar tudo para fabricar objetos, poções ou melhorar plantações continua a ser a piada central. É uma mistura improvável de life sim, gestão e humor negro que funciona porque o jogo nunca tenta fingir que administrar um cemitério medieval é uma actividade respeitável.

A escala aumentou bastante. O mapa é maior, a cidade ganhou um papel central e, além do cemitério, do templo e da mansão do Inquisidor, temos laboratório, zonas infestadas e uma base em ruínas. A história começa com o protagonista preso numa masmorra, oito anos depois dos acontecimentos anteriores, e introduz Larry, o crânio falante que ocupa o lugar de Gerry. A ideia de que a alma do Keeper foi dividida em duas, ficando a outra metade ligada à origem da praga zombie, dá ao argumento um mistério competente.

O humor continua a ser uma das armas do jogo. O elenco passa a ter voz completa, embora seja possível recuperar as vozes mais próximas dos murmúrios retro do original, e o guião aposta no absurdo, em referências pop e em personagens estranhas. Nem todas as piadas acertam, mas existe personalidade suficiente para manter o mundo divertido.

Graveyard Keeper 2

É na progressão que Graveyard Keeper 2 mais cresce. Os três tipos de experiência, vermelha para trabalho físico e produção, verde para agricultura e natureza, azul para autópsias, túmulos e alquimia, tornam o desenvolvimento mais legível. As Inspiration Quests acrescentam perks, enquanto as cadeias de missões ligam actividades que pareciam desconectadas. A automação também sobe de nível. Os zombies chegam mais cedo, assumem tarefas e, mais tarde, entram em linhas de produção com máquinas, transportadores e baterias undead. É aqui que a sequela encontra identidade própria.

O combate e a reconquista dos distritos são outra grande novidade. Em dias específicos, podemos recuperar zonas ocupadas por zombies, colocando tropas, construindo barricadas e torres e equipando soldados. Podemos recorrer a mercenários ou criar um exército de mortos vivos, e a ideia de transformar zonas libertadas em fontes de recursos através dos Looters encaixa bem no ciclo de gestão.

Graveyard Keeper 2

Ainda assim, o jogo tropeça quando precisa de simplificar a própria complexidade. Mover zombies para os quartéis exige trabalho manual, não existe uma gestão centralizada convincente do exército e a troca de equipamento pode tornar-se irritante. Há também bloqueios de progressão demasiado artificiais, requisitos de equipamento impostos pelo sistema e horários de NPCs que obrigam a esperar pelo dia certo. Para um jogo que quer ser mais fluido, são fricções desnecessárias.

E depois existem os problemas técnicos. Zombies que congelam durante o transporte, tropas presas na geometria durante combates e falhas no progresso das árvores tecnológicas prejudicam uma experiência construída à volta da automação.

Graveyard Keeper 2

Graveyard Keeper 2 entende muito bem aquilo que tornava o original especial, mas nem sempre sabe onde parar. O casamento entre cozy sim e gestão macabra continua excelente, a automação é viciante e a expansão do mapa dá mais espaço para experimentar. Falta uma camada social mais rica e alguma disciplina no desenho da progressão. Quando tudo encaixa, é difícil largar. Quando os sistemas começam a bloquear-se uns nos outros, o encanto desaparece depressa.

Nota: 7/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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