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Análise | Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered – Um clássico com algumas rugas

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered recupera um clássico do Musou, mas a nostalgia e o desempenho no Switch 2 ficam aquém.

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered

Jogo: Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Plataforma testada:  Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Koei Tecmo, Omega Force
Editora: Koei Tecmo

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered

Há algo de estranho em regressar a Dynasty Warriors 3 em 2026. O jogo que ajudou a definir o Musou regressa reconstruído em Unreal Engine 5, mas traz consigo a simplicidade que o tornou especial e limitações difíceis de ignorar. Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered é uma viagem nostálgica, mas não consegue transformar uma experiência indispensável.

Esta Complete Edition junta Dynasty Warriors 3, lançado originalmente em 2001, à expansão Xtreme Legends, oferecendo 42 oficiais jogáveis, campanhas próprias no Musou Mode, armas para desbloquear e uma progressão simples que atravessa diferentes modos. As campanhas rondam as duas horas e mantêm uma estrutura mais aberta, onde somos nós a decidir como atravessar os mapas até ao líder inimigo. É uma abordagem menos cinematográfica e mais livre, dependente de pequenos apontamentos de lore antes das batalhas, e essa simplicidade acaba por ser uma das suas maiores qualidades.

Free Mode permite levar qualquer personagem desbloqueada para qualquer mapa, enquanto o Challenge Mode oferece um espaço para testar a técnica fora das campanhas. A integração do sistema de Bodyguards também acrescenta algum investimento à progressão, com equipamento, ordens de combate e até ataques Musou combinados. E depois há o multiplayer local, com cooperação em ecrã dividido disponível a partir do ecrã de preparação e um modo VS dedicado. Para quem cresceu com a série, é fácil perceber porque esta estrutura continua a ter charme.

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered

No combate, Omega Force preservou deliberadamente o ritmo pesado do original. Cada golpe exige compromisso, e inimigos comuns conseguem interromper ataques durante confrontos mais apertados. A grande diferença está nas novas ferramentas, como esquiva direcional, bloqueio e contra ataques, que tornam o sistema mais dinâmico sem destruir a identidade do jogo. O sistema simples de fusão de armas também permite transportar alguns bónus para equipamento superior. Quem preferir autenticidade pode desligar estas novidades e recuperar o controlo clássico de 2001, uma opção que os puristas vão agradecer.

Visualmente, o salto  é enorme. Personagens e cenários foram reconstruídos de raiz em Unreal Engine 5, com mais polígonos e detalhe, mas sem abandonar os desenhos e animações originais. As FMV continuam intactas e, felizmente, também regressa a histórica voz inglesa, tão exagerada quanto memorável. A banda sonora original completa o pacote com a mesma energia de sempre.

O problema surge quando olhamos para a parte técnica. O jogo mantém dezenas de inimigos no ecrã, mas continua a apresentar modelos distantes com resolução baixa e contornos pouco definidos. No Switch 2, a situação agrava-se, com uma taxa de fotogramas variável entre 30 e 60 fps que se nota demasiado nas batalhas maiores. Mesmo com uma resolução alvo de 1440p no modo dock e uma imagem 1080p redimensionada no portátil, há texturas desfocadas que, por momentos, fazem este remaster parecer demasiado próximo do passado que tenta recriar. A possibilidade de futuros modos focados em gráficos ou desempenho poderá ajudar, mas nesta versão a inconsistência sente-se.

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered

Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered percebe o valor do seu legado e sabe preservá-lo, mas também revela que nem tudo o que era divertido em 2001 envelheceu da mesma forma. É um Musou honesto, cheio de personalidade e perfeito para quem sente saudades da era PS2, mas as limitações técnicas e algumas arestas do design impedem-no de ser mais do que uma viagem agradável à memória.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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