Central Comics

Notícias, críticas e novidades de banda desenhada, cinema, séries, animação, videojogos e cultura geek desde 2001.

Análise | RuneScape: Dragonwilds: Como reinventar-se 101

RuneScape: Dragonwilds leva a clássica fórmula de RuneScape para um survival RPG ambicioso, com exploração, crafting e combates exigentes.

RuneScape: Dragonwilds

Jogo: RuneScape: Dragonwilds
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Jagex Ltd
Editora: Jagex Ltd

RuneScape: Dragonwilds
Há algo de curioso em RuneScape: Dragonwilds. Para quem cresceu com RuneScape ou Old School RuneScape, a ideia de transformar este universo num survival crafting de ação pode parecer quase herética. No entanto, é precisamente nessa mudança de direção que o jogo encontra a sua identidade, misturando ADN de MMO com referências a Valheim, Breath of the Wild e Dune: Awakening.

A aventura leva-nos até Ashenfall, um continente perdido de Gielinor, onde uma expedição é destruída por um ataque de dragões. Depois de um pedido de socorro enviado pelo Wise Old Man, criamos a nossa personagem e partimos sem equipamento para um território hostil, dominado pela Queen Kuldra, o temível dragão de cinco cabeças conhecido como The Godeater. A narrativa não tenta ser o centro da experiência, preferindo deixar espaço para a exploração e para pequenas descobertas através de NPCs, diários e ruínas espalhadas pelo mapa.

É no sistema de progressão que Dragonwilds mais claramente demonstra as suas raízes. Não existem árvores de talentos tradicionais nem pontos de habilidade para distribuir. Em vez disso, subir de nível depende daquilo que fazemos, seja combater, cortar árvores, pescar, construir ou lançar feitiços. É uma filosofia muito RuneScape, mas adaptada a uma estrutura survival, e funciona surpreendentemente bem, sobretudo porque cada evolução traz melhorias permanentes e novas capacidades.

RuneScape: Dragonwilds

A exploração também foge ao modelo totalmente aberto de Breath of the Wild. Ashenfall está desenhada com uma lógica quase Metroidvania, obrigando-nos a regressar a zonas anteriores com ferramentas superiores para recolher recursos antes inacessíveis. Isto cria um ciclo de descoberta bastante satisfatório, embora algumas missões e requisitos de crafting sejam pouco claros, obrigando a recorrer ao wiki ou à própria comunidade.

Construir a nossa base é outro dos pontos fortes. Podemos instalar-nos praticamente onde quisermos, criar bancadas, cozinhar, produzir equipamento e até preparar postos avançados para facilitar os regressos após a morte. E convém fazê-lo, porque o combate é exigente. O sistema aproxima-se dos Soulslike, com ataques, parries, esquivas, arco e magia, enquanto a morte obriga a recuperar todo o inventário perdido, o que pode transformar uma simples viagem num exercício de sobrevivência.

Visualmente, a mistura entre o low poly característico de RuneScape e os efeitos de iluminação do Unreal Engine 5 resulta melhor do que poderia parecer no papel. A banda sonora e o design sonoro reforçam a atmosfera, incluindo pequenos acenos ao RuneScape clássico.

RuneScape: Dragonwilds

RuneScape: Dragonwilds não é uma simples adaptação de RuneScape para outro género. É uma aposta arriscada que encontra bons argumentos na progressão, exploração, construção e cooperação, mesmo tropeçando em algumas decisões de interface e acessibilidade. Para quem procura um survival com identidade própria e uma dose generosa de nostalgia RuneScape, há aqui uma aventura que merece atenção.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights