Análise | The Walking Dead: Streets of Survival – Uma guerra que não acerta no alvo
The Walking Dead: Streets of Survival tenta juntar beat ’em up e survival horror no mesmo jogo, mas tropeça nos próprios sistemas.
Jogo: The Walking Dead: Streets of Survival
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Odaclick Game Studio
Editora: Trailmark Games

The Walking Dead já atravessou praticamente todos os géneros possíveis nos videojogos, mas poucos pareciam tão naturais para este universo como um beat ’em up. The Walking Dead: Streets of Survival percebe isso e aposta num estilo pixel art, combates corpo a corpo e sobrevivência, colocando Rick, Daryl e Michonne no centro da guerra contra Negan. O problema é que a ambição de misturar dois géneros acaba por criar uma experiência demasiado irregular.
A história decorre durante as temporadas 7 e 8 da série da AMC, recuperando a Guerra contra os Salvadores e alguns dos momentos mais marcantes desta fase. Para quem acompanha a série, reconhecer Alexandria, Hilltop, Sanctuary ou objetos como a carta de Carl para Negan funciona como uma recompensa simpática. Para quem chega de fora, porém, a narrativa é pouco convidativa, com paredes de texto, alguns excertos de voz bastante comprimidos e uma exposição que raramente consegue contar uma história com verdadeiro impacto.
A base do combate é familiar, ataques leves, pontapés pesados, esquivas e habilidades especiais alimentadas por adrenalina. Cada personagem tem a sua identidade, com Daryl mais versátil, Michonne focada no alcance e nos críticos, e Rick dependente da gestão de munição. O problema está na rigidez. Não é possível cancelar ataques, mudar de direção a meio de um combo ou responder rapidamente a determinadas situações, o que transforma muitos confrontos numa luta contra os próprios controlos.
É aqui que entra a componente de survival horror, com recursos limitados, exploração, códigos, salas escondidas e um sistema de cura que exige ficar completamente parado enquanto se aplica um medkit. A ideia é interessante, mas nem sempre funciona em conjunto com a estrutura de beat ’em up. As armas de fogo sofrem com um sistema de mira pouco fiável, os inimigos à distância acertam de forma demasiado precisa e algumas hitboxes parecem maiores do que deviam.
O segundo nível é particularmente revelador. Winslow, um walker praticamente indestrutível, pode matar o jogador com um único contacto e surge de forma pouco justa durante a progressão pelo cenário. É um pico de dificuldade estranho, sobretudo porque os níveis seguintes acabam por ser mais acessíveis. Sem cooperativo, uma das grandes forças históricas deste género desaparece, deixando uma aventura de cerca de duas horas que depende demasiado do grind para prolongar a sua vida.
Visualmente, a combinação de sprites 2D super deformados com cenários 3D tem algum charme, embora a performance revele que a execução ficou aquém. Curiosamente, a banda sonora heavy metal é o elemento mais consistente de toda a experiência, com energia suficiente para fazer esquecer, por alguns momentos, os problemas técnicos e de design.
The Walking Dead: Streets of Survival tem uma boa ideia no papel, mas a mistura de géneros não encontra equilíbrio. Há sistemas interessantes, personagens reconhecíveis e uma apresentação com identidade, mas também demasiadas arestas, decisões frustrantes e limitações para um jogo tão curto. Para fãs muito dedicados da série, pode existir algum valor nostálgico. Como beat ’em up, porém, fica longe de atingir o potencial desta licença.
Nota: 5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.



