Análise | Sniper Dan: Onde está a sniper?
Sniper Dan mistura a fórmula de Onde Está o Wally com mecânicas de sniper num jogo caótico e viciante.
Jogo: Sniper Dan
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch
Desenvolvedor: Denki
Editora: PQube
Há jogos que não precisam de uma grande história, sistemas complexos ou dezenas de horas para nos surpreender e Sniper Dan faz exatamente isso. A premissa parece absurda, controlar um faz tudo que resolve problemas com uma espingarda de precisão, mas é essa simplicidade que acaba por dar personalidade à aventura. O conceito junta a fórmula de Onde Está o Wally com um jogo de objetos escondidos em primeira pessoa, criando uma experiência estranha, divertida e bastante mais viciante do que estava à espera.
Dan passa os dias numa torre, observando mapas repletos de personagens, animais e situações completamente disparatadas. Os objetivos aparecem em forma de pistas, como remover algas do motor de um barco ou mudar o canal de uma televisão através de uma janela, e cabe ao jogador perceber onde está o cenário certo e acertar no alvo. Parece simples, e é, mas existe uma satisfação genuína em finalmente encontrar aquele detalhe minúsculo escondido no meio da confusão.
O melhor de Sniper Dan está precisamente na forma como os níveis são construídos. Cidade, parque, aeroporto, porto ou zona rural, cada cenário está carregado de pequenas histórias secundárias que recompensam quem perde tempo a observar. Um elefante a passear, um grupo de guaxinins a conspirar ou um pato a pilotar um avião são apenas alguns dos disparates que podem acontecer diante da mira. A direção artística colorida, exagerada e cheia de personagens de olhos grandes funciona muito bem, porque torna o caos visual legível sem perder o humor.
Também gostei da progressão. Completar tarefas permite ganhar dinheiro e reputação, usados para desbloquear melhorias para a arma, novos visuais, decoração para o escritório e até sons alternativos para os disparos. Há algo de deliciosamente absurdo em trocar o som seco da arma por um simples “pew pew” de ficção científica. Os pequenos minijogos, como ténis, bowling e air hockey, ajudam a preencher os intervalos, embora não sejam propriamente uma razão para voltar.
O problema é que a fórmula começa a mostrar as suas limitações. A interação está quase sempre reduzida a disparar, e a visão através da mira pode tornar alguns momentos demasiado semelhantes. O sistema de pistas também podia ser mais generoso. Os três cupões disponíveis não são renovados por nível, e ficar sem ajudas pode transformar uma procura divertida numa caça frustrante, sobretudo quando já conhecemos bem o cenário mas continuamos sem encontrar o detalhe certo.
Ainda assim, Sniper Dan foi uma bela surpresa. Está longe de ser uma experiência perfeita e a repetição acaba por pesar, mas existe aqui uma identidade muito própria, um excelente sentido de humor e uma abordagem acessível que até funciona muito bem em sessões partilhadas no sofá. É daqueles jogos que começam como uma curiosidade e acabam por roubar mais tempo do que esperávamos.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




