Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition é de chorar e pedir por mais
Xenoblade Chronicles 2 regressa à Nintendo Switch 2 com melhorias gráficas e novo conteúdo.
Jogo: Xenoblade Chronicles 2 – Nintendo Switch 2 Edition
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Monolith Soft
Editora: Nintendo
Há jogos que ficam associados a uma consola. Para mim, Xenoblade Chronicles 2 é precisamente um desses casos. Foi um dos títulos que mais gostei de jogar na Nintendo Switch original, tornando-se facilmente num dos meus jogos favoritos do sistema e, naturalmente, numa das entradas da série Xenoblade que acompanho com mais carinho. Regressar a Alrest tantos anos depois, agora na Nintendo Switch 2, é por isso uma experiência particularmente especial.
E a primeira coisa que se nota é aquilo que sempre foi o maior problema desta aventura: a apresentação técnica. Xenoblade Chronicles 2 foi lançado no primeiro ano da Switch e sofreu bastante com as limitações do hardware, sobretudo no modo portátil. A imagem era frequentemente demasiado pixelizada, a resolução baixava de forma agressiva e explorar os enormes Titans podia transformar-se num exercício de esforço visual. Na Nintendo Switch 2, esse problema desaparece quase por completo.
Em modo dock, o jogo aponta para 4K a 60 fps, enquanto no modo portátil chega aos 1080p, também a 60 fps. A diferença é enorme, sobretudo quando regressamos à versão original para perceber o salto. A imagem está muito mais definida, as personagens ganham presença e as cutscenes beneficiam bastante da maior resolução. Existem alguns artefactos de upscaling, shimmering na vegetação, algum pop in e até pequenos problemas de filtragem, mas são falhas pontuais. Não estamos perante um remake visual, e algumas animações denunciam a idade do jogo, mas a apresentação é agora muito mais consistente.
O desempenho também recebe um tratamento muito necessário. Os 60 fps são o objetivo em ambos os modos, embora o sistema de V Sync possa bloquear temporariamente a 30 fps quando a consola não consegue manter a taxa pretendida. Existem alguns micro stutters, mas nada que comprometa uma aventura desta dimensão. Mais impressionante ainda são os tempos de carregamento, que passam de 13 segundos para o ecrã inicial e 17 segundos ao carregar uma gravação na Switch original para cerca de 10 e 9 segundos, respetivamente, na Switch 2.
Mas esta edição não se limita a limpar a imagem. O novo Merc Assault Mode permite controlar diretamente até seis Blades num sistema de combate em tempo real, funcionando como uma interessante variação ao sistema tradicional. A nova Blade MOMO, uma referência deliciosa para os fãs de Xenosaga, também chega acompanhada de uma missão exclusiva, enquanto Pyra e Mythra recebem novos fatos.
As melhorias de qualidade de vida são talvez ainda mais importantes. As Field Skills deixam de exigir que tenhamos uma Blade específica equipada, bastando possuí-la, os menus estão muito mais rápidos e responsivos, existe suporte para captura de vídeo e o HD Rumble ganhou maior utilização. É exactamente o tipo de modernização que Xenoblade Chronicles 2 precisava.
E depois existe o jogo em si, que continua excelente. A viagem de Rex e Pyra rumo a Elysium, atravessando os gigantescos Titans de Alrest, continua a ser acompanhada por um elenco memorável, um sistema de combate profundo e uma banda sonora fantástica liderada por Yasunori Mitsuda. A aprendizagem é lenta e a quantidade de sistemas pode assustar, mas quando tudo encaixa, Xenoblade Chronicles 2 transforma-se numa experiência viciante que facilmente ultrapassa as 70 horas.
Nem tudo envelheceu bem. O voice acting inglês continua irregular, com interpretações pouco naturais e sincronização labial problemática. Ainda assim, isso não apaga a força da aventura, nem o impacto emocional de vários dos seus momentos.
Xenoblade Chronicles 2 continua a ser um jogo especial para mim, e esta edição reforça essa sensação. Não é a remasterização perfeita, nem precisava de ser. É uma versão mais nítida, mais rápida, mais confortável e com conteúdo suficiente para justificar o regresso. Para quem nunca explorou Alrest, esta é claramente a melhor forma de o fazer. Para quem, como eu, guarda boas memórias da aventura original, voltar a Rex, Pyra, Mythra e companhia na Nintendo Switch 2 é uma viagem que continua a valer a pena.
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





