Jogos: Wanderstop (Nintendo Switch 2) – Análise
Wanderstop para Nintendo Switch 2 transforma o conceito de jogo cozy numa reflexão sobre burnout, sem abdicar de uma jogabilidade criativa e memorável.
Jogo: Wanderstop
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Ivy Road
Editora: Annapurna Interactive
Há jogos que nos desafiam pelos combates e outros pela estratégia. Wanderstop faz algo mais invulgar, desafia a nossa própria forma de jogar. O primeiro projeto da Ivy Road, liderada por Davey Wreden, conhecido por The Stanley Parable, pega na fórmula cozy e vira-a do avesso. Em vez de incentivar a produtividade constante, convida o jogador a abrandar, a respirar e a aceitar que nem sempre avançar significa fazer mais. É uma proposta arriscada, mas que resulta quase sempre.
Alta é uma guerreira consumida pela necessidade de vencer. Depois de uma sequência de derrotas, o corpo simplesmente cede e a protagonista desperta numa floresta mágica, onde Boro, um gigante de personalidade calorosa, gere uma casa de chá. O contraste entre os dois personagens funciona muito bem e serve de motor para uma narrativa que aborda burnout, pressão e identidade sem cair em moralismos fáceis.
A jogabilidade acompanha essa filosofia. Preparar chá não é um simples menu de receitas, é um processo físico, quase artesanal. É preciso subir escadas, controlar o fluxo de água, alimentar a fornalha e combinar ingredientes numa máquina peculiar. Este ciclo torna cada chá numa pequena tarefa prática e ajuda a criar uma ligação inesperada com o espaço e as suas rotinas.
O sistema de jardinagem também surpreende. As plantações recorrem a uma grelha hexagonal que recompensa a experimentação. Alinhar plantas ou criar formações triangulares produz híbridos diferentes, gerando frutos exclusivos para novas infusões. A isto junta-se um elenco de clientes excêntricos, cada um com gostos e estados de espírito específicos, obrigando a consultar o guia de receitas e ingredientes antes de servir a chávena ideal.
Na Nintendo Switch 2, Wanderstop apresenta um desempenho sólido. Os problemas técnicos registados noutras versões foram corrigidos e a experiência decorre de forma estável. Em contrapartida, existe um compromisso visual evidente. As texturas surgem menos definidas e alguns cenários perdem impacto, sobretudo quando a consola está ligada à televisão. O inventário também podia ser mais intuitivo, já que a necessidade de guardar manualmente cada objeto quebra o ritmo em momentos desnecessários.
Mesmo com essas limitações, Wanderstop destaca-se pela personalidade. Não procura agradar a todos nem seguir tendências, prefere construir uma mensagem coerente através das mecânicas e da narrativa. É um jogo que pede paciência e atenção, mas recompensa quem aceitar o seu ritmo.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





