Jogos: The Adventures of Elliot: The Millennium Tales – Análise
The Adventures of Elliot combina ação, exploração e viagens no tempo num RPG HD, 2D visualmente deslumbrante, mas limitado por repetição e pouca ambição.
Jogo: The Adventures of Elliot: The Millennium Tales
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Square Enix, Claytechworks, Team Asano
Editora: Square Enix
A Team Asano construiu a sua reputação com RPG por turnos, mas em The Adventures of Elliot decidiu mudar completamente de direção. O resultado é um action RPG claramente inspirado pelos clássicos The Legend of Zelda e pelos primeiros Mana, com exploração em perspetiva superior, combate em tempo real e uma apresentação HD, 2D que rapidamente se afirma como uma das mais impressionantes da Square Enix. A base está lá, é sólida, divertida e extremamente polida, mas também fica a sensação de que o jogo nunca consegue explorar todo o potencial das suas melhores ideias.
A aventura leva-nos até Philabieldia, onde a humanidade vive protegida dentro das muralhas do Reino de Huther, enquanto tribos de homens besta dominam o exterior. Quando antigas ruínas são descobertas, Elliot é enviado para investigar, mas rapidamente tudo se complica com a traição do conselheiro real, a abertura das Portas do Tempo e o misterioso congelamento da princesa Heuria. O problema é que a narrativa raramente acompanha o interesse da premissa. Elliot permanece exatamente igual do início ao fim, sempre otimista, sempre confiante, mesmo quando tudo à sua volta desaba. Os vilões são previsíveis e os temas ligados ao racismo ou à xenofobia acabam reduzidos a mensagens demasiado superficiais para deixarem impacto.
Já o combate consegue compensar muitas dessas fragilidades. Elliot movimenta-se com rapidez, responde de forma precisa aos comandos e cada arma possui uma identidade própria. A espada é equilibrada, o arco domina à distância, o bumerangue surpreende quando carregado, a lança controla inimigos maiores e o martelo serve tanto para esmagar adversários como para resolver pequenos puzzles. A ausência de uma esquiva dedicada obriga a dominar o escudo e o sistema de perfect guard, que acaba por ser um dos elementos mais satisfatórios das batalhas. Pena que o verdadeiro ritmo só apareça na reta final da campanha.
O sistema de Magicite tenta acrescentar personalização às armas através de modificadores que alteram ataques e atributos. Algumas combinações são criativas, como bombas que congelam inimigos ou correntes envolvidas em chamas, mas demasiados melhoramentos resumem-se a simples aumentos percentuais de dano. Ainda pior é a forma como estes são obtidos, através de um sistema aleatório que parece prolongar artificialmente a progressão.
Faie, a fada que acompanha Elliot, também representa uma boa ideia executada de forma inconsistente. As suas habilidades enriquecem exploração e resolução de puzzles, permitindo acelerar movimentos, criar clones, incendiar obstáculos ou até teleportar Elliot para locais inesperados. No entanto, interrompe constantemente a aventura com comentários desnecessários e algumas das suas capacidades chegam demasiado tarde para fazerem diferença.
O maior tropeço acaba por ser a mecânica de viagens no tempo. Apesar de existirem quatro eras distintas, todas utilizam exatamente o mesmo mapa, com alterações sobretudo visuais. Cidades, atalhos, masmorras e caminhos permanecem praticamente iguais, tornando inevitável a sensação de repetição. A necessidade de redescobrir pontos de viagem rápida em cada era só aumenta o desgaste. As masmorras principais também desapontam pela simplicidade, enquanto os pequenos templos opcionais conseguem oferecer desafios mais criativos e recompensas úteis.
Fora da campanha principal existem missões secundárias surpreendentemente bem escritas, especialmente aquelas que exploram as consequências das viagens temporais. Infelizmente, o verdadeiro final fica preso atrás de uma longa recolha de gatos espalhados pelas quatro eras, uma decisão que parece apenas acrescentar horas de jogo sem qualquer interesse mecânico.
Visualmente, The Adventures of Elliot é um espetáculo. O motor HD, 2D atinge aqui um novo patamar, com cenários ricos em detalhe, iluminação magnífica e animações cheias de personalidade, acompanhadas por uma banda sonora orquestral memorável. A dobragem oscila bastante de qualidade e alguns efeitos, como humanos a imitar miados de gatos, quebram completamente a imersão. Na Nintendo Switch 2, o desempenho é excelente em modo dock, embora o modo portátil apresente algumas quebras de fluidez durante combates mais intensos e surjam ocasionais bloqueios.
The Adventures of Elliot prova que a Team Asano sabe construir excelentes sistemas de combate e criar mundos visualmente irresistíveis. Falta-lhe, contudo, variedade estrutural, maior profundidade narrativa e coragem para desenvolver plenamente as ideias que apresenta. É um bom RPG de ação, divertido durante grande parte da aventura, mas fica sempre a sensação de que podia ter sido muito mais.
Nota: 8/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






