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Blade Runner RPG expandiu-se com Replicant Rebellion!

Estás numa vibe de beber whisky barato enquanto olhas para chuva pela janela numa paisagem cheia de neon, então o Blade Runner The Roleplaying Game é para ti!

A Free League lançou este RPG em 2022 e conseguiu algo que parecia quase impossível: transformar o universo de Blade Runner num RPG de mesa que realmente parece Blade Runner. Não é só estética. Não é apenas meter synthwave, gabardines e pessoas deprimidas a fumar em becos escuros. O jogo percebe o ADN da licença.

Blade Runner The Roleplaying Game

Então afinal o que é Blade Runner RPG?

Este RPG leva-nos para Los Angeles em 2037, um mundo futurista onde corporações mandam mais do que governos, humanos vivem esmagados pelo sistema e Replicants continuam a ser tratados como ferramentas descartáveis. Ou seja, basicamente uma terça-feira normal, mas com mais néon.

Ao contrário de muitos RPGs focados em combate constante ou fantasia épica, aqui o centro da experiência é investigação, tensão emocional e escolhas morais desconfortáveis. Por isso não há os chamados “bons da fita”, mas sim pessoas que querem (sobre)viver.

O sistema usa uma versão adaptada do famoso Year Zero Engine, já usado em jogos como ALIEN RPG e Tales from the Loop. Mas aqui está mais refinado para criar investigações cinematográficas. E sinceramente para mim funciona muito bem.

As Case Files são o coração do jogo. Em vez de campanhas tradicionais, temos investigações cheias de pistas, suspeitos, reviravoltas e aquele clássico momento em que olho para as minhas notas e percebo que afinal o suspeito provavelmente sou eu. 🙂

O Starter Set faz um excelente trabalho a introduzir o ambiente e as mecânicas, enquanto o Core Rulebook aprofunda brutalmente o universo. Tem criação de personagens, regras expandidas, ferramentas para Game Runners e toneladas de lore sobre esta versão decadente do futuro.

E uma coisa que adoro: o jogo não obriga ninguém a ser apenas Blade Runner polícia tradicional. Posso explorar corrupção, conspirações corporativas, crises de identidade e questões filosóficas sobre humanidade sem parecer que estou numa aula de filosofia de secundário apresentada por um holograma cheio de glitches.

Blade Runner The Roleplaying Game

Tudo respira Blade Runner.

A arte sem ser deslumbrante é boa. Martin Grip e a sua equipa faz um trabalho muito competente nas ilustrações pois cada página parece saída diretamente de um filme cyberpunk premium. O layout ajuda imenso na imersão e até os pequenos detalhes gráficos vendem a ilusão de que estou realmente em 2037. 

A escrita também merece destaque. O mundo é descrito com detalhe suficiente para inspirar sessões inteiras sem cair no erro de despejar enciclopédias intermináveis em cima do jogador.

E depois há a música. Não oficialmente incluída claro… mas sejamos honestos: ninguém joga isto sem meter uma playlist de synth noir atmosférico durante quatro horas. Mas pensando bem, eles bem que podiam criar uma banda sonora oficial, ou pelo menos uma playlist jeitosa no Spotify, para metermos a tocar enquanto jogamos. Fica a dica.

Blade Runner The Roleplaying Game

O sistema é elegante… mas nem sempre leve

O sistema é bastante bom para investigação narrativa, mas por vezes pode parecer demasiado procedimental. Há momentos em que quase sinto que estou a preencher papelada burocrática cyberpunk em vez de jogar. 

As investigações exigem Game Runners atentos e jogadores envolvidos. Como disse lá em cima, este não é um RPG ideal para grupos que querem apenas combate constante e loot. Se alguém aparecer à mesa à espera de um dungeon crawler futurista, vai provavelmente ficar desapontado ao fim de vinte minutos e meia dúzia de crises existenciais.

Também existe alguma complexidade nas regras iniciais. Nada absurdo, mas o jogo pede investimento e concentração. Felizmente, depois de entrar no ritmo, tudo flui bastante bem.

E podes contar com um jogo que lida com stress, humanidade e moralidade. O tom melancólico e filosófico dos filmes está lá mas não faz com que se perca a componente divertida da coisa.

Blade Runner The Roleplaying Game

Replicant Rebellion

A nova expansão Replicant Rebellion, lançada a 26 de maio, refresca bastante a perspetiva do jogo e honestamente… era exatamente aquilo que precisava.

Em vez de jogar apenas como agentes ligados ao sistema, aqui entramos no submundo da resistência Replicant. Somos membros do Replicant Underground, uma rede clandestina que luta para sobreviver nas sombras de Los Angeles.

Agora a tensão não vem apenas de resolver casos. Vem de tentar sobreviver enquanto Wallace Corporation, Blade Runners e praticamente metade da cidade querem ver-nos mortos ou desmontados para peças.

Portanto, a expansão traz cinco operações que podem funcionar isoladamente ou ligadas numa campanha maior. Também adiciona novos arquétipos, especializações, equipamento e regras de Heat para medir o quão “quente” está a nossa situação perante as autoridades. Basicamente: quanto mais confusão causamos, mais rapidamente alguém aparece para nos estragar o dia.

O mais interessante é que a expansão reforça a ambiguidade moral do universo. Nem todos os humanos são monstros. Nem todos os Replicants são inocentes. Há alianças improváveis, traições e muitos momentos em que me pergunto quem é realmente “humano” nesta história. E isso é Blade Runner puro.

Curiosamente o livro desta expansão, que conta com um design incrível, tem bastante menos ilustrações, e, apesar da arte ser liderada na mesma por Martin Grip, tem bem mais outros artistas na equipa o estilo de arte é por isso, ligeiramente diferente. Nada contra, até porque se calhar gosto mais, tem é bastante menos ilustrações.

Blade Runner The Roleplaying Game

Veredito Final

O Blade Runner RPG não é um jogo para toda a gente. É um RPG lento, atmosférico, emocional e muito focado em narrativa e investigação. Exige envolvimento dos jogadores e um Game Runner disposto a trabalhar tensão e ambiente.

Não me entrou à primeira, mas depois achei-o absolutamente brilhante.

Poucos RPGs conseguem capturar tão bem a identidade da licença que adaptam mas este consegue.

Agora se me dão licença, vou ali fazer um teste Voight-Kampff ao meu grupo de jogo porque um deles disse que “não gosta muito de cyberpunk” e sinceramente isso parece-me comportamento de replicant infiltrado.

Para encomendares ou mais info, visita o site oficial. 

Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

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