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Oscars 2027: antecipam-se os nomeados do próximo ano

Ainda mal terminou a última cerimónia da Academy of Motion Picture Arts and Sciences e Hollywood já começou o seu desporto favorito depois da gala: prever o futuro. Entregues as estatuetas da 98.ª edição dos Óscares, a indústria entra na fase das primeiras apostas e dos palpites que, ano após ano, alimentam a discussão cinéfila.

Os primeiros sinais poderão surgir já a 9 de abril, quando o Cannes Film Festival revelar a seleção oficial da sua 79.ª edição. O festival francês tem sido, nos últimos anos, uma espécie de radar antecipado para candidatos aos prémios da Academia, revelando títulos que meses mais tarde regressam à ribalta durante a temporada de prémios.

A Odisseia
A Odisseia

Na categoria de Melhor Filme começam já a desenhar-se alguns potenciais protagonistas. Entre os títulos que surgem nas primeiras listas informais de previsões estão produções muito diferentes entre si, desde grandes épicos a dramas de autor. O ambicioso A Odisseia, realizado por Christopher Nolan, parte como um dos favoritos naturais, mas divide atenções com projetos como Digger, de Alejandro González Iñárritu, o drama europeu Fjord, de Cristian Mungiu, e o thriller sobre os segredos das redes sociais The Social Reckoning, de Aaron Sorkin. Entre os outros títulos apontados à corrida surgem ainda Wild Horse Nine, de Martin McDonagh, Death of a Salesman, Artificial, Whalefall, A Place in Hell, Michael, O Dia da Revelação, de Steven Spielberg, bem como produções de grande escala como Duna: Parte Três, de Denis Villeneuve, ou o drama criminal Paper Tiger.

Digger

Também a corrida para Melhor Realização poderá reunir alguns dos cineastas mais influentes do momento. Além de Christopher Nolan, frequentemente apontado como um dos grandes favoritos com A Odisseia, surgem nas primeiras previsões nomes como Alejandro González Iñárritu por Digger, Cristian Mungiu por Fjord e Martin McDonagh por Wild Horse Nine. A lista de potenciais candidatos inclui ainda Chloé Domont com A Place in Hell, Denis Villeneuve com Duna: Parte Três, Steven Spielberg com O Dia da Revelação e Joel Coen com o mistério gótico Jack of Spades.

Nas interpretações masculinas, a próxima temporada poderá trazer uma mistura de regressos aguardados e novos candidatos. Entre os nomes apontados para Melhor Ator encontram-se Tom Cruise pelo seu papel em Digger, Matt Damon em A Odisseia e Ryan Gosling na aventura espacial Projeto Hail Mary. A estes juntam-se interpretações que podem ganhar força ao longo do ano, como as de Jeffrey Wright em Death of a Salesman, Sebastian Stan em Fjord, Adam Driver em Paper Tiger ou Sam Rockwell em Wild Horse Nine. Timothée Chalamet poderá regressar à lista de noemados pelo seu trabalho em Duna: Parte Três.

O Dia da Revelação

A categoria de Melhor Atriz promete igualmente ser uma das mais competitivas. Entre as interpretações já apontadas nas primeiras previsões encontram-se Michelle Williams em A Place in Hell, Emily Blunt no novo filme de Steven Spielberg, Renate Reinsve em Fjord e Mikey Madison em The Social Reckoning. A corrida poderá ainda incluir nomes como Riley Keough, apontada ao drama político Out of This World, Zendaya em The Drama, Sandra Hüller pelo seu trabalho em 1949/Vaterland e por Rose, Julianne Moore no novo projeto musical realizado por Jesse Eisenberg, ou Anne Hathaway pelo drama musical Mother Mary.

Fjord
Fjord

Nas categorias secundárias também começam a surgir potenciais candidatos. Entre os atores secundários mais mencionados encontram-se Jeremy Strong por The Social Reckoning, John Malkovich e Steve Buscemi por Wild Horse Nine, Corey Hawkins em Death of a Salesman, Tom Holland pelo seu desempenho em A Odisseia, Colman Domingo por Michael e Yura Borisov no drama tecnológico Artificial. Entre as atrizes secundárias destacam-se nomes como Octavia Spencer, também em Death of a Salesman, Parker Posey em Wild Horse Nine, Monica Barbaro em Artificial, Daisy Edgar-Jones em A Place in Hell e Sandra Hüller em Digger

Projeto Hail Mary

No campo dos argumentos, tanto o original como o adaptado deverão voltar a desempenhar um papel importante na corrida aos prémios. Entre os potenciais candidatos a Melhor Argumento Original encontram-se projetos como Digger, Fjord, Wild Horse Nine, Artificial ou A Place in Hell. Já na categoria de Argumento Adaptado surgem títulos como A Odisseia, Projeto Hail Mary, Death of a Salesman, The Social Reckoning, Whalefall e Ink, de Danny Boyle.

No campo da animação, a corrida também começa a ganhar forma com vários títulos de peso no horizonte. Entre os projetos mais aguardados está Toy Story 5, novo capítulo da histórica saga da Pixar, que volta a reunir Woody, Buzz e companhia numa história que confronta os brinquedos com o universo digital das novas gerações. Outro candidato natural poderá ser The Legend of Aang: The Last Airbender, adaptação cinematográfica do universo animado que conquistou fãs em todo o mundo, além de Wildwood, produção do estúdio Laika conhecida pela sua aposta na animação em stop-motion. Os estúdios Aardman estreiam uma nova longa-metragem das aventuras Ovelha Choné, Shaun the Sheep: The Beast of Mossy Bottom.  A diversidade de estilos e técnicas nestes projetos promete tornar a categoria de Melhor Filme de Animação particularmente competitiva, num ano em que o cinema animado continuará a afirmar-se como um dos territórios criativos mais inventivos da indústria.

TOY STORY 5

O compositor Ludwig Goransson poderá preparar-se para receber o seu quarto Oscar, pelo trabalho na banda sonora original de A Odisseia. Ou não! Pois, na próxima edição dos Oscars a competição deverá incluir John Williams, por O Dia da Revelação, e a união de A.R. Rahman com Hans Zimmer, pelo épico indiano Ramayana Part 1. A lista de nomeados deverá ainda celebrar o trabalho de Bryce Dessner (Digger), Alexandre Desplat (The Social Reckoning) ou Daniel Pemberton (Projeto Hail Mary).

Ramayana

Nas categorias técnicas, como Melhor Fotografia, Montagem, Produção Artística, Guarda-Roupa, Som ou Efeitos Visuais, vários títulos já surgem como fortes candidatos. Superproduções como A Odisseia, de Christopher Nolan, e Duna: Parte Três, de Denis Villeneuve, deverão destacar-se pela grandeza visual e pela complexidade técnica, áreas onde as suas equipas criativas costumam ser presença assídua entre os nomeados. Também obras como Projeto Hail Mary, com a sua ambição de ficção científica espacial, ou Werwulf, de Robert Eggers, conhecido pelo rigor na recriação histórica e estética, poderão conquistar espaço nestas categorias.

Dune 3
Duna: Parte Três


Vingadores: Doomsday deverá ser um dos títulos referidos nas nomeações para Som e Efeitos Visuais, assim como O Dia da Revelação ou Narnia, de Greta Gerwig.
O Diabo Veste Prada 2, O Monte dos Vendavais, A Noiva!, Mother Mary, As Aventuras de Cliff Booth, de David Fincher, e o biográfico Michael poderão ser títulos presentes nas nomeações para Guarda-Roupa, Maquilhagem e Cabelos.

O Diabo Veste Prada 2
O Diabo Veste Prada 2

Nas produções internacionais será interessante perceber como resulta a reunião no ecrã de Keanu Reeves e Kirsten Dunst em The Entertainment System is Down, do realizador sueco Ruben Östlund. No entanto, o filme poderá não ser elegível para a categoria de Melhor Filme Internacional se não cumprir as regras relativas à língua predominante. Na mesma situação poderá estar Fjord, já referido entre os potenciais candidatos da temporada, poderá vir a representar a Noruega ou a Roménia na próxima corrida aos Óscares.

Amarga Navidad
Natal Amargo


A França poderá apostar em nomes fortes como Isabelle Huppert, Virginie Efira, Catherine Deneuve e Vincent Cassel no drama Histoires Parallèles. Já a Polónia, ou eventualmente a Alemanha, poderá indicar 1949/Vaterland, o novo filme do realizador Paweł Pawlikowski. O drama histórico Rose poderá ser indicado pela Áustria. Espanha surge igualmente bem posicionada com Natal Amargo, de Pedro Almodóvar, embora possa enfrentar uma escolha difícil já que Rodrigo Sorogoyen tem a estrear El Ser Querido. Do Japão chega Sheep in the Box, novo projeto de Hirokazu Kore-eda.

Sheep in the Box
Sheep in the Box

Claro que, nesta fase, prever os Óscares é sempre um exercício de imaginação. Muitos destes filmes ainda nem chegaram às salas e outros poderão surpreender ao longo do ano em festivais internacionais. Mas uma coisa é certa. A corrida para os Óscares de 2027 já começou, e promete trazer uma das temporadas mais imprevisíveis e disputadas dos últimos anos.

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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