RTP aposta nas micro séries em novo capítulo na ficção digital
“É o primeiro dia de um novo género de ficção em Portugal”. Foi com estas palavras que João Galveias, diretor dos Serviços Digitais da RTP, assinalou o lançamento das primeiras micro séries nacionais, um projeto que introduz formalmente a ficção vertical no panorama audiovisual português.

A iniciativa marca uma mudança clara na forma de produzir e consumir histórias. Tratam se de narrativas curtas, filmadas na vertical e concebidas de raiz para o telemóvel, pensadas para circular em ambiente digital e redes sociais. Com esta aposta, a RTP posiciona se na linha da frente de uma tendência internacional que está a transformar linguagens, formatos e hábitos de consumo.
As cinco produções, desenvolvidas pela SPi, estão disponíveis na plataforma de streaming RTP Play e nas redes sociais oficiais da estação. Intitulam se Herança Fatal, A Casa dos Outros, Além do Silêncio, Sextortion e Sabores de Amor, e abordam temas atuais e socialmente relevantes, como a violência doméstica, a exposição de conteúdos íntimos na Internet ou a dificuldade de acesso à habitação por parte dos jovens.

Cada série é composta por 20 episódios de aproximadamente um minuto e meio, desenhados para um consumo rápido e imersivo. O formato privilegia a intensidade narrativa e a criação de ganchos fortes, capazes de captar a atenção num contexto em que o tempo disponível é cada vez mais fragmentado.
Para Pedro Lopes, argumentista e produtor responsável pelo projeto e diretor de conteúdos da SPi, esta aposta reflete uma transformação estrutural no modo como o público consome audiovisual. Mais do que recuperar audiências da televisão tradicional, o objetivo passa por produzir para diferentes dispositivos e plataformas, reconhecendo que o espectador já se distribui por múltiplos ecrãs ao longo do dia.

Também a direção de programas da RTP tem sublinhado a importância de diversificar a oferta de ficção, integrando tanto a emissão linear como conteúdos exclusivos para plataforma. As micro séries inserem se nesta estratégia mais ampla de inovação e proximidade com novos públicos.
João Galveias destaca que a missão do serviço público implica acompanhar as mudanças tecnológicas e culturais. Os conteúdos verticais, pensados especificamente para o telemóvel, representam uma resposta estratégica às novas formas de consumo digital e reforçam a presença da RTP nos ambientes onde o público já está.

A nível internacional, o crescimento dos microdramas tem sido expressivo. Segundo a revista Variety, este mercado poderá atingir receitas globais na ordem das dezenas de milhares de milhões de euros nos próximos anos, à medida que mais países desenvolvem os seus próprios ecossistemas de produção e distribuição.
Realizadas por Manuel Amaro da Costa, estas cinco histórias portuguesas afirmam se como um primeiro passo num território ainda em consolidação no mercado nacional. Mais do que um exercício experimental, representam uma aposta numa linguagem ágil, emocional e adaptada ao ritmo do quotidiano.
Num contexto em que a televisão generalista enfrenta desafios estruturais, a ficção vertical surge como complemento e expansão, não como substituição. Uma forma de levar a narrativa para o bolso do espectador e de reforçar a presença do serviço público nos múltiplos ecrãs que moldam a experiência contemporânea.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

