Oscars 2026: os grandes ausentes das nomeações
As nomeações para a 98.ª edição dos Prémios da Academia consagraram Pecadores e Batalha Atrás de Batalha como os grandes vencedores das indicações, mas, como acontece todos os anos, o anúncio deixou também um rasto de ausências notórias. Entre interpretações elogiadas, filmes considerados potenciais candidatos e nomes habituais da Academia, várias omissões saltam à vista e ajudam a definir o retrato imprevisível desta edição.
Numa temporada marcada pela competitividade extrema, as escolhas da Academia revelam tanto o que foi valorizado como aquilo que ficou pelo caminho.

As ausências mais comentadas são de Ariana Grande e Cynthia Erivo, protagonistas de Wicked: Pelo Bem. Depois de o primeiro Wicked ter conquistado 10 nomeações e duas estatuetas, incluindo reconhecimento técnico e para as atrizes, a sequela saiu surpreendentemente de mãos a abanar.
Grande era apontada como forte candidata na categoria de Melhor Canção Original, enquanto Erivo surgia em várias previsões para Melhor Atriz. A exclusão total do filme levanta questões sobre a relação da Academia com sequelas e grandes sucessos populares.

Apesar de Hamnet ter arrecadado várias nomeações, Paul Mescal ficou fora da corrida a Melhor Ator Secundário, numa decisão que causou perplexidade. A sua interpretação de William Shakespeare era considerada central no filme e amplamente elogiada pela crítica.
A exclusão surge ainda mais carregada de simbolismo pelo facto de Mescal ter sido submetido na categoria de secundário, num caso visto por muitos como tentativa de “fraude de categoria” — algo que a Academia parece ter rejeitado de forma clara este ano.
Outro dos casos mais surpreendentes foi a ausência de Chase Infiniti, que ficou fora da lista de Melhor Atriz, apesar de Batalha Atrás de Batalha ter somado 13 nomeações. O seu papel de estreia era apontado como o verdadeiro núcleo emocional do filme.
Desilusão para aqueles que apostavam na nomeação da interpretação de Dwayne Johnson como Mark Kerr em The Smashing Machine: Coração de Lutador. O biográfico filme de Benny Safdie teve um destino bem diferente de Marty Supreme, a obra mais recente do seu irmão Josh.

Channing Tatum e Kirsten Dunst fizeram de Um Ladrão no Telhado um palco para boas interpretações, que acabaram ignoradas pela lista final das nomeações aos Oscars. A Academia ignorou ainda Glenn Close pelo seu trabalho em Acorda, Defunto: Um Mistério Knives Out. Russell Crowe recebeu algumas das suas melhores críticas pela sua interpretação como Hermann Göring em Nuremberg, de James Vanderbilt. Mas o filme saiu sem nomeações!
Outras omissões de peso na interpretação: Jesse Plemons, por Bugonia, Jennifer Lawrence, por Mata-te, Amor, Jennifer Lopez e Tonatiuh, por Beijo da Mulher-Aranha, Joel Edgerton, Felicity Jones, William H. Macy e Kerry Condon, todos por Sonhos e Comboios.

O Testamento de Ann Lee poderia garantir a nomeação a Amanda Seyfried, mas o filme ficou ainda de fora de categorias como Melhor Guarda-Roupa ou Direcção Artística.
Apesar de Frankenstein ter sido amplamente reconhecido em várias categorias, Guillermo del Toro ficou de fora da lista de Melhor Realização. A omissão do cineasta — vencedor do Óscar e um dos autores mais respeitados da indústria — é particularmente estranha, dado que a visão estética e narrativa do filme foi uma das mais elogiadas do ano.

A canção “Dream as One”, interpretada por Miley Cyrus, era considerada uma presença quase garantida na categoria de Melhor Canção Original. A sua ausência surpreende ainda mais tendo em conta o historial recente da saga Avatar nesta categoria.
Também fora da lista ficou o tema original de F1: O Filme: “Drive”, de Ed Sheeran, uma exclusão inesperada num ano em que a categoria privilegiou opções menos comerciais.

Uma das omissões mais criticadas na categoria de Melhor Banda Sonora Original foi a de Daniel Lopatin, cuja música eletrónica e nervosa é considerada essencial para a identidade de Marty Supreme. A Academia voltou assim a ser acusada de ignorar bandas sonoras mais ousadas e experimentais. Outras composições ausentes: Hans Zimmer, por F1: O Filme, Hildur Guðnadóttir, por Hedda, Trent Reznor & Atticus Ross, por Tron: Ares, Kangding Ray, por Sirat, apesar do filme ter sido reconhecido em Som e Filme Internacional.

Vários títulos que circularam como potenciais candidatos ao longo da temporada acabaram totalmente excluídos:
- Jay Kelly, de Noah Baumbach, com George Clooney e Laura Dern
- Springsteen: Deliver Me From Nowhere, de Scott Cooper
- Ainda Funciona?, de Bradley Cooper
- Céus e Infernos, a mais recente reunião de Spike Lee e Denzel Washington
A História do Som, de Oliver Hermanus, com Paul Mescal e Josh O’Connor.

A categoria de Melhor Filme de Animação conta com surpresas nos nomeados, deixando de fora da lista dos cinco títulos filmes como Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba Castelo Infinito e o grande êxito mundial do ano passado, Ne-Zha 2.
Mickey 17, de Bong Joon Ho, e Superman, de James Gunn, poderiam estar na lista dos nomeados a Melhores Efeitos Visuais.

Black Bag, de Steven Soderbergh, poderia ter reconhecido a escrita do argumento de David Koepp. A originalidade do argumento de Eddington, de Ari Aster, não convenceu a Academia. Julia Roberts ajudou na atenção dedicada nos últimos dias a Sorry, Baby. Mas para a Academia, “Sorry Baby”, a originalidade do argumento não tem lugar a reconhecimento.
28 Anos Depois merecia melhor atenção da Academia, em especial o trabalho de Anthony Dod Mantle poderia estar na categoria de Melhor Cinematografia.

O sul-coreano Park Chan-wook viu novamente um filme seu — Sem Alternativa — ficar fora da lista de Melhor Filme Internacional, apesar da excelente receção crítica e do reconhecimento do protagonista Lee Byung-hun. A decisão confirma a relação irregular da Academia com o realizador, mesmo após o prestígio de Decisão de Partir.
O cinema português depositou em Banzo, de Margarida Cardoso, a esperança de um lugar entre os nomeados a Melhor Filme Internacional. Mas este ano a competição foi bastante intensa entre títulos com enorme promoção e reconhecimento internacional.

Na lista dos nomeados a Melhor Direcção Artística não se encontra O Esquema Fenício, de Wes Anderson. O som de Warfare, de Alex Garland, é elemento importante na narrativa eletrizante… mas não consquitou lugar na fase final.

A categoria de Melhor Documentário registou também omissões significativas, com títulos amplamente falados a ficarem fora:
- Cover-Up
- Apocalipse nos Trópicos
- My Undesirable Friends: Part 1 – Last Air in Moscow
- 2000 Meters to Andriivka

O cinema brasileiro celebra as 4 nomeações de O Agente Secreto, e a indicação do director de fotografia Adolpho Veloso, pelo seu trabalho em Sonhos e Comboios. No entanto, a curta-metragem Amarela, de André Hayato Saito, não conseguiu lugar na lista dos finalistas da respetiva categoria.
A categroria novidade de 2026, Melhor Casting, não reconheceu o trabalho feito na seleção do elenco de Valor Sentimental, que conquistou 4 nomeações nas categorias de interpretação.

As ausências nas nomeações de 2026 confirmam uma Academia cada vez menos previsível, mais resistente a campanhas óbvias e, por vezes, pouco recetiva a obras populares ou autores consagrados. Se, por um lado, isso abre espaço a escolhas mais ousadas, por outro deixa pelo caminho interpretações, músicas e filmes que marcaram profundamente o ano cinematográfico.
Como se diz na Quimera do Riso (1941), de Preston Sturges: “Há muito a dizer sobre fazer as pessoas rir — para algumas, é tudo o que têm.” Este ano, porém, nem o riso, nem a popularidade, nem o prestígio garantiram um lugar entre os nomeados.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.


