2020 FEST: de 2 a 9 de Agosto em Espinho, Porto e Lisboa

Está fechada a programação de mais uma edição do FEST – Festival Novos Realizadores | Novo Cinema.

No total são mais de 230 filmes que, entre os dias 2 e 9 de Agosto, ocuparão a cidade de Espinho, pólo central de uma edição que, pela primeira vez, se estende a Porto e Lisboa. Em Espinho, as sessões decorrem no Auditório da Junta de Freguesia e num cinema drive-in instalado no Parque de Estacionamento da Nave Desportiva de Espinho. As extensões simultâneas às duas maiores cidades do país farão circular as longas em competição pelo Cinema Trindade e Cinema Ideal e as curtas pela Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto.

“Reality” do francês Quentin Dupieux

Num ano em que a organização optou, por razões de segurança e preservação da qualidade, não agendar a vertente profissional do programa, o FEST centra força na sua proposta cinematográfica, numa selecção de filmes que tem como grande prioridade a mostra de novos e emergentes realizadores e novos cinemas. Já era conhecido o ciclo de cinema de humor a decorrer em formato drive in e com a cinematografia de Quentin Dupieux e Aik Karapetian em destaque. O evento continua a olhar os mais recentes trabalhos de cineastas que passaram pelas suas edições passadas. Grande destaque para o polaco Jakub Radej, vencedor do Lince de Prata em 2017, a regressar com Ricochets. Também de relevo as novas obras de Zgjim Terziqi, Dimitris Argyriou, Yotam Ben-David, Milda Baginskaitė e Tarek Roehlinger.

A cinematografia de Quentin Dupeux em destaque no FEST

O cinema de Quentin Dupieux em destaque no FEST

Mais conhecido pela sua carreira musical enquanto Mr. Oizo (nome fundamental do french touch), Quentin Dupieux tem conquistado, ao longo da sua faceta como cineasta, um lugar cimeiro numa lista de nomes de contra-vaga do cinema francês. Nunca colocando em causa a importância da cinematografia clássica do seu país, essa que é ainda hoje uma referência incontornável a nível mundial, Dupieux é hoje um cineasta de culto, com uma série de comédias surreais sobre personagens ímpares, perpetuamente desconectadas das normas básicas da vida em sociedade, mas que directa e indirectamente representam muitas das nossas ânsias e necessidades colectivas. Tendo como arma fundamental o humor negro, a sua filmografia desenha um espaço onde o absurdo se conjuga com uma estética única, resultando numa experiência verdadeiramente original, essencial e que rapidamente se está a transformar num género por si só. Na secção do Be Kind Rewind, serão mostrados Reality, a história de um actor que procura incessantemente pelo grito mais genuíno da história do cinema, e o mais recente 100% Camurça, um filme sobre um homem de tal maneira obcecado pelo seu casaco de camurça, que ambiciona tornar-se no último homem do planeta a vestir um casaco.

Aik Karapetian e o cinema da Letónia em destaque no FEST

Na edição 2020 o FEST vai centrar atenções num dos países mais desconhecidos do panorama cinematográfico Europeu: a Letónia. Apesar da já longa tradição na sétima arte, o cinema letão não tem sido capaz de captar tanto interesse e devoção como outros exemplos na região do Báltico. Um facto que muda com o surgimento de uma nova geração de cineastas que ameaça tornar-se num caso sério de sucesso. A encabeçar a lista, Aik Karapetian, cuja mistura entre realismo social e cinema de género tem vindo a revelar-se um cocktail irresistível para o circuito internacional de festivais de cinema. O FEST exibirá a sua primeira longa-metragem People Out There e aquela que é considerada a sua obra-prima até à data Man With the Orange Jacket. Este ciclo dedicado ao novo cinema letão exibirá também obras recentes de artistas emergentes como Signe Birkova, Kristiāna Šuksta e Kārlis Vītols.

“Force Majeure” do sueco Ruben Ostlund

A criação da primeira sala drive-in em Espinho é uma das grandes novidades desta 16ª edição do FEST. Para a habitar, o festival apresenta um extenso programa de cinema que se divide entre a comédia e o cinema de género. No campo do humor, destaque a Force Majeure, do multi-galardoado cineasta sueco Ruben Ostlund, Woman at War, do islandês Benedict Erlingsoon, e à curta, I’ll end up in jail, do canadiano Alexandre Dostie. Após a meia noite, o programa deste novo espaço olha o cinema de terror. Palavra especial aqui para a estreia nacional de Increadably Shrinking Weekend, de Jon Mikel Caballero, o notável Vendeta, de Coralie Fargeat, e O Cadáver de Anna Fritz, de Hèctor Hernández Vicens. Para além das longas-metragens, terão ainda lugar duas sessões de curtas, com destaque para o multigalardoado Souls of Totality, de Richard Raymond, e A Estranha Casa da Bruma do português Guilherme Daniel.

“A Estranha Casa da Bruma” do português Guilherme Daniel.

Numa continuidade do trabalho iniciado no ano passado, o FEST volta a trazer a Espinho algumas das obras nacionais que mais têm chamado a atenção dentro e fora de portas. Mistérios Negros de Pedro Lino, Cenas de uma vida amorosa de Miguel Afonso e Häuschen – a Herança de Paulo A. M. Oliveira e Pedro Martins estão na lista de escolhas para a secção Portuguese Outlook.

  Knight Rider está de regresso... mas agora ao cinema!

Consulte toda a programação disponível aqui.

“100% Camurça” do francês Quentin Dupieux

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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