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O Cinema renasce em Leiria e Braga

O LeiriaShopping reabriu sete salas de cinema, agora exploradas pelos Cinemas NOS e com uma nova sala NOS XVision. Em Braga, o Nova Arcada prepara a reabertura de seis das 12 salas, pela mão da Cinebox. Os dois casos fazem parte de uma reconfiguração da rede de exibição portuguesa após o encerramento de vários complexos explorados pela Cineplace.

LeiriaShopping

O cinema está de regresso ao LeiriaShopping. Desde 14 de agosto, os espectadores de Leiria e da região Centro voltaram a ter acesso às principais estreias nacionais e internacionais no centro comercial, que recuperou a totalidade das sete salas anteriormente dedicadas à exibição cinematográfica.

A nova operação está a cargo dos Cinemas NOS, que assumiram a exploração do complexo depois do encerramento da operação da Cineplace no início do ano. O regresso é acompanhado por uma renovação das instalações e pela introdução da NOS XVision, uma sala premium que combina um ecrã de maiores dimensões, projeção de elevada qualidade e som tridimensional Dolby Atmos.

Segundo o LeiriaShopping, trata-se de uma tecnologia inédita no distrito de Leiria e na região Centro, concebida para reforçar a experiência de filmes de grande escala, nomeadamente produções de ação, ficção científica e animação.

O complexo conta novamente com sete salas, permitindo ao centro comercial recuperar uma oferta cinematográfica que esteve suspensa durante vários meses.

“A reabertura das salas de cinema do LeiriaShopping, agora com a prestigiada rede Cinemas NOS, era um dos momentos mais desejados pela nossa comunidade”, afirma Rui Conceição, diretor do LeiriaShopping.

Para o responsável, o projeto representa mais do que o regresso da programação cinematográfica, constituindo também uma aposta na dinâmica cultural da cidade e da região.

A recuperação da oferta cinematográfica está também em curso em Braga. O Nova Arcada está a renovar seis das suas 12 salas, que deverão reabrir durante o último trimestre de 2026, sob exploração da Cinebox.

O centro comercial ficou sem cinema no início do ano, depois do encerramento das seis salas que permaneciam em funcionamento e que eram exploradas pela Cineplace. A nova operação permitirá, assim, recuperar metade do antigo complexo cinematográfico.

As restantes seis salas têm, para já, um destino incerto. Sobre elas encontram-se pendentes pedidos de desafetação da atividade cinematográfica, destinados à eventual utilização dos espaços para outras atividades.

O processo está sujeito ao novo enquadramento legal para a desafetação de salas de cinema. A Câmara Municipal de Braga emitiu, nesta fase, parecer desfavorável ao pedido, por considerar que a documentação apresentada não demonstra a inviabilidade da manutenção da atividade cinematográfica nem o esgotamento das alternativas para preservar a função cultural do espaço.

A posição do município não constitui, contudo, uma decisão definitiva. A autarquia admite reapreciar o processo caso sejam apresentados elementos que permitam demonstrar o cumprimento dos requisitos legais.

Enquanto aguarda a reabertura do Nova Arcada, Braga mantém a sua principal oferta comercial de cinema nos Cinemas NOS do Braga Parque, com nove salas.



A reabertura do LeiriaShopping e a recuperação de parte do complexo do Nova Arcada acontecem depois de um período particularmente difícil para a rede de exibição portuguesa.
Durante 2025 e os primeiros meses de 2026, a Cineplace encerrou progressivamente vários dos complexos que explorava no país, num processo que culminou com a declaração judicial de insolvência da Orient Cineplace, empresa responsável pela operação da marca em Portugal.

A empresa tinha chegado a ser um dos principais operadores do mercado nacional. Em 2019, antes da pandemia, explorava 85 salas distribuídas por 14 complexos, que receberam cerca de 1,7 milhões de espectadores e geraram aproximadamente 9,1 milhões de euros de receita de bilheteira.

Em 2025, a operação tinha sido reduzida a 58 salas. Nesse ano, as salas da Cineplace receberam cerca de 622 mil espectadores e registaram 3,3 milhões de euros de receita de bilheteira, valores que representaram uma quebra superior a 30% face ao ano anterior.

A redução da rede teve consequências em várias regiões do país. Foram encerrados complexos em localidades como Guarda, Caldas da Rainha, Covilhã, Leiria, Viana do Castelo, Braga, São João da Madeira, Loures, Portimão, Guia, Funchal e Seixal.

Mas o encerramento da Cineplace não significou, em todos os casos, o desaparecimento definitivo do cinema. Outros exibidores procuram recuperar as salas encerradas!
Portimão encontrou uma solução: as salas anteriormente exploradas pela Cineplace, no Centro Comercial Continente Portimão, passaram para a exploração dos Cinemas NOS, que transformou o espaço num novo complexo cinematográfico.

Na Covilhã, a solução foi encontrada através do regresso da Castello Lopes Cinema ao Serra Shopping. O exibidor, que tinha abandonado aquelas quatro salas em 2013, regressou ao complexo comercial, com salas modernizadas, projetores laser e uma experiência renovada.

A situação é, contudo, diferente noutras localidades. Em Loures, por exemplo, as sete salas do LoureShopping encerraram no final de 2025 e encontra-se em discussão a desafetação da atividade cinematográfica. O município e os proprietários do centro comercial divergem, neste momento, quanto ao número de salas que deverá ser desafetado.

Em Viana do Castelo, as salas do Estação Viana Shopping encerraram definitivamente em janeiro, deixando o concelho sem oferta comercial regular de cinema.

O cenário que se desenha é, por isso, mais complexo do que uma simples sucessão de encerramentos. A saída da Cineplace abriu espaços para outros exibidores recuperarem alguns complexos, mas também desencadeou processos de desafetação e deixou outros equipamentos sem uma solução imediata.

A evolução de Leiria, Braga, Portimão e Covilhã poderá, assim, constituir um dos sinais mais relevantes da nova fase da exibição cinematográfica portuguesa, cada vez mais marcada pela substituição de empresas, renovação dos espaços e procura de modelos capazes de manter o cinema comercial próximo dos públicos locais.

 

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

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