Jogos: River City Saga: Journey to the West – Análise
River City Saga: Journey to the West transforma a clássica lenda chinesa numa aventura cheia do humor característico da série.
Jogo: River City Saga: Journey to the West
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Arc System Works
Editora: Arc System Works
A Arc System Works continua a brincar com a História e a mitologia em River City Saga: Journey to the West, uma nova entrada da veterana série Kunio-kun que troca os campos de batalha dos Três Reinos pela lendária peregrinação até Tianzhu. O resultado é uma adaptação surpreendentemente respeitosa de Journey to the West, mas sempre filtrada pela irreverência e pelo charme que os fãs de River City conhecem tão bem.
Desta vez, a fórmula abandona grande parte da estrutura RPG de capítulos anteriores para abraçar o território dos roguelites. A influência de Hades é impossível de ignorar. Entramos numa run, limpamos arenas, derrotamos bosses, recolhemos melhorias e regressamos ao acampamento para fortalecer as personagens. É um ciclo simples, viciante e acessível, pensado para sessões rápidas que raramente ultrapassam uma hora.
O combate é, sem surpresa, a estrela principal. Sun Wukong destaca-se pela velocidade e pela facilidade em encadear combos, enquanto Zhu Bajie aposta em golpes pesados e contra-ataques devastadores. Sha Wujing oferece uma abordagem mais distante, embora menos entusiasmante. Entre ataques especiais, transformações mágicas e invocações divinas, existe sempre algo vistoso a acontecer no ecrã. O sistema de dash assume um papel central e, por vezes, passamos tanto tempo a esquivar-nos como a distribuir murros.
Visualmente, Journey to the West combina sprites super deformados com cenários tridimensionais coloridos e efeitos exuberantes. O resultado é apelativo e cheio de personalidade. A banda sonora acompanha o nível da apresentação, recuperando melodias clássicas da série e misturando-as com influências orientais. Os veteranos vão encontrar uma quantidade absurda de referências, desde Misako e Kyoko em papéis divinos até rivalidades antigas adaptadas ao contexto mitológico.
Nem tudo é ouro, claro. Apesar da diversão inicial, a repetição acaba por se fazer sentir. Os cenários mudam pouco, os diálogos esgotam-se rapidamente e vários bosses recorrem a padrões demasiado semelhantes. A progressão permanente também não possui a profundidade de outros roguelites de referência. Após cinco ou seis horas, a sensação de déjà vu torna-se inevitável.
Ainda assim, River City Saga: Journey to the West é uma experiência divertida, descomplicada e cheia de personalidade. Talvez não seja o capítulo mais ambicioso da série, mas compensa com combates sólidos, excelente ritmo e um humor contagiante. É daqueles jogos perfeitos para uma sessão rápida e para recordar porque é que Kunio continua a ser uma figura tão especial no universo dos beat ’em up.
Nota: 6,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





