Análise – CloverPit: O demónio das slots agora nas consolas
CloverPit é um roguelite de apostas se torna numa experiência de horror psicológico perfeita nas consolas da Nintendo.
Jogo: CloverPit
Plataforma Disponível: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Panik Arcade
Editora: Future Friends Games
Lançamento: 13/08/2026
Quando joguei CloverPit pela primeira vez, fiquei com aquela sensação de que estava perante um daqueles jogos ideais para as consolas híbridas da Nintendo. Sessões curtas, tentativa após tentativa, a possibilidade de pegar na consola, jogar mais uma ronda e largá-la pouco depois. A verdade é que, na Nintendo Switch 2, CloverPit assenta como uma luva. Até demasiado bem, tendo em conta que o próprio jogo parece querer prender-nos numa máquina de azar da qual nunca conseguimos sair.
A premissa é tão simples quanto desconfortável. Estamos fechados numa pequena cela, algures entre uma prisão antiga e um bunker enferrujado, com apenas uma máquina de jogo e um ATM à nossa disposição. Temos uma dívida para pagar e três rondas para conseguir dinheiro suficiente. Falhamos a meta e as consequências são pouco simpáticas. É aqui que a comparação com Balatro e Buckshot Roulette ganha força, mas CloverPit encontra uma identidade própria ao transformar o jogo de casino num pesadelo de horror psicológico sobre vício, desespero e a obsessão por recuperar o que já perdemos.
A máquina apresenta cinco colunas e basta conseguir três símbolos iguais em qualquer direcção para obter um prémio. Parece simples, mas o gerador de números aleatórios, o famoso RNG, manda, e manda muito. O dinheiro depositado antecipadamente ou guardado entre rondas rende 2% de juros, enquanto os Clover Tickets permitem comprar charms capazes de alterar as probabilidades, gerar sorte depois de duas jogadas sem prémio, aumentar os pagamentos de determinados símbolos ou padrões, ou oferecer jogadas gratuitas. Depois de superar uma etapa, um telefone antigo apresenta três bónus estratégicos permanentes. São sistemas suficientes para criar builds interessantes e combinações que podem entrar rapidamente em modo bola de neve.
O problema é que CloverPit nem sempre sabe dosear a frustração. A primeira ronda exige mais 40 moedas e, pouco depois, a exigência sobe abruptamente para mais 125. Sem os modificadores certos, os pagamentos são miseráveis e, apesar de todas as ferramentas à nossa disposição, continuamos demasiado dependentes do RNG. Falta aquela sensação deliciosa de encontrar uma brecha no sistema, de conseguir enganar a máquina. Aqui, a máquina é que nos engana.
Visualmente, a mistura de gráficos pixel art 2D com um cenário 3D de inspiração retro resulta muito bem. A cela é pequena, mas cheia de detalhes, enquanto uma voz sinistra insiste em lembrar-nos do destino que nos espera. É uma atmosfera eficaz, desconfortável e coerente com a proposta.
Com mais de 150 itens, meta progressão, vários finais, modo infinito e o Hardmode, que duplica os valores exigidos, existe bastante conteúdo para quem aceitar o desafio. A expansão The Unholy Fusion acrescenta ainda 30 fusion charms, 11 novos charms, sete memory cards e um novo final. Na Nintendo Switch 2, os controlos por rato e o desempenho melhorado são bons extras.
CloverPit continua a não ser para todos. É injusto, stressante e por vezes demasiado dependente da sorte. Mas também é viciante, inteligente na forma como transforma sistemas de casino em mecânicas roguelite e, sobretudo, perfeito para jogar aos poucos. Na Nintendo Switch 2, encontrou a plataforma ideal.
Nota: 8/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




