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Jogos: 4PGP – Análise

4PGP, para Nintendo Switch 2, tenta recuperar a magia dos arcades dos anos 90, mas fica preso entre a nostalgia e uma execução decepcionante.

4PGP

Jogo: 4PGP
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: 3goo, Vision Reelle
Editora: 3goo

4PGP
4PGP é claramente inspirado pelos jogos de arcade dos anos 90, como Pole Position, Virtua Racing e Monaco GP, mas acaba por soar mais a uma fotocópia desbotada do que a uma homenagem digna desse legado.

À primeira vista, o visual colorido e os carros claramente inspirados em máquinas históricas da Fórmula 1 despertam um sorriso. Existem pistas inspiradas em locais reais e a fluidez técnica é impressionante, especialmente na portátil, onde os 120 fps para um ou dois jogadores são um verdadeiro luxo. Contudo, basta olhar um pouco mais de perto para perceber as limitações. As texturas são básicas, o aliasing é evidente e a distância de desenho denuncia constantemente a natureza modesta do projeto. Não existe meteorologia dinâmica, não há danos e tudo parece demasiado estéril.

Mas é quando se entra em pista que os problemas se tornam mais graves. O sistema de controlo reduz tudo a acelerar e travar. A intenção é ser acessível, e nisso cumpre, mas a profundidade desaparece rapidamente. Os carros têm aderência em excesso, as colisões parecem feitas de sabão e é possível abusar do turbo e das entradas nas boxes de forma ridícula. O resultado é um jogo que se desmonta sozinho assim que se percebem as suas falhas.

4PGP

Ainda mais frustrante é a inteligência artificial. Os pilotos controlados pelo computador não são desafiantes de forma natural, são simplesmente irritantes. Há agressividade em excesso, batidas injustas e uma sensação permanente de que o jogo está a compensar artificialmente. Pior, a progressão obriga a repetir níveis de dificuldade mais baixos para desbloquear tudo, esticando artificialmente uma experiência que pode ser concluída em cerca de três horas.

A banda sonora de Tomoyuki Kawamura tinha tudo para ser um dos pontos altos. O compositor de Sega Rally e Virtua Racing entrega temas cheios de energia, mas a implementação é tão estranha que a maior parte das corridas decorre apenas com o som dos motores. É uma decisão difícil de compreender e ainda mais difícil de perdoar.

O melhor de 4PGP está no multijogador local. Quatro jogadores no mesmo ecrã, GameShare entre Switch 2 e a Switch original e uma abordagem acessível fazem dele um passatempo simpático para uma tarde entre amigos. Sozinho, porém, a experiência revela-se superficial e frustrante.

4PGP

4PGP tinha potencial para ser um regresso divertido aos tempos dourados dos arcades, mas acaba por ser uma versão demasiado simplificada daquilo que procura homenagear. A nostalgia existe, mas nostalgia por si só não faz milagres.

Nota: 4,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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