Jogos: 007 First Light – Análise
007: First Light é uma estreia convincente para o novo James Bond nos videojogos, com espionagem, ação explosiva e alguns problemas difíceis de ignorar.
Jogo: 007: First Light
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: IO Interactive
Editora: IO Interactive
Durante anos, a pergunta não foi se James Bond voltaria aos videojogos, mas sim quem conseguiria fazer justiça à licença. A resposta chega pelas mãos da IO Interactive, o estúdio responsável por Hitman, que troca o assassino silencioso pelo agente secreto mais famoso do mundo. O resultado é 007: First Light, uma aventura que respeita o legado cinematográfico da personagem, mas que também encontra espaço para construir uma identidade própria. Nem tudo acerta em cheio, mas quando funciona, faz lembrar porque razão Bond continua a ser uma das figuras mais icónicas da cultura pop.
A história apresenta um Bond ainda longe de ser o lendário 007. Depois de sobreviver sozinho a uma missão falhada na Islândia, acaba por chamar a atenção do MI6 e entra no renascido programa 00. Patrick Gibson assume o papel com enorme confiança, misturando o carisma clássico de Sean Connery e Roger Moore com a agressividade física de Daniel Craig. O resultado é um protagonista impulsivo, talentoso e convencido, mas ainda pouco disciplinado, criando uma relação particularmente interessante com John Greenway, o mentor interpretado por Lenny James. A narrativa também surpreende ao explorar uma conspiração ligada à inteligência artificial, abordando o tema de forma bastante crítica sem perder o ritmo de thriller de espionagem.
É, no entanto, o gameplay que demonstra toda a experiência da IO Interactive. Apesar das inevitáveis comparações com Hitman, First Light prefere privilegiar a improvisação em vez da execução perfeita. Cada área oferece várias possibilidades de infiltração, seja através de escutas, pequenos furtos, distrações ambientais ou simplesmente recorrendo ao famoso bluff de Bond para convencer inimigos de que pertence àquele local. Esta mecânica acrescenta personalidade ao jogo e distingue-o de outras aventuras furtivas.
As engenhocas de Q também têm um papel essencial. O relógio multifunções serve tanto para piratear sistemas como para manipular o ambiente, enquanto a lente de investigação destaca inimigos, objetos interativos e pistas importantes. A gestão dos recursos obriga a pensar antes de utilizar cada gadget, já que eletricidade e compostos químicos são limitados e precisam de ser recuperados durante as missões. É um sistema simples, mas suficientemente eficaz para manter a tensão durante a exploração.
Quando a discrição falha, entra em cena um sistema de combate corpo a corpo claramente inspirado em Batman Arkham e Uncharted. Os confrontos são rápidos, físicos e muito satisfatórios, com contra-ataques, esquivas e interações constantes com o cenário. Ver Bond atirar um adversário contra uma mesa ou partir uma porta durante uma luta transmite a brutalidade que esta versão mais jovem da personagem pretende representar. Já os tiroteios ficam bastante abaixo desse nível. Os inimigos acertam demasiado facilmente, as coberturas desfazem-se em segundos e a escassez de munições transforma alguns momentos de ação em sequências frustrantes.
Visualmente, First Light impressiona quase sempre. A iluminação, os reflexos e o detalhe dos cenários dão vida a mercados movimentados, resorts luxuosos e instalações militares. A banda sonora também merece destaque, alternando entre orquestrações clássicas de Bond e temas modernos, culminando numa excelente música original interpretada por Lana Del Rey.
Infelizmente, a campanha perde algum fôlego na segunda metade. As primeiras missões oferecem liberdade para experimentar diferentes abordagens, mas os níveis finais tornam-se mais lineares e previsíveis. Soma-se ainda um excesso de indicações constantes por parte do próprio Bond e do MI6, retirando espaço à descoberta natural. Existem também alguns problemas técnicos ocasionais, desde falhas de inteligência artificial até bugs de progressão, embora nada que comprometa permanentemente a experiência.
007: First Light marca um arranque muito promissor para esta nova visão de James Bond. Não atinge a consistência criativa dos melhores jogos da IO Interactive e alguns sistemas podiam ser mais profundos, especialmente no que diz respeito às mecânicas sociais e aos tiroteios. Ainda assim, consegue captar o espírito da saga com enorme confiança, equilibrando espionagem, espetáculo e liberdade suficiente para manter cada missão interessante.
Nota final: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






