Editora Goody entra em insolvência

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Portas fechadas na Editora Goody

Goody, a editora que trouxe nos últimos anos banda desenhada Disney e Marvel para as bancas portuguesas de forma regular, entrou em insolvência, segundo fontes próximas da empresa.

Com mais de 15 anos no mercado, a Goody sempre foi sinónimo de revistas de qualidade, e líder em várias vertentes como tecnologia, saúde, e infantojuvenil.

Na área dos videojogos foram sem dúvida um marco. Quem não se recorda com saudade das revistas MaxiConsolas, Revista Oficial Playstation, PSM2, e da clássica BGamer? Chegou a ter as 4 revistas em simultâneo nas bancas, e com uma redação de 10 pessoas dedicadas exclusivamente aos jogos.

Também dentro da cultura e entretenimento, foi a Goody que nos trouxe a versão portuguesa da famosa revista de cinema Empire. Além das consagradas Top Gear e Quero Saber, a Goody sempre acompanhou os grandes sucessos no mundo dos mais novos. Chegou a lançar revistas dedicadas aos blockbusters de animação de vários filmes e séries da Disney e Cartoon Network. Dedicou especiais – totalmente feitas em Portugal – às modas da altura, como os fidget spinners, Pokémon Go, ou Fortnite, com os conteúdos a serem vendidos para outros países.

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Os escritórios da Goody no último dia

Na banda desenhada experimentou algo de diferente e trouxe-nos uma série dos Simpsons, num formato invulgar, e lançou centenas de revistas Disney em vários títulos, com páginas diferentes. A revista de maior longevidade foi a Comix, que terminou na #200.

Na Marvel, começou com um projecto bastante arrojado, com revistas de 128 páginas e variedade de títulos: Homem-Aranha, Vingadores, X-Men, Marvel Especial, e ainda minisséries de Deadpool, Pantera Negra e Vingadores e, fora da Marvel: Assassin’s Creed.

O Central Comics desconhece se os problemas começaram a surgir antes, mas no Verão de 2017 a distribuidora das bancas, Urbanos, abre falência, causando um prejuízo à editora de mais de 200 mil euros. Após algumas semanas sem publicações, para que se ajustasse à distribuidora Vasp (agora detentora do monopólio em Portugal), estas voltaram às bancas, parecendo que iria voltar tudo ao normal. No entanto, não muito tempo depois, começaram a sentir-se atrasos nos lançamentos, complicações no Marketing, entre outros problemas. Até que, em meados de Setembro, as revistas Marvel deixaram de sair. Da minissérie Demolidor saiu apenas o primeiro volume (de 4); as segundas séries do Homem-Aranha e dos Vingadores ficaram-se pelo #9 (de 14); a X-Men ficou pela #8 (de 14); e temos ainda a segunda série da Marvel Especial, em que saiu apenas uma, de catorze.

  Lançamento Uncanny X-Force vol. 4: Execução Final

Pelo caminho ficaram dezenas de lesados, desde os mais de 30 trabalhadores, que actualmente ainda faziam parte da equipa interna, e que têm ainda valores de ordenados por receber, passando por fornecedores, gráficas e colaboradores externos, num total de várias dezenas de milhares de euros em dívida. Já para não falar dos assinantes de todas as revistas (em todos os quadrantes), que ficarão sem as revistas e sem o dinheiro.

Antes da entrada da empresa em insolvência ainda havia várias revistas prontas na gráfica, ou quase prontas, para serem impressas, que agora não mais verão a luz do dia.

As fontes que o Central Comics teve acesso, informaram-nos que as portas dos escritórios fecharam na Sexta-Feira, 7 de Dezembro de 2018.

Por fim, e voltando à banda desenhada, convém referir que, mais uma vez, ficámos com colecções e histórias incompletas, manchando de novo a história dos super-heróis, após os desaires da Edimpresa, Devir, e Panini.

Será que algum dia teremos uma nova editora que pegue na Marvel nestes moldes?

É esta a nossa triste realidade.

Hugo Jesus

Co-criador e administrador do Central Comics desde 2001. É também legendador e paginador de banda desenhada, e ocasionalmente argumentista.

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14 Responses

  1. Angelo Santos diz:

    Mais do mesmo. É uma vergonha. Mais uma boa coleção incompleta.

    Agora resta aguardar as da Panini atingirem a numeração das Goody.
    Alguém me sabe dizer onde posso encomendar as Panini brasileiras online?

  2. Joana Domingues diz:

    Resulta tudo de uma péssima gestão e franca má perceção do mercado. Desde apostarem em revistas que fecharam após três ou seis edições, em estagiários sem fim, em ordenados miseráveis que iam desde os 500€ a recibos verdes a 700€ a funcionários já com 15 anos de experiência na área…

    A verdade é que a empresa nunca soube preservar as pessoas que por ali trabalhavam. Os administradores sempre encheram os bolsos à custa dos paupérrimos ordenados dos restantes colaboradores.

    A empresa tinha títulos fortes, mesmo muito fortes, mas nunca soube adaptar-se à realidade do mercado. Nunca soube apostar no online como deve de ser. Podiam ter sido grandes, e foram-no. Mas a empresa ficou parada no tempo. No fundo, tudo isto resulta da péssima gestão dos administradores.

  3. pco69p diz:

    Joana Domingues, não sei nada da editora nem dos editores, nem dos trabalhadores, mas focando-me apenas no texto acima e nesta frase: (…) Urbanos, abre falência, causando um prejuízo à editora de mais de 200 mil euros. (…), acho tremendamente dificil uma empresa, quase seja de que tamanho for, recuperar de uma perca destas…

  4. Joana Domingues diz:

    pco69p A Goody já faturou milhões no passado, eles conseguiam recuperar bem desse acontecimento com a Urbanos.

    O problema não foi esse, foi mesmo gastarem rios de dinheiro em títulos sem qualquer sentido para o mercado português. Uma revista dedicada ao futebol? Uma revista dedicada ao surf? São coisas que não vendem. Bastava terem acompanhado o rumo do mercado e não apostarem em títulos merdosos.

    Faz algum sentido terem revistas sem suporte digital de jeito?

    Foram burros e aqui está o resultado.

  5. Pedro Queiroz diz:

    Infelizmente isto parece ser uma sina. No meu caso, tenho a assinatura de Demolidor em falta. Mas nem é isso que chateia. É a recorrência dos acontecimentos. Felizmente mantive-me “fiel” à Panini Brasil, que apesar de falhas e stresses em acompanhar a numeração das edições, dificilmente irá passar por isto. Resta-nos talvez a G-Floy, com títulos esporádicos, bem como a Salvat ou a Levoir. Mas nada com a continuidade que seria merecida.

  6. Angelo Santos aconselho contactar a livraria Casa da BD. Há mais de uma década que trazem todos os títulos da Panini para Portugal na sua livraria (há duas, uma na Feira da Ladra e outra na zona do Campo Grande) È ir ao FB / site deles e começar a reservar.

  7. Shazam diz:

    Penso que se aparecer uma proxima editora e queira apostar em titulos main stream da marvel/dc/image etc.. que siga um modelo mais simples de tentar publicar os titulos com mais qualidade e não uma enorme quantidade de titulos em que 75% deles são mediocres ou fracos.
    O caso da G-Floy é diferente com as co-edições na polonia mas nivel de catalogo penso que o plano foi muito bem executado.Começou com Saga, Fatale e o tony chu aos quais os 3 são na minha opiniao bons titulos e no caso do saga um best seller em portugal. A partir desse lançamento já perdemos a conta de edições fantasticas que eles publicaram e a nivel de titulos marvel que cada vez são mais recorrentes e com enorme qualidade como por ex: Alias, X Force, Punho de ferro, Thor e por aí vai. As pessoas confiam quando a editora assim o permite e quando ela realmente tem um plano e uma boa estrutura a Goody inicialmente recorreu a muitos pedidos, mas enquanto as suas edições iniciais eram muito boas e realmente centradas num proposito agora nas seguintes coleções houve na minha opinião muitos titulos a “encher chouriços” para ocupar o tempo até o plano deles atingir a fase do Legacy.
    É uma pena ver o visão imcompleto assim como o demolidor mais um vez ou o thor do aaron que já é a segunda vez que é interrompido em portugal mas nós já sabemos que aqui o mercado não é estavél mas penso que com a Goody não foi por falta de interesse das pessoas mas sim mal estrutura e claro a culpa da distruibuidora que como já referiram encima penso que poucas empresas conseguiriam recuperar.
    A pergunta que faço é:
    Qual foi entao o proposito de virem ao facebook dizer que estavam a dar a volta por cima e que iam terminar tudo?

  8. Joana Domingues diz:

    Qual foi entao o proposito de virem ao facebook dizer que estavam a dar a volta por cima e que iam terminar tudo?

    Basicamente para convencer a malta a comprar para ver se conseguiam adiar mais o resultado final. Mas quando há ordenados em atraso deste Setembro… Esquece

  9. Fábio Moreira diz:

    Joana Rodrigues, como sabes tantos detalhes? Trabalhaste lá? :O

  10. Joana Domingues diz:

    Fábio Moreira Sim, há muito tempo. Mas fiquei lá com amigos e mantive-me sempre a par da situação.

    Era mesmo questão de tempo. Se os administradores soubessem gerir uma empresa nos dias de hoje isto não tinha acontecido. Não se quiseram adaptar ao digital, lixaram-se.

  11. Manuel diz:

    Na Disney é ate Irónico ser DuckTales comics usa a encerrar a linha depois de n material italiano,E na Marvel houve muito atropelo a linha de Mini Series/Marvel Especial que sao tpbs estava tudo bem material recente em tpbs com arcos fechados embora nos Guardioes da Galaxia deram um salto do inicio do Starllin para a fase Grounded e ja iam preparar o terreno para as Infinty Wars (saltando a run do Bunn toda) ja nas mensais almanaques fizeram n atropelos com Steve Rogers Capitao America,Jean Grey,Weapon x e claro Astonishing X-Men do Soule/Rosenberg.E editaram Guerra Civil 2 sem nenhum material dos comics issues de Iron Man e Capita Marvel os protagonistas.Simpson ate gostei.Empire para mim foi a revista que afundou as revistas de cinema,durou pouco e levou junto a Premiere.mais antiga

  12. Artur Martins diz:

    Alguém sabe dizer-me que revista da Panini Brasil tenho que adquirir para completar as histórias que ficaram em aberto devido à Goody não terminar as coleções?
    Obrigado.

  13. Rodrigo diz:

    E como ficam os milhares de assinantes das revistas que foram lesados? Alguma informação sobre o que é possível fazer?

  14. Hugo Jesus diz:

    Pode-se enviar os pedidos de créditos ao director da insolvência:
    Nome: Raul de Dios Gonzalez Benito
    Morada: Rua Padre Américo, 7 B, 1º direito
    Lisboa, Lisboa 1600-548
    Portugal
    E-mail: raul.d.benito@aj.caaj.pt
    Telefone: 215915800

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