Central Comics

Notícias, críticas e novidades de banda desenhada, cinema, séries, animação, videojogos e cultura geek desde 2001.

Crítica | Ikatan Darah: Iko Uwais produz novo filme de artes marciais

Iko Uwais, o actor e lutador conhecido pelo seu papel em The Raid, e outros filmes, produz Ikatan Darah, passando a tocha para um novo cineasta, no cinema de acção indonésio.

Quando The Raid estreou em 2011, provocou uma pequena revolução no cinema de género indonésio. Iko Uwais tornou-se uma estrela do cinema de artes marciais, depois de vários anos também dedicado à coreografia de combates, e o filme – ultraviolento, de narrativa aparentemente directa – redefiniu aquilo que imaginávamos poder ser o futuro dos filmes de ação. A sua sequela, estreada em 2014, adotou uma abordagem mais ambiciosa e profunda, sem poupar o espectador ao sangue e ao espetáculo; limitou-se a acrescentar uma narrativa mais complexa à fórmula. Pouco mais de uma década depois, Uwais abriu a sua nova produtora e Ikatan Darah marca a sua estreia como produtor executivo, numa tentativa de dar a novos cineastas a oportunidade de contarem as suas histórias.

Proteger a família, custe o que custar

Realizado por Sidharta Tata, Ikatan Darah acompanha Mega (Livi Ciananta), uma jovem ex-atleta de artes marciais cuja carreira terminou após uma grave lesão no ombro. Quando o seu irmão, Bilal (Derby Romero), se vê em apuros depois de matar e roubar uma figura importante do crime local, os dois passam a ser perseguidos por vários criminosos sedentos de vingança e determinados a recuperar o dinheiro desaparecido.

Ikatan Darah não nos lança imediatamente para a violência esperada de um filme do género. Pelo contrário, aproveita bem as suas duas horas de duração, não só para estabelecer as personagens, mas também para desenvolver a sucessão de acontecimentos que as conduz ao momento mais difícil das suas vidas. A partir daí, todas as cartas ficam em cima da mesa e o filme transforma-se numa locomotiva imparável, com sequências impressionantes umas atrás das outras, enquanto Mega e Bilal, juntamente com a amiga Dini (Ismi Melinda), lutam pela sobrevivência.

Enfrentar os criminosos, num espetáculo impressionante e violento, produzido por Iko Uwais

Os inimigos do outro lado não facilitam. Tata define, juntamente com Rifki Ardisha, responsável pelo argumento, uma estrutura que aumenta progressivamente o grau de dificuldade ao longo do filme. Cada adversário possui pormenores próprios que o tornam perigoso de forma distinta, compondo uma galeria de vilões verdadeiramente implacáveis. É absolutamente impressionante a forma como todas as coreografias encaixam na perfeição. Ver este talento marcial demonstrado a tal nível – apoiado por uma vasta equipa técnica, duplos e pela magia do cinema – resulta em algo verdadeiramente inigualável.

Naturalmente, haverá comparações com The Raid e com a vasta seleção de filmes que nasceu desse fenómeno. Porém, é na sua relativa complexidade emocional que Ikatan Darah se distingue. Aqui, as personagens são levadas ao limite para protegerem as suas famílias, elevando consideravelmente as apostas dramáticas. A ação é captada de muito perto, fazendo-nos sentir cada golpe no grande ecrã.

Assim, Ikatan Darah é um dos grandes filmes de ação a sair da Indonésia e deverá conquistar um público específico: sobretudo os espectadores que procuram algo mais do que um simples filme de artes marciais. É uma obra que alia um conflito familiar concreto a combates brutais e engenhosamente encenados, sem perder o ritmo nem a urgência. Elevado pela sua componente violenta e visceral, torna-se numa verdadeira experiência de sessão da meia-noite.

Nota Final: 8/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights