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CRÍTICA | A REVOLTA (THE UPRISING)

Andrew Garfield volta aos dramas históricos com “A Revolta”, um retrato histórico de um agricultor que se torna líder de uma revolução.

Alegadamente, este momento histórico terá dado origem à lenda de Robin Hood e chegou mesmo a ter o seu nome no título original. No entanto, com a quantidade de filmografia contemporânea dedicada à personagem, rapidamente regressou ao título “A Revolta”.

Passado em 1381, o jovem rei de 14 anos, Ricardo II, vive aterrorizado por pesadelos sobre os domínios que assombram o seu reinado. Por isso, oferece ao seu Conselho liberdade para tomar decisões sem a sua confirmação. Seguem-se, então, as expectáveis escolhas políticas: aumentar os impostos em benefício da Coroa até ao ponto em que a bolha inevitavelmente rebenta.

Ploughman (Andrew Garfield), um agricultor solitário e sem nome que perdeu toda a família durante a Peste Negra, revolta-se contra as exigências financeiras do seu conde e acaba por inspirar um reino inteiro a revoltar-se contra o rei.

Recheado de ação, o filme parte numa viagem pedonal ao lado dos manifestantes que desejam simplesmente falar com o seu rei e explicar o que realmente se passa por trás da sua Corte.

Intercalado entre os revoltosos sanguinários, os manifestantes pacíficos e a Corte, o filme deambula entre várias personagens, das quais, infelizmente, nunca nos dá informação suficiente.

É um filme que parte do princípio de que o espectador já conhece este tipo de história heróica e dramática. Prende-se às habituais falas filosóficas e ativistas do género e peca por não desenvolver verdadeiramente nenhuma das suas personagens, impossibilitando tanto uma abordagem histórica fiel como qualquer ligação emocional com o espectador. O agricultor sem nome termina praticamente a sua jornada como começou, tal como os seus novos companheiros, dos quais sabemos muito pouco.

Além disso, a excessiva fotografia tremida, deselegante e indecisa distrai completamente da maioria dos diálogos. Momentos sem qualquer ponto de ação relevante, para além do que decorre em segundo plano, são constantemente filmados com movimentos compulsivos de câmara e zooms aleatórios, de gosto bastante duvidoso.

É uma estética conhecida do realizador desde a trilogia “Bourne”, talvez influenciada pela falta de tempo e orçamento, ou pela necessidade de gravar os diálogos em poucos planos. Uma última opção pouco provável, dado o elenco incrível, que já demonstrou amplamente as suas competências em obras anteriores — Jamie Campbell Bower, Stephen Dillane, Tom Hollander, Thomasin McKenzie, Katherine Waterston, entre outros.

Por fim, “A Revolta”, cujo tema tem claras ressonâncias com a atualidade, acaba por deixar os espetadores mais revoltados com a sua falta de estrutura narrativa, uma fotografia pouco conseguida, um final sem paraquedas e um grupo de incríveis atores que parece não saber o que fazer com os diálogos fracos que lhes foram entregues.

Em suma, trata-se certamente de um momento histórico relevante e interessante a conhecer, mas que terá métodos existentes muito mais eficazes na sua abordagem.

Nota Final: 4/10

Tiago Ferreira

Sempre à espera de mais recomendações com esperança que a sua watchlist nunca acabe.
Operador de Câmara & AC Profissional.

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