Cinema: Crítica – O Tempo Contigo

O ano de 2019 em termos de animação japonesa (ou anime, como irei chamar daqui em adiante), foi um belo ano tanto para o Japão, como para Portugal. Em termos cinematográficos, o Japão recebeu filmes como Fate/Stay Night: Heaven’s Feel II, Lost Butterfly, Promare e o filme aqui criticado, Weathering With You, que na versão portuguesa recebeu o título de O Tempo Contigo. Por outro lado, Portugal recebeu filmes como Dragon Ball Super: Broly e One Piece Stampede: O Filme e, na televisão, recebeu o remake de Capitan Tsubasa e My Hero Academia. No entanto, 2020 em termos de anime, começa com os filmes Ni No Kuni e Dragon Quest: Your Story no Netflix e, nos cinemas tal como disse anteriormente, temos O Tempo Contigo. Será este o melhor filme para começar o ano cinematográfico em termos de anime?

A premissa de O Tempo Contigo começa por parecer um clichê: rapaz foge de casa e rapaz conhece rapariga. Mas, é nesse momento que a história dá uma volta de 180º. A realidade é que a vida de Hodaka (o rapaz) muda por completo ao conhecer Hina (a rapariga), que tem um poder fantástico. Enquanto vivem debaixo de uma cidade de Tóquio onde chove todo o dia e todos os dias, Hina consegue clarear pequenas partes da cidade, já que se trata de uma rapariga-sol. É certo que irão existir consequências, mas, sem querer falar muito sobre a história do filme, digamos que a forma como exploram o poder de Hina é bem conseguida e que nos prende ao ecrã no momento em que o começamos a presenciar. Além de que, claramente vai fazer muitos dos espectadores saírem da sala em lágrimas ou com situações a refletir.

Em termos de animação e visuais tenho que admitir, fiquei completamente boquiaberto com o que vi. Sabia perfeitamente que se tratava de um filme de elevados custos na animação, já que o anterior filme de Makoto Shinkai (Your Name) tinha sido absurdamente bom no campo visual. No entanto, aqui Shinkai sobe a parada. É surreal estarmos a ver um filme completamente animado em 2D e repararmos em pormenores como a chuva a cair e ao acontecer um close-up durante o filme ficarmos a pensar “trata-se de uma imagem real de chuva a cair e a bater na calçada ou é uma animação?”. Além disso, as animações das personagens estão a um nível completamente diferente. As expressões, as reações, tudo! É realmente uma obra-prima a nível técnico, como Shinkai já nos tinha habituado com todos com os seus filmes anteriores. Convém, também, salientar que o estúdio responsável pela animação foi o CoMix Wave Films que, já dá cartas desde 2007 por altura do lançamento de 5 Centimeters Per Second. Pode ser um estúdio com tendência a fazer poucos projetos, mas, quando os fazem são obras de arte deliciosas.

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Por outro lado, a música não podia estar mais no ponto e, em harmonia com o filme. Os RADWIMP estão realmente de parabéns quanto à banda sonora. Confesso que nunca tinha ouvido nada deles até ter visto o filme, mas, apaixonei-me por completo. Há músicas para todos os gostos. Tanto há músicas tristes e sentidas, como músicas que nos alegram por completamente quando as ouvimos, além de músicas com um tom mais épico. E cada música é aplicada no momento correto e na medida necessária. Por exemplo, aquando de uma situação relacionada com Hodaka começa a tocar uma música chamada “Voice of Wind” e que, mostra a felicidade da personagem em todo o seu esplendor. É algo fantástico de se ouvir e apreciar ao longo da película.

Resta concluir que, O Tempo Contigo é um filme de anime com as medidas certas. Atrevo-me a dizer que, faz parte da elite de filmes de anime que merecem ser vistos mais do que uma vez. E se é este o tipo de filme de anime que chega a Portugal em 2020, prevejo que teremos um futuro risonho quanto ao gênero de filme.

Nota Final: 10/10

O Tempo Contigo estreia a 20 de fevereiro nas salas  de cinema portuguesas

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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