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Jogos: Chainstaff – Análise

Chainstaff mistura acção brutal, metroidvania e heavy metal visual, mas nem sempre transforma as boas ideias numa experiência verdadeiramente memorável.

Chainstaff

Jogo: Chainstaff
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Mommy’s Best Games
Editora: Mommy’s Best Games

Chainstaff

Há jogos que entram em cena com uma identidade tão vincada que é impossível ignorá los, e Chainstaff é um desses casos. A nova proposta da Mommy’s Best Games chega com uma energia caótica, quase punk, a meio caminho entre Contra, Mega Man e Bionic Commando, embrulhada numa estética de capa de álbum metal dos anos 80. À primeira vista, o impacto é forte, e durante as primeiras horas há mesmo aquela sensação de estar perante um cult instantâneo. O problema é que, passada a novidade inicial, a experiência revela algumas fricções que impedem o jogo de atingir todo o seu potencial.

O grande trunfo está, sem dúvida, na arma que dá nome ao jogo. A ChainStaff é uma ferramenta multifunções com uma profundidade mecânica impressionante. Serve de projéctil, gancho, escudo improvisado e até plataforma suspensa no ar. É aqui que o jogo mais brilha, porque a mobilidade tem um fluxo muito próprio, quase orgânico, que recompensa timing, leitura do cenário e domínio do momentum. O esquema de três botões é simples, mas engana, porque por baixo dessa simplicidade existe um skill ceiling bastante elevado. Quando tudo encaixa, atravessar uma secção a balançar, disparar no ar e cravar a staff num ponto estratégico sabe genuinamente bem.

Chainstaff

Também o level design mostra ambição. Os mapas são desenhados à mão, cheios de caminhos alternativos, segredos e pequenos bloqueios típicos de uma estrutura metroidvania. O backtracking é suavizado pelos checkpoints com warp, uma decisão inteligente que evita transformar a exploração em puro desgaste. Visualmente, os biomas alienígenas têm personalidade, com fundos psicadélicos e menus que piscam aquele charme retro de DVD e interfaces de PC antigos. Há estilo, muito estilo.

Mas nem só de estilo vive um jogo. O combate, apesar de funcional, nem sempre acompanha a qualidade da movimentação. Há momentos em que eliminar inimigos parece quase opcional, e não no bom sentido. Como muitas vezes não existe recompensa tangível por limpar a área, a solução mais eficiente acaba por ser simplesmente avançar a toda a velocidade. Isso retira peso ao loop de acção e deixa algumas secções com um ritmo irregular. Os bosses, por outro lado, recuperam parte desse brilho, surgindo mais como puzzles mecânicos de grande escala do que simples esponjas de dano, e são facilmente dos melhores momentos da campanha.

A narrativa série B de ficção científica, com escolhas entre salvar soldados ou sacrificar a humanidade do protagonista, acrescenta um layer interessante, embora nem sempre profundamente explorado. A ideia resulta melhor no conceito do que na execução, ainda que os múltiplos finais ajudem à rejogabilidade.

Chainstaff

Em conclusão, Chainstaff é um jogo cheio de personalidade, ideias fortes e mecânicas realmente criativas, mas também algo inconsistente. Tem momentos excelentes, porém nem sempre consegue sustentar o entusiasmo ao longo das cerca de sete horas de campanha. É um título que se admira mais do que se ama.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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