BD: Crónica – Conan, o Bárbaro

CONAN THE BARBARIANO que leva alguém a ler Conan? Estamos a falar de uma personagem masculina, musculada, que vive constantemente à porrada com tudo o que se mete no caminho dele, incapaz de se fixar num local, num grupo ou num exercito – um nómada por natureza – e que habitualmente conquista as mulheres mais bonitas (este último ponto talvez conquiste alguns leitores masculinos ultra-heterossexuais …)[fbshare]

Mas o que eu quero dizer com isto é que ele não é uma personagem profunda e cheia de nuances emocionais, que nos agarra por sentirmos alguma empatia por ele ou pelas situações que vivência.
O que podemos dizer é que o Conan é o Conan!
Não teve um trauma de infância, nem foi picado por uma abelha mágica, não tem super poderes e não é um génio.
Vive numa terra que nunca ouvimos falar entre animais selvagens e domésticos, espadas, canecas de cerveja, mulheres bonitas e estrume.
CONAN THE BARBARIANEle tem aventuras, bebe uns copos e dorme com umas mulheres. Além disso viaja por terras e sítios diferentes e luta com exércitos e monstros nunca antes vistos (e ganha sempre).
Agora fui um bocado repetitivo, não fui?

É que me parece mais fácil abordar esta personagem (e as suas revistas) falando do que o Conan não é.
Além de tudo o que eu mencionei antes, também se pode dizer que as revistas com esta personagem são sempre muito divertidas de ler. Porque são sobre as suas aventuras, e quem é que não gosta de ler uma boa aventura?

CONAN THE BARBARIAN, escrito por Brian Wood (@brianwood) é a melhor série desta personagem a ser editada actualmente, e a melhor em muitos anos. Isto porque Wood conseguiu surpreender na abordagem que fez ao Bárbaro da Cimeria quando lhe adicionou 3 elementos distintivos:
– As historias ocorrem durante a juventude desta personagem
– Bêlit – “Queen of the Black Coast”
– O mar

CONAN THE BARBARIANSomos surpreendidos com um Conan jovem e inexperiente, acabado de sair da sua aldeia e que se apaixona por Bêlit , – (quem é que não se apaixona pela Bêlit desenhada por Becky Cloonan?) – a capitã do navio Tigress, e que obriga Conan a viver num ambiente diferente do habitual: no alto mar – longe de ter os pés bem assentes em terra.
Com estes elementos, esta personagem passou a ter maior profundidade e interesse: já não são apenas as lutas e aventuras que nos levam a ler. Agora queremos saber como Conan cresce e ganha mais experiência, como lida com o mundo desconhecido, como vive com a Bêlit , de que forma Bêlit marca a vida de Conan e como se vão separar (Inevitavelmente vão separar-se, mas isso ainda não foi abordado de forma definitiva por Brian Wood).
Além disto, esta relação adiciona outro elemento incomum à vida do Conan: o Medo! A relação entre estas duas personagens é tão intensa que vemos esta personagem pela primeira vez desamparada e com medo de um futuro sem Bêlit – a outra série a ser editada actualmente chama-se KING CONAN: THE HOUR OF THE DRAGON e aborda um pouco o que acontece ao Bárbaro após o período em que vive com Bêlit .
CONAN THE BARBARIANJá repararam que mencionei muitas vezes o nome da Bêlit ? (8 vezes…) Ela é arrebatadora e imensa!
O primeiro arco desta nova serie é desenhado por Becky Cloonan (@beckycloonan) e são certamente poucos os elogios que se podem dar a esta artista pelo magnifico trabalho que realizou.
Os desenhos dela ajudaram a definir as novas historias desta personagem!
Entretanto a revista mudou de desenhador, mas muito tempo depois ainda não é possível esquecer Cloonan. Na realidade não é possível esquecer qualquer coisa em que Becky Cloonan toque, seja a desenhar ou a escrever.
Mas agora vamos apenas falar dos seus desenhos. Ou se calhar, vamos apenas olhar para as imagens que estão aqui ao lado 🙂
São agradáveis, não são?

  Jeff Kinney regressa a Portugal numa digressão europeia!

CONAN THE BARBARIANBrian Wood tem por habito mudar regularmente de artistas e aproveita a mudança de arco para o fazer. Este é um hábito em quase todos os seus trabalhos e que tem alguns inconvenientes. No caso da mudança de artista em CONAN THE BARBARIAN ficamos com ideia que todos os artistas que sucederam a Cloonan não conseguiram atingir o nível de mestria a que nos habituámos nas primeiras revistas. Não estou a dizer que a arte desta revista seja má, porque qualidade não falta a este título, mas acaba por ser muito difícil não cair na tentação de comparar as páginas excepcionais das primeiras revistas com o trabalho, muito meritório, dos artistas que se seguiram. Suponho que a melhor atitude é não entrar em comparações.
Esta série, como quase sempre, esta dividida em arcos de histórias. Neste caso os arcos não são muito grandes, em alguns casos são de apenas 2 ou 3 revistas, e nota-se que tudo faz parte de algo muito maior e que ainda não foi revelado.
Segundo Brian Wood, CONAN THE BARBARIAN está pensada para ser uma maxi-série com cerca de 24 revistas. Em Julho ainda vamos no #18, ainda é cedo para começar a lamentar o fim, mas não é tarde para começar a ler em TPB ou em comic mensal.

E tu já leste esta serie? Partilha connosco a tua opinião!

Actualmente a Dark Horse edita 2 revistas com esta personagem: CONAN THE BARBARIAN escrita por Brian Wood e desenhada por Davide Gianfelice, e KING CONAN: THE HOUR OF THE DRAGON, escrita por Timothy Truman e desenhada por Tomás Giorello. Dentro de alguns meses vai também ser editada uma mini-série chamada: CONAN AND THE PEOPLE OF THE BLACK CIRCLE, escrita por Fred Van Lente e desenhada por Ariel Olivetti.

Nelson Vidal @nelsonvidal12

Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

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13 Responses

  1. João diz:

    Pena não ser lançada em Portugal. O Brasil que as envie para cá.

  2. Fábio Ribeiro diz:

    compra em ingles X-)

  3. Manuel diz:

    O Brasil nao tem mas a Devir tem ou tinha direitos sobre o Conan em 2006.
    Eu tenho que ler,ja tenho os Comic issues aqui.

  4. Manuel diz:

    “, mas não é tarde para começar a ler em TPB ou em comic mensal.”

    Seria se a Dark Horse nao tivesse começado o tpb pelo 16 0u 17!!???

  5. Marlon Souza diz:

    Isso aí é lixo.Um Conan sentimental protagonizando histórias no estilo Crepúsculo em nada tem a ver com o verdadeiro Conan descrito no texto acima.Romances água com açucar,delicadeza e amor de conto de fadas é mais a cara dessa porcaria.Se os verdadeiros fãs do Cimério abraçarem essa idéia já posso acreditar que o personagem já era.Crom apodreça esse traço afeminado e arraste para o Arallu esse maldito simulacro emo !

  6. dacostajony diz:

    Não conheço esta versão de Conan da Dark Horse, apenas sei que a editora costuma ter muito respeito pelas personagens e costuma acertar nas histórias.
    Agora o bom bom seria ver alguns lançamentos de integrais do cimério da época de Busquema e outros. Por Crom seia uma das benções ver lançado em portuguêsas as primeiras edições do cimerio.uma vez que foram publicados pela Marvel quem sabe?

  7. Miguel Santos diz:

    Se me permitem, gostaria de “alertar” para dois erros, no artigo:

    “Mas o que eu quero dizer com isto é que ele não é uma personagem profunda e cheia de nuances emocionais, que nos agarra por sentirmos alguma empatia por ele ou pelas situações que vivência.”

    Conan não é, originalmente, uma personagem de Banda Desenhada.

    Foi criado pelo escritor Robert E Howard nos anos 30 e apareceu em cerca de 21 contos.

    A banda desenhada (da Marvel e Dark Horse) são adaptações desses contos e novas histórias que exploram a personagem e o universo criados por Robert E. Howard.

    Howard descreveu a personagem como um homem com “gigantescas melancolias e gigantescas gargalhadas”. Isso é patente nas histórias originais e em algumas adaptações para BD.

    Infelizmente, muitos dos autores da Marvel e Dark Horse (tal como os argumentistas dos filmes e jogos) optaram para uma versão unidimensional da personagem. Na realidade, Conan é uma personagem extremamente complexa, inspirada, entre outras coisas, nos exploradores britânicos do séc. XIX

    Os contos originais estão disponíveis online: http://en.wikisource.org/wiki/Author:Robert_Ervin_Howard

    “Somos surpreendidos com um Conan jovem e inexperiente, acabado de sair da sua aldeia e que se apaixona por Bêlit.”

    O Conan da Dark Horse é publicado desde 2004 (já se passaram quase dez anos). Na primeira história (em 2004), Conan é um jovem de 15 ou 16 anos, acabado de sair da aldeia.

    As histórias têm sido publicadas com seguimento cronológico e na altura em que Conan conhece Bêlit, já terá cerca de 20 anos.

    Portanto, a informação está incorrecta de acordo com a cronologia da Dark Horse e com a obra original de Robert E. Howard.

    Brian Wood e Becky Cloonan são uma dupla de peso. Não poderia concordar mais.

  8. Nelson Vidal diz:

    Pelos vistos o Cimerio tem muitos fãs lusófonos e as editoras estão a perder uma oportunidade de satisfazer os desejos dos portugueses e brasileiros 🙂

    De facto esta personagem já tem uma longa historia e, como em qualquer outra serie, nem sempre todos os fãs gostam do que leem. Mas não se pode acusar o Brian Wood de falta de coragem. O que ele tem escrito ao longo destes últimos meses tem sido substancialmente diferente daquilo que estávamos habituados e para mim tem sido o do melhor que já li.

    è um facto que o conan não acabou de sair da sua aldeia para descobrir o mundo, mas a forma como o Brian Wood aborda esta personagem leva-nos a vê-lo (em certos momentos) como um adulto em crescimento (mas não adolescente), e aqui devemos ter em conta aquilo que conhecemos do futuro dele.
    Efectivmente existe um longo caminho e uma grande diferença entre este Conan jovem e o Conan mais velho retratado em KING CONAN: THE HOUR OF THE DRAGON – devemos dar valor ao trabalho da Dark Horse que nos presenteia com estes 2 momentos da vida desta personagem

    Marlon Souza:
    este conan não tem nada de crepusculo 🙂 não é que eu tenha visto/lido alguma coisa dessa saga, mas este conan é uma personagem bem construída e intensa, que será mais sentimental do que as versões de outros escritores.

    também não nego que lhe falta um pouco mais de sangue e mulheres despidas, mas não se pode ter tudo – e posso muito bem admitir que um dos motivos que me levou a pegar neste titulo foram os desenhos de mulheres semi-nuas 🙂

    Miguel Santos:
    não conheço o que Robert E. Howard escreveu mas de certeza que não criou uma personagem unidimensional, caso contrario não teria chegado aos 80 anos com esta vitalidade:). Mas, durante algum tempo a característica mais visível desta personagem foi a sua virilidade e o seu amor pelas mulheres bonitas (e vice versa), Dai que o próximo autor a escrever regularmente está personagem vai ter um trabalho complicado.
    Brian Wood dá novos dimensões a esta personagem e mostra-nos facetas que não estávamos habituados a ver, isto torna a personagem muito mais interessante:)

    quem estiver interessado nesta nova faze do Conan escrita pelo Brian Wood deve começar no Volume 13, e a ultima revista será a numero 23 (anuncia na previews de Setembro)

  9. Mora diz:

    “Mas o que eu quero dizer com isto é que ele não é uma personagem profunda e cheia de nuances emocionais, que nos agarra por sentirmos alguma empatia por ele ou pelas situações que vivência.”

    … a partir desta frase este texto não merece ser lido, nem devia ter sido publicado. Acho que devias ler um bocadinho mais de conan antes de escreveres uma crónica sobre ele.

  10. Nelson Vidal diz:

    Mora:
    sugiro que leias o texto ate ao fim! 🙂 Vais ver que até tenho algum conhecimento da personagem e que gosto bastante do Conan. Mas nem sempre podemos concordar nas opiniões que temos sobre personagem com tanta historia.

    Não digo que o Conan não seja uma personagem com emoções, mas não é essa a sua principal característica.
    tb sugiro a leitura do meu comentario de 02 Setembro 2013 em 22:30

    Abraço!

  11. johndifo diz:

    Foi uma pena a Marvel ter vendido os direitos à Dark Horse. Sempre que vejo um omnibus da Marvel lembro-me que devia haver também para o Conan. Conan the Barbarian e Savage Sword of Conan em edições encadernadas e com bom papel era o que o personagem merecia e não aquelas porcarias em papel de jornal ou com recolorização estranha.
    Quem diz que a recolorização é necessária por causa das novas tintas e papeis, veja o que a Fantagraphics está a fazer com os classicos da Disney. Cores originais num papel mate fantastico. é caro, mas não é necessária mais nenhuma versão para o resto da vida.

  12. Nelson Vidal diz:

    johndifo:
    só tenho revistas do Conan, por isso não posso falar dos Trades, mas os comics tem bom papel e não me posso queixar disso. Alias a Dark horse é conhecida por fazer boas edições das suas obras. No entanto não conheço qq omnibus do Conan.

    Abraço e obrigado (a todos) pela participação

  13. Miguel Santos diz:

    Existem “omnibus” do Conan. Justamente do Conan the barbarian – a cores- e a Espada Selvagem. É a dark horse que está a publicar estes antigos comics da Marvel.

    Nelson Vidal:
    Tal como o verdadeiro Sherlock Holmes está nos contos de Arthur Conan Doyle, é nas páginas escritas por Rober Howard que está o verdadeiro Conan.

    Compreendo que o artigo é sobre o Conan da banda desenhada e, assim, estou mais de acordo.

    Wood está a adaptar o conto A Rainha da Costa Negra, um dos contos mais importantes. E é justamente aí que Howard demonstra um Conan pensativo e existencialista, quase gnóstico.

    A maior parte dos contos estão já publicados em português, se estiverem interessados.

    Não estou, com isto, a tirar valor às Bd – de que sou fã – nem da crónica. Muito pelo contrário.

    Obrigado pela resposta e pelo artigo.

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