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BD: Análise – O Mergulho (Ala dos Livros)

Há algumas semanas, ao desempacotar em casa algumas encomendas recebidas de diversas editoras nacionais, encontrei “O Mergulho” que resolvi colocar de parte – para o folhear com atenção, era inicialmente a minha ideia, mas logo resolvi que seria uma leitura para muito em breve.

O Mergulho - de Séverine Vidal e Victor PinelA disponibilidade para colocar a leitura em dia, na altura, não era muita, mas a belíssima capa e o título fizeram-me encontrar alguns momentos de sossego, daí por umas horas, para lhe dar prioridade. E foi lido de rajada.

Tem vindo a ser costume da Ala dos Livros presentear o público com uma bela e criteriosa selecção de obras, e o cuidado e consideração com que os leitores são tratados nota-se nos mais diversos pormenores que podemos observar nos livros: as capas duras, por vezes com pormenores de relevos, ou envernizadas (no caso deste livro, selectivamente, fazendo-o apresentar-se quase como estando envolto em água), o já famoso “selo branco” no interior da obra, com o logótipo da AL, a qualidade do papel, o cuidado com as traduções e a revisão, a simplicidade de deixar que a obra fale por si, com um ar “limpo” em termos de design, exterior e interior.

“O Mergulho” é um livro de capa dura, com formato franco-belga, e 80 páginas de uma história envolvente e nostálgica.

O Mergulho - de Séverine Vidal e Victor PinelSobre os autores não sabia quase nada, e sobre a obra também não. Não tendo tido muito tempo para me inteirar do que aí vem em termos de lançamentos por parte da Ala dos Livros, é sempre uma boa experiência encontrar assim obras que apetece logo colocar no cimo da lista de leituras. Prefiro até, aliás, quando decido ler um livro (ou até mesmo um filme, ou uma série, por exemplo) saber o mínimo possível sobre o que me aguarda no seu interior. Por vezes esperam-nos belíssimas surpresas, assim.

Ao ler a breve sinopse que se encontra na contracapa (e, deste modo, sem estragar a surpresa ao futuro leitor que se depare com esta análise), verificamos que a história que espera por nós no interior é a de uma senhora idosa, Yvonne, e de uma nova etapa da sua vida: possivelmente a última. Ficamos a saber que a mudança lhe é dura porque, embora pela sua idade naturalmente esteja próxima do final da sua história, está ainda lúcida e independente, e deixa para trás uma vida longa e a sua casa de 40 anos. Ficamos também a saber que vamos ver uma sua aventura. Um último “mergulho”? Até quando teremos tempo, vontade, oportunidade, para mais um?

O livro começa com uma mudança de vida, e um acto de amor. Livro dentro, vamos vivendo e lembrando, com Yvonne, uma vida plena, o amor pela família, o grande amor pelo marido, que partiu antes, e as saudades que tem dele, da sua casa – mas também novas amizades, uma nova rotina, e uma nova paixão.

O revolver da vida apresenta também a Yvonne algumas dificuldades, naturalmente: o esquecimento próprio da idade, a diferença de um corpo que resolveu envelhecer sem grande aviso, a saudade de uma longa história de vida. A nostalgia envolve o leitor, e deixa-nos a reflectir um pouco sobre o que se leva da vida, no final, mas também sobre como tratamos aqueles que estão mais próximos dela do que nós.

O Mergulho - de Séverine Vidal e Victor PinelQuando esperamos que o ser humano desista de si, da sua felicidade, de viver e sentir, da rotina de décadas, da sua lucidez?

No final, uma última aventura. Yvonne assim o decide. Porque, afinal de contas, Yvonne está viva, é uma pessoa, ainda sente.

No final, como no princípio, a água – esperamos que esta nos silencie, por fim, sentados num cadeirão, de mãos juntas, ou aproveitamos para mais um mergulho?

O MERGULHO tem o argumento de Séverine VIDAL e desenhos de Vitor PINEL. É um livro de 80 páginas, a cor e capa dura. Saiu em Julho de 2022.

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