Central Comics

Notícias, críticas e novidades de banda desenhada, cinema, séries, animação, videojogos e cultura geek desde 2001.

Análise | Clive Barker’s Hellraiser: Revival – O inferno está nos detalhes

Hellraiser: Revival leva o horror de Clive Barker às consolas atuais, mas a atmosfera perturbadora não esconde as falhas de combate e os bugs.

Hellraiser: Revival

Jogo: Clive Barker’s Hellraiser: Revival
Disponível para: PC, PlayStation 5,Nintendo Switch 2,Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Saber Interactive
Editora: Saber Interactive

Hellraiser: Revival
Há licenças de terror que parecem feitas para os videojogos, mas poucas carregam uma identidade tão própria como Hellraiser. Com Clive Barker envolvido e Doug Bradley de regresso à voz de Pinhead, Hellraiser: Revival percebe o que torna este universo tão desconfortável. O problema é que a atmosfera infernal convive com falhas que tornam a experiência bem mais dolorosa do que devia.

A história acompanha Aidan Lynch, médico e membro de um gangue de motards, que vê a namorada Sunny ser levada pelos Cenobitas depois de ambos abrirem a Configuração Genesis. A partir daí, atravessamos clubes noturnos, caves e esgotos, até à descida ao Labirinto, enquanto Aidan tenta negociar com forças que não distinguem propriamente prazer de sofrimento. Pelo caminho, a Igreja Escarlate, um culto liderado pelo extravagante Marlowe, acrescenta uma ameaça humana particularmente sórdida.

Hellraiser: Revival

Revival não tenta suavizar o material de origem. A nudez, a violência gráfica e as imagens de mutilação surgem desde cedo, sem grande preocupação em tornar o jogo confortável para todos. Esta frontalidade faz sentido num universo onde o horror corporal e a perversidade são parte da linguagem, embora algumas situações pareçam existir apenas para chocar. Ainda assim, quando a realização acerta, os cenários têm uma identidade perturbadora e o regresso de Doug Bradley ajuda a dar autenticidade a Pinhead.

A estrutura é familiar: explorar, procurar recursos, combinar munições, gerir o inventário e resolver puzzles de chaves e mecanismos. A Configuração Genesis é a melhor ideia de Revival. Além de manipular elementos do cenário para abrir caminho, permite transformar objetos cortantes em projéteis sobrenaturais, despedaçando inimigos de forma tão grotesca quanto satisfatória. As perseguições com o Chatterer, sobretudo no Labirinto, também encontram o ritmo certo, com a criatura a surgir inesperadamente e a obrigar-nos a mudar de direção. São momentos em que o jogo deixa de parecer um survival horror genérico e começa, finalmente, a ser Hellraiser.

Hellraiser: Revival

Infelizmente, o combate convencional fica muito aquém. As armas de fogo não transmitem impacto, os inimigos absorvem demasiados disparos e as armas brancas parecem frágeis, partindo após poucos golpes. Os diálogos repetitivos dos cultistas também retiram tensão aos encontros. A campanha demora a chegar às melhores secções, enquanto certos confrontos com bosses e segmentos furtivos prolongam artificialmente o percurso.

Na Switch 2, estes problemas são agravados pela execução técnica. A iluminação e o detalhe dos ambientes impressionam em alguns espaços, mas o jogo aponta aos 30 fotogramas por segundo e sofre quebras nas cenas mais exigentes. Há texturas que aparecem tarde e modelos com erros visuais bastante evidentes. Mais grave, a câmara responde de forma errática aos movimentos diagonais do analógico direito, mesmo com a sensibilidade no máximo. Encontrei ainda um bloqueio de progressão após uma perseguição com o Chatterer, sem indicação para sair da sala, que impede continuar a aventura.

Hellraiser: Revival

Hellraiser: Revival tem boas ideias, respeita a identidade de Clive Barker e oferece alguns dos seus melhores momentos quando nos deixa à mercê do Labirinto. Mas o combate sem peso, o ritmo irregular e, sobretudo, os bugs impedem-no de cumprir a promessa. Os fãs mais dedicados poderão encontrar aqui um pesadelo com potencial, mas neste estado é difícil recomendá-lo sem reservas. Esperemos que uma atualização trate do que não devia ter escapado à Configuração Genesis.

Nota: 5,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights