Análise | Tormented Souls 2 – O Terror à Antiga continua vivo
Tormented Souls 2 leva o terror de sobrevivência clássico à Nintendo Switch 2, com puzzles exigentes, atmosfera sufocante e uma adaptação técnica competente.
Jogo: Tormented Souls 2
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5,Nintendo Switch 2, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Dual Effect
Editora: PQube
Tormented Souls 2 sabe exactamente a quem quer assustar. A sequela da Dual Effect é uma carta de amor ao survival horror da era PS1 e PS2, quando ângulos de câmara fixos e munições contadas definiam a experiência. As referências a Resident Evil e Silent Hill são evidentes, mas não se resumem à nostalgia: há uma identidade própria, construída com violência grotesca, sustos bem colocados e uma atmosfera que raramente deixa o jogador confortável.
Depois dos acontecimentos no hospital Wildberger, Caroline Walker procura ajuda para a irmã Anna, atormentada por apagões e visões que transforma em desenhos assustadoramente reais. A viagem até Villa Hess, uma localidade isolada nas montanhas do Chile, depressa se transforma num pesadelo, quando Anna desaparece e o retiro revela uma realidade sinistra. A narrativa nem sempre surpreende e depende de diários e notícias, com documentos localizados em português, mas está bem entranhada nos cenários. Há figuras memoráveis, incluindo uma presença em cadeira de rodas que se move de forma impossível. Caroline também surge menos sexualizada do que no original, com o trauma a ganhar peso no retrato da protagonista.
A escala cresceu em relação ao primeiro jogo. O convento de Villa Hess é um espaço opressivo e complexo, ligado a ruas isoladas e a zonas com histórias próprias, transformando o mapa num labirinto que recompensa a memória e a curiosidade. Os cenários destacam-se pelos pormenores e iluminação espectral, enquanto as transições para o Outro Lado perturbam a realidade sem depender de sequências cinematográficas. Em contraste, os modelos das personagens não têm o mesmo detalhe, uma diferença que se nota nos planos mais próximos.
A exploração vive de puzzles inventivos. Em vez de obrigar sempre à procura do objeto exato, o jogo permite soluções lógicas, como partir um cadeado com um martelo. A abordagem torna o mundo mais coerente, embora os enigmas e caminhos cruzados possam travar o ritmo. O combate recebe novas armas brancas, mantendo clássicos como a pistola de pregos e a caçadeira. A seleção rápida de armas e fontes de luz facilita a gestão do equipamento.
Nem todas as escolhas resultam tão bem. A mecânica da escuridão regressa e obriga Caroline a gerir o isqueiro e a acender velas, sob pena de morrer se ficar demasiado tempo sem luz. A ideia reforça a tensão, mas pode tornar-se repetitiva. Os ângulos fixos criam imagens excelentes, embora as transições de câmara por vezes baralhem a direção da corrida, um problema irritante durante perseguições e combates contra bosses. Os novos inimigos, como a Iron Maiden e o inquietante Harvester, apostam na surpresa e no desconforto.
O som faz grande parte do trabalho: música discreta, ruídos ambientais e silêncios prolongados mantêm Villa Hess ameaçadora. Nas salas seguras, é preciso gastar fitas para guardar o progresso, enquanto Caroline relata em voz alta o que viveu. São detalhes que reforçam o charme retro, tal como a possibilidade de mudar de roupa nestes espaços.
Na Nintendo Switch 2, Tormented Souls 2 revela-se uma adaptação convincente, com bom desempenho e visuais impressionantes tanto na televisão como no modo portátil, sem cortes relevantes no conteúdo. A sequela não elimina todas as arestas do género, mas combina puzzles sólidos, exploração interligada e terror psicológico com personalidade. Para quem sente falta do survival horror clássico, esta viagem vale o susto.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




