Análise | Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition – Lutar nunca foi tão acessível
Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition chega ao Switch 2 com 40 personagens, todo o DLC e uma adaptação sólida do excelente fighting game.
Jogo: Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Arc System Works, Cygames
Editora: Cygames
Granblue Fantasy Versus: Rising já era um dos fighting games mais acessíveis da actualidade, mas a Legendary Edition chega com uma vantagem difícil de ignorar, é a versão mais completa da experiência e assinala ainda a estreia da série nas plataformas Nintendo, neste caso no Switch 2. Com 40 personagens disponíveis desde o início, incluindo nomes como 2B de NieR: Automata e Id, adicionado no Update 2.60, estamos perante um pacote que praticamente não deixa nada por comprar.
Em combate, o jogo continua a encontrar um equilíbrio raro entre acessibilidade e profundidade. O ritmo é deliberado, os timings são generosos e os combos longos não exigem o mesmo grau de execução de outros títulos do género. O esquema Standard acaba por ser a melhor escolha, sobretudo porque os golpes básicos são fáceis de executar e causam bom dano. Existe ainda o modo Smart, pensado para principiantes, embora as penalizações online, com menos vida, dano reduzido e menor geração de super meter, façam sentido para evitar desequilíbrios.
A grande identidade mecânica está no sistema de cooldowns. Os ataques especiais funcionam como habilidades de um RPG, com golpes mais simples a recarregarem depressa e os mais fortes a exigirem maior gestão do recurso. Depois temos a barra Celestial Art, usada para versões EX e Skybound Arts, com direito a finalizações cinematográficas quando o adversário está perto do fim. Os Bravery Points acrescentam mais uma camada de decisão, permitindo quebrar a defesa ou prolongar sequências.
Fora do versus tradicional, Rising apresenta uma quantidade impressionante de conteúdo. O Story Mode mistura visual novel com combates e junta três arcos narrativos, embora seja uma versão bastante simplificada do antigo RPG Mode. Arcade, Survival, galeria, journal, lobbies interactivos e, sobretudo, o Grand Bruise Legends!, uma espécie de Fall Guys dentro do universo de Granblue, ajudam a evitar que o jogo se torne numa sucessão interminável de combates.
No Switch 2, a conversão é competente. Os 30 FPS são sólidos em modo portátil e dock, mantendo a direcção artística cel shaded sem grandes compromissos visuais. O rollback netcode e o crossplay com PC e PlayStation também garantem uma componente online robusta. O VS Gyroscope é engraçado durante cinco minutos, mas rapidamente passa de novidade a gimmick.
Convém dizer que, porém, nem tudo funciona ao mesmo nível. As cenas de diálogo do Story Mode apresentam aliasing e animações com framerate baixo, enquanto a localização em português do Brasil, apesar de natural em vários momentos, tem erros e traduções literais que chegam a alterar o contexto. A ligação inicial aos servidores é demasiado lenta e existem ainda raros freezes ao sair de menus online, além de um comportamento irritante ao colocar a consola em repouso com ligação à Internet.
Resta concluir que, Granblue Fantasy Versus: Rising Legendary Edition consegue aquilo que poucos fighting games alcançam, ser acessível sem parecer simplista e profundo sem exigir um mestrado em jogos de luta. Para quem chega agora ao género, é uma excelente porta de entrada, enquanto os veteranos encontram um sistema suficientemente rico para justificar dezenas de horas.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




