Análise | LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight – Gotham em peças
LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight reinventa a fórmula da TT Games com humor, combate Arkham e uma Gotham de mundo aberto.
Jogo: LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight
Plataforma Disponível: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: TT Games
Editora: Warner Bros. Games

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight faz algo capaz de levar qualquer fã à loucura. O jogo pega em quase 90 anos de Batman e transforma essa herança numa aventura coesa, divertida e surpreendentemente ambiciosa. Depois da estreia nas consolas de mesa e PC, chega à Nintendo Switch 2 num port que, apesar de alguns compromissos técnicos, consegue preservar grande parte da experiência.
A campanha acompanha Bruce Wayne desde a infância marcada pela tragédia até à transformação no maior detective do mundo. Em vez de saltar entre histórias sem grande ligação, existe um prólogo prolongado e seis capítulos que cruzam décadas de banda desenhada, televisão e cinema. O resultado é uma espécie de carta de amor ao personagem, mas com uma estrutura mais próxima de uma aventura tradicional.
Essa abordagem é reforçada pela forma como os conteúdos são recriados. Há elementos de The Batman, da trilogia de Christopher Nolan, dos filmes de Tim Burton, da fase mais extravagante de Batman Forever e Batman & Robin, da série de 1966 e de Batman: The Animated Series. Momentos como o treino com Ra’s Al Ghul, a origem de Robin através dos Flying Graysons ou o desfile do Joker de Batman ’89 ganham nova vida, sempre filtrados pelo humor visual da LEGO.
E humor não falta. O argumento acerta ao apresentar um Batman com mais personalidade e até com capacidade para fazer piadas. As referências a Taken, American Psycho ou a um sketch de Limmy mostram que os escritores não se limitaram aos piscadelas óbvias. Há uma boa dose de absurdo, mas quase sempre com timing suficiente para funcionar.
Na jogabilidade, a fórmula clássica continua intacta, plataformas simples, puzzles, destruição de objectos e toneladas de studs. A diferença está no combate, claramente inspirado em Batman: Arkham. Ataques, contra ataques, esquivas e combos transformam os confrontos em algo mais fluido, enquanto inimigos com escudos, bastões ou ataques de carga obrigam a variar a abordagem. O Focus Gauge acrescenta outro nível, permitindo executar super ataques e recuperar um coração de vida.
A selecção de personagens também merece destaque. Batman, Gordon, Catwoman, Robin e Batgirl formam um elenco mais pequeno, mas muito mais funcional, já que cada um traz gadgets próprios e utilidade real para os puzzles. O sistema de troca instantânea e o suporte para cooperativo local tornam estas diferenças ainda mais importantes. E sim, a presença de Bane com a voz de Matt Berry é tão divertida quanto parece.
Mas é Gotham que transforma este jogo numa experiência maior. O mundo aberto está recheado de crimes aleatórios, desafios do Riddler, animais desaparecidos e pequenas actividades, enquanto a exploração pode ser feita através do Batmobile, gancho ou planar pelos céus. A campanha ronda as 16 a 18 horas, podendo chegar facilmente às 40 com uma exploração mais dedicada.
Na Switch 2, a conversão é competente e raramente compromete o ritmo. Existem melhorias claras face à experiência LEGO tradicional em portátil, incluindo um excelente uso do HD Rumble 2. Ainda assim, as texturas de fundo mais desfocadas, o pop in durante deslocações rápidas, tempos de carregamento longos e alguns soluços em zonas mais exigentes impedem o port de ser tecnicamente irrepreensível. Um crash durante uma viagem rápida também é difícil de ignorar.
Mesmo com essas arestas, LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight é uma renovação convincente da fórmula. Não abandona aquilo que funciona, mas sabe onde mexer, no combate, na narrativa, na exploração e na forma como cada personagem é utilizada. Para quem cresceu com Batman e com os jogos LEGO, esta é uma combinação que finalmente deixa de parecer apenas uma revisitação e passa a sentir-se como uma evolução.
Nota: 8/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




