O Cinema Francês está em Festa com grandes estreias e uma competição inédita
A Festa do Cinema Francês regressa a Portugal a partir de 1 de outubro para a sua 27.ª edição, propondo uma nova celebração da diversidade, vitalidade e riqueza da cinematografia francesa e francófona. Em Lisboa, o festival decorre até 11 de outubro no Cinema São Jorge, antes de seguir viagem por várias cidades do país, mantendo uma dimensão nacional que anualmente atrai entre 20 mil e 25 mil espectadores.
Organizada pelo segundo ano consecutivo pela Associação Il Sorpasso, em parceria com a Embaixada de França em Portugal, o Institut Français du Portugal e a Unifrance, a Festa integra também o MaisFRANÇA, programa dedicado à criação contemporânea francesa em Portugal.
A edição de 2026 conta com a consultoria artística de Charlotte Serrand, diretora artística do Festival International du Film de La Roche-sur-Yon e uma das programadoras da nova geração do cinema francês. Serrand colaborou com a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e com o festival Visions du Réel, na Suíça, mantendo também uma colaboração próxima com o cineasta Albert Serra.
Depois da passagem por Lisboa, a Festa do Cinema Francês estará presente em Almada, Setúbal, Beja, Coimbra, Lagos, Tavira, Porto, Leiria, Braga, Cascais, Évora, Oeiras, Odemira e Vila Franca de Xira. A organização prevê ainda anunciar novas localidades e novidades da programação nas próximas semanas.
Entre as principais novidades está o alargamento da Secção Competitiva a todo o território francófono. A mudança reforça a aposta na diversidade das cinematografias que partilham a língua francesa e coloca em competição seis primeiras e segundas longas-metragens provenientes de diferentes geografias e modelos de coprodução. A seleção reúne produções e coproduções da República Democrática do Congo, República Centro-Africana, França, Polónia, Canadá e Gana, atravessando géneros que vão do drama musical ao cinema queer, passando pela comédia negra, thriller, coming-of-age e drama familiar.

Entre os títulos selecionados encontra-se Congo Boy, de Rafiki Fariala, primeira grande coprodução entre a República Centro-Africana e a República Democrática do Congo, apresentada em Un Certain Regard, no Festival de Cannes, onde Bradley Fiomona Dembeasset recebeu o prémio de Melhor Ator. A competição inclui também Du Fioul Dans Les Artères, de Pierre Le Gall, que cruza realismo social e intimidade queer através da história de dois camionistas, e Adeus, Mundo Cruel, de Félix de Givry, escolhido para encerrar a Semana da Crítica de Cannes.
A proposta mais próxima da comédia negra surge com L’Espèce Explosive, de Sarah Arnold, uma mistura de noir rural, investigação policial, humor negro e psicadelismo apresentada na Quinzena dos Realizadores. Do Canadá chega Paradise, de Jérémy Comte, que aproxima as noites de Accra aos ambientes gelados do Quebec para explorar solidão, vulnerabilidade e relações estabelecidas através da Internet. Completa a competição La Frappe, de Julien Gaspar-Oliveri, drama familiar centrado no trauma e nas marcas invisíveis deixadas pela violência. Diego Murgia e Bastien Bouillon integram o elenco principal.

A sessão de abertura da 27.ª Festa do Cinema Francês acontece a 1 de outubro, às 21h00, no Cinema São Jorge, com a estreia nacional de De Gaulle: Resistência, título português de La Bataille De Gaulle: L’Âge De Fer, realizado por Antonin Baudry.
O filme transporta o público para junho de 1940, acompanhando o futuro líder da França do pós-guerra quando parte para Londres e inicia a luta política pela manutenção da ideia de uma França Livre. Simon Abkarian interpreta Charles de Gaulle num retrato que procura afastar-se da imagem exclusivamente monumental do futuro herói nacional para mostrar um homem obstinado e contraditório. Apresentado no Festival de Cannes, o filme tornou-se um dos títulos mais vistos do ano em França, segundo a informação divulgada pela organização da Festa do Cinema Francês.
Antonin Baudry completa o projeto com De Gaulle: Liberdade, segundo capítulo do díptico inspirado na biografia De Gaulle: Une Certaine Idée De La France, de Julian Jackson. A narrativa retoma os acontecimentos em 1942 e acompanha os últimos anos da Segunda Guerra Mundial até à Libertação de Paris, em agosto de 1944, e ao regresso de de Gaulle a França.

A Festa do Cinema Francês associa-se igualmente à retrospetiva dedicada a Brigitte Bardot pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. A iniciativa percorre diferentes fases da carreira da atriz, permitindo reencontrar uma filmografia que ultrapassa largamente a imagem de símbolo sexual que marcou a projeção internacional de Bardot. A partir de 1 de outubro serão exibidos quase 20 filmes, revelando a diversidade de realizadores, géneros e personagens que acompanharam a carreira da atriz.
Entre os títulos selecionados está E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, filme de 1956 que transformou Bardot numa estrela internacional e contribuiu para a criação do mito de Saint-Tropez. Em Vida Privada de Louis Malle, a atriz surge numa personagem profundamente marcada pela própria experiência de celebridade e pela perseguição dos paparazzi. A retrospetiva inclui ainda O Desprezo, de Jean-Luc Godard, onde Bardot contracena com Michel Piccoli e a sua imagem pública é integrada numa reflexão sobre desejo, representação e cinema, e Viva Maria!, novamente de Louis Malle, com Jeanne Moreau, numa aventura que cruza comédia e western.
A vertente profissional da Festa do Cinema Francês ganha igualmente expressão com a segunda edição do Mercado de Coprodução Franco-Lusófono. O evento pretende aproximar produtores, realizadores, distribuidores, instituições públicas, fundos de financiamento e outros profissionais da indústria audiovisual, criando oportunidades de desenvolvimento de coproduções entre Portugal, França e os territórios francófonos e lusófonos. Em 2026, o mercado será ampliado às séries audiovisuais, passando a receber projetos de ficção ou documentais em desenvolvimento neste formato. O programa incluirá ainda sessões dedicadas ao financiamento, desenvolvimento e coprodução internacional de séries.
A direção do Mercado de Coprodução Franco-Lusófono estará a cargo de Anette Dujisin e Thibaut Bracq. Com uma identidade visual inspirada na elegância geométrica do Art Déco francês, criada pela designer Clara Barbacini, a 27.ª Festa do Cinema Francês prepara assim uma edição que combina cinema, descoberta de novos autores, património cinematográfico e indústria audiovisual. O festival conta com o apoio da Lisboa Cultura e de vários parceiros privados, entre os quais a Claude et Sofia Marion Foundation, BNP Paribas, Credibom, Peugeot, JCDecaux, DPD e Thales.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.

