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Crítica | Runner: Corrida Pela Vida – Acção no limite do cronômetro

Alan Ritchson e Owen Wilson juntam-se em Runner: Corrida Pela Vida, um filme de acção onde a dupla corre contra o tempo para fazer uma entrega importante.

Alan Ritchson tem feito títulos nos jornais, seja pela sua vida pessoal, seja pela sua presença, cada vez mais recorrente, no pequeno e no grande ecrã. Entre a série Reacher, cuja terceira temporada já foi concluída, e um papel no próximo Velocidade Furiosa – a aguardar por Vin Diesel para avançar com o projecto -, Ritchson tem-se afirmado como um verdadeiro homem de acção. Runner: Corrida Pela Vida é o novo filme de Scott Waugh e conta também com Owen Wilson no elenco.

Uma missão imparável contra o tempo

A história acompanha Hank Malone (Ritchson), um ex-SEAL da Marinha que trabalha como estafeta privado independente, transportando mercadorias legais e ilegais. Durante uma manhã aparentemente normal de trabalho, Hank recebe a missão de transportar uma mercadoria altamente valiosa, onde conhece Ben Bishop (Wilson), responsável pelo item precioso. No entanto, outras pessoas também procuram esse objecto e perseguem a dupla para o obter, custe o que custar.

O cinema de acção americano parece estar a olhar para o que se faz no estrangeiro e a importar alguns dos seus conceitos, ao mesmo tempo que recupera tantos outros de décadas passadas, numa mescla de revivalismo e intensidade contemporânea. Isto porque Runner: Corrida Pela Vida, por baixo da sua dinâmica de comédia, sustentada pelos dois actores, também contém uma multiplicidade de tiros certeiros, esfaqueamentos e combates intensos – todos eles absolutamente sangrentos. É uma violência mais gráfica do que aquela que, em regra, era aceite com a mesma facilidade nos anos 90 e no início dos anos 2000.

Um filme com grandes cenas de acção, liderado por Alan Ritchson

Por vezes, o filme parece viver num universo alternativo de Reacher, tal é a semelhança entre Hank e a personagem interpretada por Ritchson na série, sobretudo no que toca à sua faceta de homem implacável e metódico. Mas Hank Malone tem os seus próprios problemas, distintos dos de Reacher, embora, apesar de tudo, Ritchson acabe por regressar a uma personagem-tipo que já o definiu neste género cinematográfico. Colocá-lo ao lado de Wilson, na pele de Ben Bishop, permite criar algum contraste, tornando os intervalos entre a acção mais toleráveis e divertidos.

A urgência da narrativa ajuda a que tudo se mova a um ritmo bastante rápido, sobretudo quando o inimigo do outro lado, na forma de Damian (Rodrigo Santoro), é imparável no seu objectivo. Damian transforma-se num vilão por vezes exagerado, com uma crueldade bastante vincada, e essa intensidade serve frequentemente de combustível para a narrativa, ainda que nem sempre de forma subtil.

Ainda assim, Scott Waugh delimita o filme dentro da sua premissa, focando o argumento na meta final da obra. As personagens só revelam profundidade quando tal convém à trama, ou nos breves intervalos entre momentos de pancadaria extrema. O resultado aproxima-se de um filme de série B com um orçamento maior, uma identidade de que o próprio filme parece ter consciência. A consequência, porém, é deixar na gaveta uma maior complexidade emocional, que poderia ajudar o espectador a criar uma ligação mais forte com as personagens. Há também vários fios narrativos que ficam por explorar, em favor de uma abordagem mais familiar, directa e simples.

Com isto, Runner: Corrida Pela Vida é um filme em que a acção muscular triunfa sobre tudo o resto, numa narrativa bastante directa e sem grandes complicações. De digestão fácil, é o tipo de filme que se celebra com um bom balde de pipocas e uma bebida fresca, ideal para um serão confortável no cinema.

Nota final: 6/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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