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Crítica | Imposters: Um thriller que guarda o seu verdadeiro horror para o fim

Imposters é um thriller de ficção científica e terror doméstico que transforma o desaparecimento de um bebé num pesadelo.

Imposters

Imposters é um daqueles filmes que decide que não quer responder a todas as perguntas a que se propõe, preferindo deixar algumas portas abertas. E é aí, nessa incerteza, que encontra a sua força. Escrito e realizado por Caleb J. Phillips, na sua estreia em longa-metragem depois da premiada curta Other Side of the Box, o filme começa como um drama conjugal, mergulha no terror psicológico e acaba num território de ficção científica bem mais estranho do que a premissa sugere.

Paul e Marie parecem ter tudo o que a típica família americana ambiciona, uma casa tranquila, um bebé e uma nova vida numa comunidade rural. Só que a fachada já está rachada. Paul mantém uma relação extraconjugal e o casamento atravessa uma crise silenciosa, enquanto Marie se concentra no filho e na tentativa de começar de novo. Então, durante uma festa, o bebé desaparece do berço, sem testemunhas e sem qualquer explicação.

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Marie encontra-o numa gruta, mas regressa sem memória do que aconteceu. Paul começa a suspeitar que aquela criança não é verdadeiramente o filho que perdeu, enquanto Marie se agarra ao bebé de forma cada vez mais obsessiva. Phillips brinca com suspeitos duvidosos, pistas falsas e fenómenos inexplicáveis, antes de mudar de direcção na segunda metade, introduzindo conceitos de ficção científica, uma atmosfera próxima dos chamados backrooms e uma mitologia que prefere sugerir a explicar. É precisamente essa mudança que torna Imposters mais interessante, mantendo o mistério enquanto concentra a tensão nas decisões cada vez mais extremas de Paul e Marie.

Jessica Rothe é, sem grande surpresa, o grande destaque. Como Marie, entrega uma interpretação visceral, dolorosa e feroz, transformando o sofrimento materno numa força destrutiva. Quando o filme finalmente acelera, é ela quem lhe dá verdadeira intensidade. Charlie Barnett tem uma abordagem mais contida como Paul, procurando humanizar uma personagem marcada pela infidelidade e pela culpa, embora essa contenção por vezes pareça falta de emoção.

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O maior problema está no ritmo. Imposters demora demasiado a arrancar e insiste em alguns conflitos durante tempo excessivo, fazendo com que a narrativa perca força antes de atingir o ponto de viragem. A produção consegue fazer bastante com poucos cenários e recursos limitados, mas a economia visual também torna alguns momentos excessivamente estáticos.

Felizmente, o último acto compensa parte dessa espera. Os efeitos práticos e a maquilhagem ganham protagonismo, a tensão sobe e o filme entra numa zona muito mais desconfortável. O desfecho é sombrio, perturbador e funciona como um verdadeiro murro no estômago, recontextualizando o que vimos sem absolver qualquer uma das personagens.

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Resta concluir que,Imposters está longe de ser perfeito, sobretudo devido a um primeiro e segundo actos demasiado arrastados, mas há uma voz autoral evidente por detrás da câmara. É um filme que pede paciência e recompensa quem aceita entrar sem saber demasiado.

Nota: 7/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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