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Análise: Grim Trials – Tentar ser Hades…e falhar

Grim Trials apresenta uma aventura roguelite inspirada em Hades, mas tropeça no combate e narrativa.

Grim Trials

Jogo: Grim Trials
Disponível para: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Glory Jam
Editora: Soft Source

Grim Trials
Há uma ideia no centro de Grim Trials. No entanto, não se enganem, é mesmo apenas uma ideia. Avelin é uma jovem que morreu antes do seu tempo e acaba recrutada pela Academia para se tornar aprendiz de Grim Reaper. O objectivo é completar as provas de purificação e, pelo caminho, encontrar uma forma de reencontrar Timmy, o amor que perdeu. É uma premissa eficaz, sobretudo porque a tristeza e a raiva de Avelin também estão presentes na própria expressão da personagem, mas o jogo nunca consegue transformar esse potencial numa narrativa à altura.

A Academia funciona como centro de operações, povoada por personagens com histórias próprias. Pytra, uma forja flamejante com personalidade, Kai, o mentor de trato difícil, e Ivanya, uma bruxa tecelã aracnídea, ajudam a dar alguma identidade ao elenco. As side quests são uma boa forma de conhecer este mundo sem interromper demasiado o ritmo, e até Nameles, o cão com que podemos interagir e partilhar guloseimas, consegue roubar algum protagonismo. O problema é a apresentação. O diálogo é todo feito através de caixas de texto estáticas, sem vozes, e o desfecho parece apressado, reduzindo o impacto emocional de uma história que tinha pernas para andar.

No combate, as influências de Hades são impossíveis de ignorar. Grim Trials aposta num sistema hack and slash visto de cima, com salas hexagonais geradas de forma aleatória e partidas curtas, normalmente com cerca de 25 minutos. A estrutura é até interessante, já que não obriga o jogador a atravessar uma longa sequência de níveis. Cada prova funciona como uma missão independente e podemos regressar à Academia para escolher desafios mais fáceis ou difíceis e farmar materiais. O mini mapa permite ainda voltar atrás e explorar salas já limpas, uma decisão simples que incentiva a procurar recursos.

Grim Trials

As ideias estão lá, mas a execução fica aquém. Existem apenas três armas corpo a corpo e quatro variantes de besta, e essa falta de variedade torna-se evidente depressa. As Bênçãos alteram o desempenho do equipamento durante cada tentativa, enquanto as Soul Runes permitem desenvolver Avelin através de uma árvore de habilidades bastante flexível. Podemos trocar os pontos livremente e experimentar outras builds, mas faltam modificadores elementais, estados e sinergias capazes de criar combinações realmente interessantes. Entre problemas de hit detection e controlos que nem sempre respondem como esperamos, o combate acaba por perder aquele factor de descoberta que deveria sustentar um roguelite.

O sistema de crafting é uma das ideias mais engraçadas. Para criar armas, equipamento e poções temos de cumprir um pequeno minijogo de ritmo, e acertar nas marcas certas pode resultar em equipamento master-crafted ou poções extra. Funciona, embora a economia seja desequilibrada. É possível acumular materiais suficientes para fabricar praticamente tudo muito antes de desbloquear ferramentas destinadas a acelerar esse processo.

Visualmente, Grim Trials consegue destacar-se. O estilo cel shading colorido e vibrante dá uma interpretação menos sombria ao purgatório, enquanto a banda sonora de heavy metal indonésio acrescenta personalidade, sobretudo quando os riffs entram em cena durante os bosses. Os sete chefes, inspirados nos Sete Pecados Capitais, são provavelmente o ponto mais interessante do desafio, exigindo atenção aos padrões e alguma memória muscular.

O maior problema acaba por ser o conteúdo. Com apenas três biomas e uma campanha principal de seis a oito horas, Grim Trials é demasiado pequeno para um género baseado na repetição. Chegar às cerca de 13 horas com side quests e final verdadeiro ajuda, mas não resolve a sensação de que estamos perante um conceito que precisava de mais espaço para crescer.

Grim Trials

Grim Trials é simpático, acessível e respeita o tempo do jogador, mas vive demasiado na sombra de Hades. Há boas ideias, uma direcção artística apelativa e personagens com potencial, só que a falta de variedade e um combate pouco refinado impedem-no de dar o salto para algo realmente memorável.

Nota: 5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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